O ex-vendedor de carros que entrou para o hall da fama do basquete com Kobe, Duncan e Garnett

O indiano Nav Bhatia nunca fez uma cesta ou treinou uma equipe, mas foi imortalizado junto a atletas que fizeram história

Fernando Alves
Colaborador do Torcedores

Crédito: O indiano de 69 anos que entrou para o hall da fama do basquete. Imagem: divulgação / Twitter.

 

Em todos os anos acontece a cerimônia de inserção de atletas que fizeram história no basquete norte-americano no hall da fama. A cerimônia da classe de 2020 aconteceu na última semana e contou com homenagens aos atletas históricos da NBA Kobe Bryant, Tim Duncan e Kevin Garnett, além de Tamika Catchings, da WNBA.

Mas neste ano foi criada uma nova categoria para o hall da fama, e o homenageado nela foi um indiano que já foi vendedor de carros.

 

Caos político

A história começa em 1984. O indiano Nav Bhatia se muda para o Canadá, fugindo de um turbilhão político que seu país vivia. Ele esperava conseguir um emprego com certa facilidade, por ser formado em Engenharia Mecânica. Porém, sofria preconceito pela barba grande e pelo uso do turbante.

Após meses de buscas, ele consegue um emprego de vendedor de carros. Além de trabalhar duro como uma forma de compensar o preconceito sofrido, ele demonstra uma enorme simpatia com as pessoas e usa de anúncios bastante grudentos nas rádios. A soma de tudo isso faz ele se tornar nada menos que o maior vendedor de carros de todo o Canadá. Trazendo para os números, ele chegou a vender 127 carros em 90 dias, recorde que permanece até hoje.

 

Ascensão e preconceito

Com seu bom trabalho mais do que provado, ele é contratado para ser gerente geral de uma concessionária que estava à beira da falência e cujo dono contava com Bhatia para colocá-la de volta nos eixos. Porém, novamente o preconceito de manifestou. Toda a equipe pediu demissão, se recusando a trabalhar com ele.

Bhatia novamente respondeu com trabalho. Contratou um time inteiro de novos funcionários e colocou a concessionária nos trilhos. Não só isso, ele a fez uma das maiores de todo o Canadá. No final, acabou comprando a concessionária, tendo como sócio justamente o homem que o havia contratado para ser vendedor em 1984. Nav Bhatia agora era um milionário.

 

A paixão pelo Raptors

É ai que entra o basquete nessa história. Em 1995, é fundado o Toronto Raptors. Logo na primeira temporada da NBA com a equipe canadense, Nav Bhatia compra ingressos para a temporada inteira.

Ainda iniciando na NBA, o Toronto Raptors vai mal na liga, porém Bhatia estava em todos os jogos da equipe em casa, gritando e incentivando a equipe do início ao fim dos jogos. Três anos depois e com Bhatia demonstrando o mesmo vigor no apoio à equipe, o treinador Isiah Thomas ficou sabendo da devoção do indiano à equipe e o chamou para o meio da quadra de uma partida, atribuindo-o o título de “Super Fã”.

 

Reconhecimento

Mais de 25 anos depois, Nav Bhatia segue sem ter perdido um único jogo em casa do Toronto Raptors na NBA, mesmo já com 69 anos de idade.

Quando o Raptors ganhou a NBA, em 2018, Nav Bhatia foi o primeiro torcedor da história da liga a também receber o anel de campeão junto com jogadores e comissão técnica. E agora, em 2021, ele também passou a ser o primeiro torcedor a entrar no hall da fama do basquete, criando uma nova categoria de homenagens.

Além de pessoalmente comparecer aos jogos, Nav Bhatia investe 300 mi dólares a cada ano comprando ingressos a crianças de diferentes etnias, origens e religiões, fazendo questão que elas se sentem próximas umas às outras no ginásio para que diferentes comunidades se juntem.

 

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