Atlético: menos loucura e mais organização

Com adversários mais difíceis do que em 2013, Galo precisará mais do conjunto agora para conquistar novamente a Libertadores.

Cláudio Arreguy
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução/Atlético-MG

O sorteio dos confrontos de mata-mata da Libertadores, que lhe reservou o quase sempre indigesto Boca Juniors nas oitavas de final, deixou claro ao Atlético-MG: para ser pela segunda vez campeão, igualando o êxito de 2013, será preciso jogar melhor do que daquela vez. A caminhada rumo à decisão de 20 de novembro em Montevidéu promete ser bem mais espinhosa do que a de oito anos.

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Os confrontos com os xeneizes ‒ 13 de julho na Bombonera e sete noites depois no Mineirão ‒ constituem, no sonho alvinegro, o primeiro capítulo. Uma vez superado, a sequência inclui mais dois encontros com um hermano (Argentinos Juniors ou River Plate) e duplo duelo semifinal que pode ser contra um brasileiro (São Paulo ou Palmeiras), um terceiro argentino (Racing) ou a chilena Universidad Católica.

O Galo foi o melhor time da Libertadores de 2013, quando se sagrou campeão. Sobretudo pela primeira fase, em que superou São Paulo, Arsenal de Sarandi e The Strongest e só perdeu o último jogo, para o tricolor paulista, no Morumbi, quando já tinha garantido vaga e liderança geral. Nas oitavas, também justificou a já então condição de principal favorito. Bateu os são-paulinos de virada fora de casa e com goleada categórica no Independência.

Mas, a partir das quartas, saiu de cena o time organizado por Cuca desde o ano anterior e entrou a versão Galo Doido. As atuações passaram a ser irregulares, preocupantes, só superadas por brilhos individuais. Já não de Ronaldinho Gaúcho, principal nome da companhia, mas dos companheiros.

Nas quartas, o Atlético perdia por 2 a 0 do Tijuana em Monterrey e conseguiu o empate no fim, com gol do reserva Luan, o Menino Maluquinho. Na volta, houve o drama do pênalti nos minutos finais cuja cobrança daria a vitória de 2 a 1 e a classificação aos mexicanos. Mas o chute de Riascos foi defendido com o pé esquerdo por Victor, em imagem eternizada até numa escultura.

Outro herói reserva surgiu nas semifinais. Depois de perder por 2 a 0 em Rosário, o Atlético vencia o Newell’s Old Boys por 1 a 0 no Independência e parecia caminhar novamente para a eliminação. Mais uma vez nos minutos derradeiros, um chutão mal dado por um zagueiro argentino foi em direção a Guilherme, que dominou e bateu da meia-lua, levando a decisão para os pênaltis. Na qual os atleticanos desperdiçaram duas cobranças, mas Victor brilhou em três.

O enredo se repetiu nas finais contra o Olimpia. Derrota de 2 a 0 em Assunção e vitória insuficiente no Mineirão até os minutos finais, quando foi a vez de o zagueiro Leonardo Silva ser o salvador da pátria, com incrível cabeçada. Sem gols na prorrogação, o Galo levou a taça nos pênaltis, com uma cobrança defendida por São Victor e a última carimbando a trave.

Nessa trajetória épica, surgiu o grito da torcida “Eu acredito”. Mas na atual Libertadores não há torcida nos estádios. E os atleticanos esperam que a caminhada não dependa tanto de heróis isolados. Novamente com a melhor campanha da competição, o elenco tem jogadores capazes de compor um conjunto mais afinado, como costuma ser o do River Plate, por exemplo. E conta com mais opções de banco do que em 2013, sobretudo do meio-campo para a frente.

Não tenham dúvidas de que a turma do Boca também se preocupa com a equipe mineira. Sabe do que é capaz o compatriota Nacho Fernández, até outro dia destaque do River. E o também internacional Hulk. O Atlético continua entre os favoritos ao título, mesmo porque decidirá seus confrontos em casa até a eventual semifinal.

Mas convém não apostar apenas na mística do “Eu acredito” e no revezamento de heróis. Esse grupo nas mãos de Cuca, entrosado e com repertório de jogadas, é capaz de compensar qualquer caminhada espinhosa até o ato final no gramado uruguaio do Centenário.

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