Já passou da hora de Vagner Mancini parar de subestimar as péssimas atuações do Corinthians; entenda

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação do Timão na derrota para o Peñarol e a eliminação na Copa Sul-Americana

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / CONMEBOL Sudamericana

A pior derrota do Corinthians em torneios internacionais não foi construída por obra do acaso ou daquilo que costumamos chamar de “o imponderável”. O tradicionalíssimo e outrora vitorioso Peñarol foi muito organizado, intenso nas suas transições e letal nos contra-ataques. Nem mesmo o fato de Vagner Mancini ter utilizado vários reservas na partida desta quinta-feira (13) diminuiu o tamanho do baile que a equipe carbonera deu no Timão. Aliás, falando no treinador corintiano, a entrevista coletiva concedida após a goleada e a eliminação na Copa Sul-Americana deixaram a certeza de que o “Mancinismo” precisa de doses cavalares de consistência e competitividade. O Corinthians foi presa fácil na partida e cometia erros bobos na cobertura defensiva no posicionamento e nas tomadas de decisões. Chama a atenção a péssima fase de jogadores como o atacante Jô e o zagueiro Gil.

O que mais chamava a atenção no Corinthians era a postura da equipe. Muitos espaços entre todos os setores, muitos erros de posicionamento e muita lentidão nas transições e nas trocas de passes da defesa para o meio-campo. A bola simplesmente não chegava no ataque e Mateus Vital esteve completamente sobrecarregado na criação das jogadas. E esse panorama só piorou com o gol marcado por Álvarez Martínez logo aos quatro minutos de partida no estádio Campeón del Siglo. Do outro lado, o Peñarol de Mauricio Larriera explorava bem os espaços às costas dos laterais Luiz Mandaca e Fábio Santos e o péssimo posicionamento dos volantes Xavier, Roni e Camacho na proteção da última linha do Corinthians. O camisa 19 dos carboneros ainda marcaria o segundo em bela jogada de Facundo Torres e Giovanni González pelo lado direito de ataque aos 13 minutos do primeiro tempo.

Facundo Torres e Giovanni González aproveitaram a falta de compactação do Corinthians pelos lados do campo para construir a jogada do segundo do Peñarol. Faltava consistência, intensidade e um mínimo de organização ao escrete comandado por Vagner Mancini. Foto: Reprodução / Conmebol TV

É aí que entra um detalhe interessante. O vídeo acima (tirado do canal oficial da Conmebol Sudamericana no YouTube) mostra o treinador corintiano perguntando a Camacho por que o volante Xavier jogava na frente da zaga. É possível ouvir essa fala a partir dos quarenta segundos. Só que, ao ser questionado sobre qual foi a formação usada na derrota para o Peñarol, Vagner Mancini respondeu que o camisa 39 jogava como terceiro zagueiro. A única certeza que este colunista tem é que o Corinthians executou os movimentos do 3-5-2 e do 4-1-4-1 da pior maneira possível. Não é exagero afirmar que Xavier não foi nem zagueiro e nem foi volante na goleada para o Peñarol. Ele e todo o sistema defensivo do Timão estiveram completamente perdidos diante da movimentação constante de Álvarez Martínez, Ceppellini, Facundo Torres, Gargano e Canobbio no 4-2-3-1 do técnico Mauricio Larriera.

Penarol vs Away team - Football tactics and formations

Xavier não foi nem terceiro zagueiro e nem volante no 3-5-2 desorganizado e sem intensidade de Vagner Mancini. O Corinthians sofreu para se fechar na defesa e encontrou dificuldades extremas para levar a bola ao ataque com um mínimo de qualidade diante de um Peñarol bem postado e muito ligado.

O segundo tempo da partida no Estádio Campeón del Siglo foi uma repetição do que aconteceu na primeira etapa. O Peñarol manteve sua postura mais ofensiva e intensa nas transições e apenas esperou o momento certo para acelerar nos contra-ataques. Logo aos sete minutos, o escrete carbonero aproveitou o péssimo posicionamento do Corinthians na sobra de um escanteio batido pelo ladi direito e partiu em velocidade com Capellini recebendo na direita e servindo Canobbio. A pá de cal vira aos 23 minutos com Álvarez Martínez marcando pela terceira vez. O Corinthians pagava pela desorganização defensiva e pela péssima atuação com e sem a bola. De acordo com os números do SofaScore, o escrete comandado por Vagner Mancini teve 48% de posse e finalizou a gol apenas oito vezes (com apenas uma no alvo) enquanto o Peñarol finalizou seis vezes na direção da baliza de Cássio e teve 83% de acerto nas trocas de passe.

O Peñarol foi muito intenso nos contra-ataques e soube como aproveitar a desorganização do Corinthians nas transições da defesa para o ataque e vice-versa. A movimentação do quarteto ofensivo carbonero escancarava a desorganização defensiva do Timão. Foto: Reprodução / Conmebol TV

Temos que dividir a responsabilidade. O Peñarol teve espaços e foi bem. Tivemos dificuldade desde o primeiro minuto não só na marcação. Tomamos gol logo cedo e o segundo logo em seguida. O que era difícil ficou ainda mais. Por mais que a gente tenha feito ajustes, com mudanças, achei que jogou até melhor no fim do jogo, mas foi distante do que sabemos que é o ideal“. As palavras de Vagner Mancini na entrevista coletiva após a partida deixa tudo muito mais difícil. A impressão que fica é que o treinador segue subestimando as atuações ruins de uma equipe que vem se encontrando quando atua no esquema com três zagueiros, mas que sofre demais quando enfrenta equipes mais organizadas e intensas nas transições (exatamente como o Peñarol). Ao mesmo tempo, a insistência em nomes como Jô, Léo Natel, Otero e Gil extrapolou qualquer justificativa plausível de Mancini.

Resta ao Corinthians a disputa do título de um Campeonato Paulista que pode maquiar ainda mais aquilo que eu e você temos visto em campo. Por mais que a equipe tenha mostrado mais consistência e competitividade na vitória sobre a Inter de Limeira, a grande verdade é que a equipe não tem passado segurança. E Vagner Mancini precisa parar de subestimar os claros sinais que seu time está dando nas últimas partidas. Antes que seja tarde demais.

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