Os impactos de um possível cancelamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio

Maioria da população japonesa é contra a realização das Olimpíadas

Ruan Nascimento
Colaborador do Torcedores

Crédito: (Reprodução/Olympic Channel) Capital japonesa receberá os Jogos Olímpicos em julho

Mesmo que o Comitê Olímpico Internacional (COI) garanta que os Jogos Olímpicos de Tóquio serão realizados mesmo que o Japão esteja com fortes restrições de circulação de pessoas, as incertezas impulsionadas pela pandemia da Covid-19 continuam vindo à tona. Afinal de contas, o país enfrenta uma quarta onda de contágio da doença, e não só a capital Tóquio como outras cidades japonesas estão sob estado de emergência até o final do mês. 

Uma pesquisa divulgada pela agência de notícias Reuters indica que quase 70% dos entrevistados desejam que ocorra o adiamento ou cancelamento dos Jogos Olímpicos. Na última semana, a Tokyo Medical Practitioners Association, organização que reúne cerca de 6 mil médicos em Tóquio, pediu que o evento fosse cancelado. Houve também uma petição reunindo 350 mil assinaturas em nove dias, também em apoio à não realização das Olimpíadas.

No contrato entre o COI e a cidade de Tóquio para a realização dos Jogos, há uma cláusula que diga que o Comitê Olímpico Internacional tenha o direito de rescindir o acordo, sob a alegação de que “a segurança dos participantes dos Jogos seria seriamente ameaçada ou comprometida por qualquer motivo”.

Em entrevista à CNN, o especialista jurídico e professor de Direito na Escola de Melbourne, na Austrália, Jack Anderson, ressaltou que é provável que ocorra uma pressão aos organizadores do evento para forçar seu cancelamento. “É a segurança desses atletas, que são a principal preocupação do COI, a segurança do público japonês, a principal preocupação do comitê organizador e do estabelecimento político japonês, que é a chave”, comenta. 

Prejuízos ao comitê organizador

O especialista ainda aponta que a rescisão do contrato com a cidade-sede seria prejudicial principalmente com o comitê organizador, responsável de proporcionar segurança para os Jogos Olímpicos. “Dessa forma, é simples. Mas é claro que, de outras maneiras, não é simples porque não é simplesmente um contrato entre o Comitê Olímpico Internacional e a organização anfitriã”, explica. “Temos contratos de patrocínio, temos transmissão, temos hospitalidade, temos uma gama – uma rede contratual de responsabilidades – que estão em vigor aqui. É uma questão contratual enorme e teria enormes ramificações de seguro se não fosse à frente”, completa.

Um relatório da Reuters mostra que as seguradoras enfrentarão um prejuízo de US$ 3 bilhões caso a Olimpíada seja, de fato, cancelada. Seria também a maior reclamação de todos os tempos no mercado de cancelamento de eventos. Anderson reforça que o efeito financeiro em não ter os jogos afetaria na questão dos direitos de transmissão, os quais respondem por 75% do total financiamento do COI. “Portanto, não ter Jogos, e o efeito cascata que isso tem para o patrocínio, para a transmissão, seria enorme. Seria difícil medir isso. Mas acho que você poderia confortavelmente dizer que o seguro por si só não o cobriria em termos de reputação e danos econômicos.”

Danos aos atletas

Em um eventual cancelamento da Olimpíada, a situação seria ainda mais prejudicial aos atletas. Também em entrevista à CNN, o presidente da World Athletics, Seb Coe, apontou que 70% dos competidores que tentam uma vaga aos Jogos Olímpicos terão uma única chance de mostrar com eficácia o que sabem fazer, no que chama de auge das suas carreiras esportivas.

Para ele, não ter os Jogos Olímpicos seria como “descartar uma geração de atletas que passaram mais da metade de suas jovens vidas em busca deste momento único”. Por outro lado, o COI garante que 80% de todos os que ficarão na Vila Olímpica estarão completamente imunizados até 23 de julho, data em que começam as Olimpíadas.

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