Cruzeiro: sem inspirar confiança no regresso

Às vésperas da segunda tentativa do time de voltar à elite, torcida teme que o clube continue enxugando gelo

Cláudio Arreguy
Colaborador do Torcedores

Crédito: Arte/Cláudio Arreguy

O Cruzeiro estreia na Série B de 2021 em 29 de maio, o sábado da próxima semana, contra o Confiança, em Aracaju. Desta vez não entra na competição devendo seis pontos, como no ano passado, por determinação da Fifa, porque não pagou o equivalente a R$ 5,3 milhões relativos ao empréstimo do volante Denílson pelo Al Wahda, dos Emirados Árabes. Por enquanto, é a única vantagem do time atual em relação ao que remou em vão em 2020.

É verdade que agora o clube das cinco estrelas não andou contratando de baciada, como fez na tentativa anterior de regressar à elite. A cada técnico que era queimado na campanha infrutífera visando ao acesso ‒ e foram quatro: Adílson Batista, Enderson Moreira, Ney Franco e Luís Felipe Scolari ‒, novo grupo de jogadores desembarcava na Toca da Raposa. E quase todos esses, digamos, “reforços” acabaram saindo, a maioria sem que a temporada terminasse.

Pois bem. O ano futebolístico brasileiro, que começou no finzinho de fevereiro, tem sido um pouquinho melhor para a Raposa. Mas um pouquinho em relação à sucessão de fracassos anterior não resulta em confiança da torcida em dias melhores. Desconfiada, ela teme que a agremiação ‒ afundada financeiramente, com atrasos recorrentes de salários e sem o socorro de um grupo de torcedores milionários, como ocorre no até mais endividado arquirrival Atlético ‒ continue a enxugar gelo.

Quem chega e quem sai dos clubes?

 

E os indícios, para desespero da China Azul, são nesse sentido. Se desta vez a equipe conseguiu chegar às semifinais do Campeonato Mineiro e até ganhou do Atlético na fase de classificação, ela parou de evoluir e mostra carências em várias posições. As três derrotas para o América evidenciaram isso.

Outro motivo de preocupação: jogadores contratados recentemente já iniciaram o processo de debandada que se segue ao fiasco em campo. O lateral-esquerdo Alan Ruschel, contratado da Chapecoense, foi para o América. O atacante Willian Pottker, envolvido na negociação que levou o jovem e promissor armador Maurício para o Internacional, está de malas prontas para o mundo árabe.

Também proveniente do Coelho, o atacante Felipe Augusto é mais um que não justificou o investimento. Bem como o volante Matheus Néris. Em movimento inverso, atletas pouco aproveitados por Lisca no elenco americano viram novidades celestes, como o lateral Joseph e o volante Flávio, incógnitas que fazem o torcedor coçar a cabeça. Nomes que podem até dar certo, mas estão longe de empolgar o torcedor, escaldado pelas experiências negativas da temporada passada.

A rigor, da turma que chegou para o Estadual e a Série B, o único a animar é Rômulo, ex-lateral do próprio Cruzeiro, que em uma década de Itália atuou bem por vários times, se naturalizou, defendeu a Azzurra e se transformou em jogador de meio-campo. Além dele, só o volante Matheus Barbosa tem sido visto com bons olhos. Já o atacante Bruno José, outro da mais recente leva de desembarcados, tem sido titular, mas demonstrado pouca intimidade com o gol, tanto que ainda busca o seu primeiro pelo clube.

Nos bastidores, a sede social foi desocupada (substituída por um coworking) e está sendo desapropriada para abrigar uma instituição da Justiça. A movimentação renderá R$ 40 milhões ao clube ‒ muito pouco para uma dívida superior a R$ 900 milhões. Os cartolas que levaram a Raposa à quase insolvência continuam soltos, alguns deles até permanecendo no Conselho.

Dois anos já se passaram da eclosão do escândalo que provocou a debacle cruzeirense. Sem ver os causadores punidos e frustrada com os maus resultados do time, a torcida segue desconfiada em relação à campanha na Série B. Sabe que a competição terá outros gigantes caídos, como Botafogo e Vasco, e mais dois campeões brasileiros (Coritiba e Guarani), entre outros adversários.

O técnico Felipe Conceição continua prestigiado. Sem aspas. Mas com a responsabilidade de fazer evoluir um time que até mostra ideia de jogo, mas estagnou por falta de opções de banco. A China Azul teme que mais tempo seja perdido na busca pela recuperação.

Everson: um dos pilares do Galo

Um dos destaques da subida de produção do Atlético tem sido pouco comentado pela torcida, encantada com a turma da frente: o goleiro Everson, que não é bom apenas com os pés, como já se sabia. Tem feito defesas salvadoras e dado confiança ao time, que sobe de rendimento e acaba de assumir a condição de melhor da Libertadores.

Espinha dorsal: um dos destaques do Coelho

Fiquem de olho em jogadores do América melhores do que parecem: o goleiro Matheus Cavichioli, a dupla de zagueiros Anderson e Eduardo Bauerman, o volante Zé Ricardo, o meia Alê e os atacantes Ademir e Rodolfo. Formam boa espinha dorsal.

 

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