Derrota para o Barcelona de Guayaquil é mais um capítulo da comédia de erros que o Santos se transformou

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca a atuação da equipe de Fernando Diniz e o que se pode tirar da eliminação na Libertadores

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ivan Storti / Santos FC

Este que escreve confessa que é um pouco difícil encontrar palavras menos duras para falar do momento pelo qual o Santos passa nessa temporada. Começando pela maneira com que Ariel Holan deixou o clube, passando pela saída de jogadores importantes na campanha do vice-campeonato da Libertadores de 2020 e chegando na eliminação da atual edição, o sempre tão vitorioso Alvinegro Praiano vem se transformando numa comédia de erros por conta de uma série de fatores que envolvem a atual e a antiga diretoria. E a derrota por 3 a 1 para o Barcelona de Guayaquil nesta quarta-feira (26) é mais um capítulo nessa história. Por mais que jovens como Lucas Braga, Gabriel Pirani, Kaiky, Ângelo e Kaio Jorge sejam extremamente promissores, eles acabam se transformando nas maiores vítimas de uma série de decisões estapafúrdias tomadas pela diretoria do Santos Futebol Clube.

Sobre a partida e as chances remotas de classificação para as oitavas de final da Libertadores, já se sabia antes da bola rolar no Estádio Monumental de Barcelona que a vida do escrete comandado por Fernando Diniz (que cumpria o segundo jogo da suspensão imposta pela CONMEBOL) não seria nada fácil. É bem verdade que o auxiliar Márcio Araújo fez o que pôde para dar ânimo e consistência ao Santos. O problema é que o adversário jogava de maneira muito mais organizada e explorava bem as deficiências de uma equipe que ainda está conhecendo os métodos de trabalho do seu (ainda) novo treinador. Fabián Bustos apostou num Barcelona de Guayaquil com muita força pelos lados do campo (com Emmanuel Martínez e Michael Hoyos se juntando a Leonel Quiñónez e Byron Castillo) e com Dámian Díaz decidindo na frente. A defesa em linha e mal coordenada do Santos pouco pôde fazer contra tanto volume de jogo.

Barcelona de Guayaquil vs Santos - Football tactics and formations

O Santos tentou impor seu jogo com um time mais leve, mas apenas abriu espaços nas laterais e sofreu com a velocidade do Barcelona de Guayaquil. Ivonei não conseguiu proteger a zaga e Gabriel Pirani acabou sumindo no meio-campo junto com todo o setor ofensivo do Peixe.

A equipe da Vila Belmiro até conseguiu mostrar um pouco de competitividade quando Kaio Jorge obrigou o goleiro Javier Burrai salvou gol certo se jogando aos seus pés e quando o mesmo atacante empatou a partida aos 46 minutos do primeiro tempo. O problema era muito maior do que a simples necessidade de se vencer o Barcelona de Guayaquil na casa do adversário e ainda torcer contra o Boca Juniors (que já vencia o The Strongest a essa altura). O Santos não conseguia ter um mínimo de criatividade no meio-campo e padecia do mesmo mal de várias equipes comandadas por Fernando Diniz: a péssima recomposição defensiva. Não que ele tenha culpa na eliminação, mas vale destacar que mudanças no comando técnico exigem um reinício do processo de entendimento entre treinador e jogadores. A quantidade de botes errados de Kayky, Luan Peres e Felipe Jonatan foi simplesmente inacreditável.

O Barcelona de Guayaquil explorou bem toda a afobação do Santos na partida desta quarta-feira (26). A recomposição defensiva e os buracos no meio-campo (problemas crônicos das equipes de Fernando Diniz) foram facilmente percebidos na equipe da Vila Belmiro. Foto: Reprodução / YouTube / ESPN Brasil

O segundo tempo da partida no Estádio Monumental de Barcelona não foi muito diferente do primeiro. Por mais que o auxiliar Márcio Araújo tenha tentado melhorar o desempenho de um Santos desesperado e afobado com as entradas de Madson, Lucas Lourenço, Marcos Leonardo, Copete e Kevin Malthus, a impressão que ficou foi a de que o time comandado por Fabián Bustos esteve sempre mais próxima de marcar o quarto gol do que o Peixe de diminuir o placar. Tudo por conta da estratégia adotada pelo Barcelona: dar a bola ao Santos, se fechar na defesa e acelerar nos contra-ataques às costas de Pará e (principalmente) Felipe Jonatan. Além disso tudo, as ausências de Marinho, Alison e Jean Mota foram muito sentidas por uma equipe obrigada sem referências técnicas dentro e fora de campo. Realmente, não tinha como dar certo. Por maior que fosse a fé e a esperança do torcedor santista nessa quarta-feira (26).

Santos vs Barcelona de Guayaquil - Football tactics and formations

O auxiliar Márcio Araújo tentou dar mais velocidade ao Santos com as entradas de Copete, Madson, Lucas Lourenço, Kevin Malthus e Marcos Leonardo, mas pouco conseguiu melhorar o desempenho da sua equipe. O Barcelona de Guayaquil tomou conta do jogo e quase não foi ameaçado no segundo tempo.

É bem verdade que é complicado exigir tanto de um time que sofreu o que sofreu em tão pouco tempo. O Santos teve QUATRO TREINADORES apenas na fase de grupos da Libertadores (Ariel Holan, Marcelo Fernandes, Fernando Diniz e Márcio Araújo). Ainda que dois dos nomes citados sejam auxiliares, o que se viu na participação e eliminação do Peixe da competição mais importante do continente sul-americano foi, na prática, um breve resumo do que se transformou o clube nesses últimos meses. Fica até difícil falar no 4-4-2 santista e na maneira como ele poderia superar o 4-1-3-2/4-4-2 de Fabián Bustos na casa do adversário. Ou como os jovens Ângelo e Lucas Braga poderiam ser úteis na armação das jogadas dentro do esquema de jogo de Fernando Diniz (treinador que aprecia o jogo ofensivo). Não existe tática e/ou planejamento que resista a tanta confusão nos bastidores e a tantas decisões erradas.

O Santos Futebol Clube precisa passar por um processo de reconstrução com a máxima urgência. Por mais que Cuca tenha feito um trabalho surpreendente no comando da equipe na temporada passada e que o elenco ainda conte com muitos nomes promissores, é preciso entender que o contexto é outro. Não há dinheiro em caixa e os jovens estão precisando queimar etapas para “segurar o rojão” no time de cima. Não esperem que o Peixe faça um Brasileirão tranquilo enquanto a comédia de erros continuar.

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