Em 4 horas de jogo, Djokovic faz história, vence Tsitsipas e conquista o bi em Roland Garros

Mesmo após Tsitsipas 2 sets a 0, Djokovic ressurgiu das cinzas, elevou o nível de seu jogo e conseguiu a virada no placar de forma espetacular

Thiago Chaguri
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução/Twitter Roland Garros

O número 1 do mundo Novak Djokovic venceu Stefanos Tsitsipas, 5 do ranking, neste domingo (13) e conquistou seu bicampeonato de Roland Garros. Em 4h11 de jogo, o sérvio saiu atrás do placar em 2 sets a 0, mas recuperou-se, impôs seu ritmo para virar a partida em 3 sets a 2 (6/7 (6-8), 2/6, 6/3, 6/2 e 6/4) e levantar seu 19º troféu de Grand Slam. No momento, Djokovic encostou em Roger Federer e Rafael Nadal, ambos recordistas com 20 títulos de Majors.

Nole fez sua 29ª final de Grand Slam. Soma, agora, duas conquistas em Roland Garros (2016 e 2021), nove no Australian Open (2008, 2011, 2013, 2013, 2015, 2016, 2019, 2020 e 2021), cinco em Wimbledon (2011, 2014, 2015, 2018 e 2019) e três pelo US Open (2011, 2015 e 2018).

O sérvio atingiu uma marca histórica e inédita ao faturar esta edição de Roland Garros. Tornou-se o primeiro tenista masculino na Era Aberta (desde 1968) a ter ao menos dois títulos em cada um dos quatro Grand Slams. Além deste feito, é o único a ter chegado a, no mínimo, seis finais de cada Major.

DJOKOVIC AMPLIA VANTAGEM NO RETROSPECTO CONTRA TSITSIPAS

Curiosamente, nos três primeiros duelos, quem possuía vantagem era o grego. Tsitsipas venceu o primeiro e o terceiro jogos. No Masters 1000 do Canadá, surpreendeu e eliminou Djokovic nas oitavas-de-final por 6/3, 6/7 (5) e 6/3. Em Shangai, (China) também por outro Masters 1000, novamente 2 sets a 1 para Tsitsipas (3/6, 7/5 e 6/3). Entretanto, a vantagem parou por aí. Djokovic logo tomou a frente do confronto geral.

Os finalistas se enfrentaram oito vezes na carreira e três destes duelos foram por finais. Todas vencidas por Djokovic. Além deste jogo de hoje em Roland Garros, o sérvio venceu a final do Masters 1000 de Madrid, em 2019, e do ATP 500 de Dubai, 2020, ambos pelo placar de 6/3 e 6/4.

Pelo Major francês, este foi o segundo confronto. Em 2020 ambos realizaram a semifinal e Djokovic levou a melhor num jogo semelhante ao de hoje. Naquela oportunidade, quem abriu 2 sets a 0 foi o sérvio e quem se recuperou foi Tsitsipas. No entanto, o desfecho foi diferente. O grego empatou a partida e pressionou o adversário. Porém, Djokovic não se abalou com a reação de Tsitsipas e, com toda sua experiência e seu excelente tênis, atropelou em 6/1 e avançou para a final. 3 sets a 2, com parciais de 6/3, 6/2, 5/7, 4/6 e 6/1.

Neste ano de 2021, o sérvio eliminou Tsitsipas no Masters 1000 de Roma nas quartas-de-final por 2 sets a 1 (4/6, 7/5 e 7/5).

O JOGO

1º SET

Tsitispas começou o jogo com dupla falta em seu serviço. Poderia ser um indício de nervosismo, porém o grego demonstrou estar confiante. Em um duro game com duração de oito minutos, chegou a ter break point contra, mas conseguiu salvar. Em uma sequência impressionante, não somente salvou a desvantagem, como confirmou seu serviço com incríveis três aces consecutivos. Forçando muito bem o saque, o grego novamente fechou com um ace o terceiro game. Djokovic também esteve bem e tomava conta dos pontos em seu serviço.

Após uma largadinha de Djokovic, Tsitsipas conseguiu chegar na bola e deixou rente à rede adversária. Djokovic se esforçou ao máximo, porém não conseguiu colocar a bola em jogo. O sérvio prendeu o pé na quadra e foi ao chão. Não houve qualquer indício de lesão e Djokovic levantou normalmente. Um belo ponto para dar moral à Tsitsipas, que estava firme no jogo.

Tsitsipas teve um set point à favor, porém Djokovic, após um longo rali, quebrou o ritmo com uma bola bem angulada, induzindo o erro do grego. Ressurgindo no set, Nole retomou o controle do game e colocou o set em igualdade, 5/5.

Ambos confirmaram os serviços até então. Com paciência, trabalhando bem no game, Djokovic quebrou o saque do adversário. Pela primeira vez, tomou a liderança no jogo. Entretanto, desperdiçou seu serviço. Tsitsipas se reergueu e devolveu a quebra, levando o set ao tie-break.

No 4-0 para Tsitsipas, Djokovic foi à rede e acertou um lindo voleio, que levou o adversário ao chão ao ter sido surpreendido em seu contrapé. Neste momento, Tsitsipas estava absoluto no tie-break. O grego construiu a vantagem com paciência e consistência nas trocas de golpes. Contudo, Djokovic reagiu e, degrau por degrau, empatou em 6-6. Tsitsipas não sentiu a pressão da reação adversária e conseguiu fechar o set, com parcial de 7/6 (8-6 no tie-break) em 1h09 de set.

2º SET

A segunda parcial iniciou como no término da primeira. Tsitsipas muito bem e o sérvio cometendo um erro não forçado, tendo o serviço quebrado logo no primeiro game. O grego se sentia cada vez mais confortável no decorrer do set, enquanto Djokovic parecia perdido em quadra, acuado e sem respostas. Tsitsipas confirmava rapidamente seus serviços. Dominante e errando muito pouco, foi avassalador. Com um ace, fechou o set com surpreendente facilidade por 6/2 em rápidos 35 minutos. Chamou a atenção a ótima consistência do grego. Ao passo que Djokovic cometeu dez erros não forçados, o grego errou somente duas vezes e distribuiu nove winners, demonstrando enorme superioridade no set.

3º SET

Inicialmente, ambos confirmaram seus serviços. Djokovic voltou bem melhor que a parcial anterior, onde teve uma atuação muito abaixo do normal. Tsitsipas não baixou a intensidade, pelo contrário, manteve o grande nível. Méritos para Djokovic, que voltou a entrar no jogo. Após seis igualdades no game e cinco oportunidades de break point, o sérvio conseguiu quebrar o serviço e faturou o game após 11 minutos de batalha para abrir 3/1. O sérvio cresceu no jogo.

Confirmou o serviço posteriormente por duas vezes e abriu 5/2 no set. Conhecido por sua força mental, impôs seu ritmo e minimizou bastante os erros não forçados. Foram apenas quatro, contra 11 pontos dados “de graça” por Tsitsipas. Apesar de não conquistar nenhum ace, trabalhou muito bem taticamente em seu serviço. Não deu sequer uma oportunidade de break point para o grego durante o set. 6/3 para Djokovic em 53 minutos.

4º SET

Djokovic começou mostrando sua força e quebrou o serviço de Tsitsipas. No 40-30 para Nole, Tsitsipas se descontrolou. Após um erro não forçado, onde mandou a bola longe, bateu com a raquete no chão, demonstrando sua irritação. O grego até recuperou-se e o game ficou longo, com alternância em sua liderança. Mas Djokovic, com uma surpreendente largadinha do fundo de sua quadra, jogou próxima à rede adversária, sem chances de defesa e novamente quebrou o saque de Tsitsipas. 3/0.

Tsitsipas estava visivelmente irritado durante o set. Reclamava muito consigo mesmo, não encontrava maneiras de igualar o jogo. Por outro lado, o sérvio, focado, não dava chances para o azar. Desta vez quem dominou e apresentou consistência foi Djokovic. Disparou bolas vencedoras (winners), aplicando 14 durante o set. Impressionou também como a costumeira força mental do multicampeão afetou o jogo de Tsitsipas. Djokovic saiu de uma situação de 2 sets a 0 contra e se reergueu. Em apenas 36 minutos, passou por cima do grego e aplicou 6/2, empatando a partida.

5º SET

No primeiro game, parecia que Tsitsipas sentiria o baque do empate. Em seu serviço, viu o sérvio abrir 0-30. No entanto, reuniu forças, se arriscou e virou o game, fazendo 1/0. Nole rapidamente confirmou seu serviço e empatou.

Djokovic mostrou todo seu preparo físico e categoria ao conseguir chegar em uma largadinha feita por Tsitsipas. Muito rente à rede, o sérvio ainda buscou, soltou um voleio curto sem chances para o grego, arrancando um belo e importante ponto. Após um erro não forçado do adversário, Djokovic quebrou o serviço e passou a frente. Posteriormente, confirmou seu saque e abriu 3/1.

No sétimo game, Tsitsipas começou a demonstrar insegurança. Primeiramente, tentou um “golpe de vista” pensando que a bola de Djokovic iria para fora. Entretanto, a bola bateu na linha e o grego, que praticamente havia desistido do ponto, tentou se recuperar, mas jogou na rede. No ponto seguinte, cometeu dupla falta no saque. Agora, um erro não forçado. 15-40 contra. Game dramático que poderia selar o destino do jogo, pois Nole teria 5/2 à favor e teria a oportunidade de sacar para o título. Porém, incrivelmente o grego se reestruturou. Melhorando no game, contou também com erros de Djokovic e diminuiu a diferença, 4/3 para o sérvio.

Em um impressionante ponto, Djokovic soltou num drop shot, Tsitsipas chegou e jogou no fundo de quadra. Nole conseguiu se defender, passou a bola para outro lado, desequilibrando o grego e deixando a quadra aberta para posteriormente confirmar seu ponto. Neste game, Djokovic passou “limpo”. Não cedeu nenhum ponto para o adversário e abriu 5/3.

Tsitsipas ainda confirmou seu serviço. No entanto, do outro lado da rede estava um dos maiores tenistas de todos os tempos. Recuperando-se de forma incrível, Djokovic provou mais uma vez porque merece ser colocado entre os grandes. Em um smash próximo à rede, deu números finais ao game, ao set (em 55 minutos) e a partida, conquistando seu segundo título em Roland Garros por 3 sets a 2, de virada. Parciais de 6/7 (6-8), 2/6, 6/3, 6/2 e 6/4 em 4h11 de jogo.

Confira aqui as estatísticas do jogo.

CAMPANHA

1ª Rodada: Novak Djokovic (1) 3 x 0 Tennys Sandgren – (6-2, 6-4 e 6-2) em 1h58

2ª Rodada: Novak Djokovic (1) 3 x 0 Pablo Cuevas 0 – (6-3, 6-2 e 6-4) em 2h06

3ª Rodada: Novak Djokovic (1) 3 x 0 Ricardo Berankis – (6-1, 6-4 e 6-1) em 1h32

Oitavas-de-final: Lorenzo Musetti se retirou por lesão no 5º set. O placar estava 6/7, 6/7, 6/1, 6/0 e 4/0, em 3h27

Quartas-de-final: Novak Djokovic (1) 3 x 1 Matteo Berretini (9) – (6-3, 6-2, 6-7 e 7-5) em 3h28

Semifinal: Novak Djokovic (1) 3 x 1 Rafael Nadal (3) – (3-6, 6-3, 7-6 e 6-2) em 4h11

Final: Novak Djokovic (1) 3 x 2 Stefanos Tsitsipas – (6/7 (6-8), 2/6, 6/3, 6/2 e 6/4) em 4h11

 

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