Guilherme Paraense, o primeiro brasileiro medalhista de ouro olímpico

Guilherme Paraense integrou a primeira delegação brasileira a participar de uma edição de Jogos Olímpicos e faturou o ouro e bronze na Antuérpia, em 1920

Thiago Chaguri
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução/Youtube - Rede do Esporte

Atleta da modalidade do tiro esportivo, Guilherme Paraense foi o primeiro brasileiro a tornar-se campeão olímpico. E foi logo em sua primeira – e única – participação. A edição da Antuérpia 1920, na Bélgica, foi o palco da façanha. Guilherme fez parte da primeira delegação do país a participar dos Jogos Olímpicos, juntamente de mais 20 atletas.

Paraense fez carreira militar

Nascido em Belém do Pará, Guilherme Paraense mudou-se para o Rio de Janeiro aos cinco anos de idade. E logo foi inscrito em uma Escola Militar de Realengo. Seguiu carreira pela Escola Militar da Praia Vermelha. Em 1914, fundou o Revolver Clube na capital carioca juntamente de outros atiradores. Paraense já possuía títulos a nível nacional. Foi atleta do Fluminense e do São Cristóvão. Campeão brasileiro em 1913, 1914, 1915, 1918, 1922 e 1927, faturou também o Sul-Americano de 1922. Devido aos expressivos resultados, foi convidado para compor a primeira equipe brasileira de tiro.

Precariedade na viagem de ida

Durante a longa viagem de 28 dias até Antuérpia, enfrentou condições precárias no navio de embarque cedido pelo governo federal, o navio Curvello. Lá, juntamente dos outros atletas brasileiros integrantes da delegação dos Jogos Olímpicos, dormiam no chão perto de um bar e em camarotes sem janelas para ventilação.

Avisados que não chegariam a tempo da disputa do evento, pararam em Lisboa e de lá seguiram em um trem para a Bélgica. Novamente encararam condições adversas, pois o trem era descoberto. Ou seja, a última parte da viagem foi debaixo de sol e chuva.

Como se não bastasse todos estes percalços, a equipe brasileira de tiro ainda teve seus equipamentos roubados em Bruxelas, capital belga. Afrânio da Costa resolveu a situação. Foi até o acampamento da delegação dos Estados Unidos, já na Antuérpia, e avistou atletas jogando xadrez. Afrânio cantou jogadas e ajudou o chefe da delegação a vencer a partida. Curioso, o americano quis saber mais sobre o brasileiro, que relatou sobre o roubo. Sensibilizado, o chefe da delegação dos Estados Unidos conversou com os atletas e emprestaram 2.000 cartuchos e duas pistolas Colt para o time brasileiro. Na época, as munições eram reais. Hoje em dia são feitas com ar comprimido de 4,5mm.

Dos percalços ao triunfo

O dia 03 de agosto de 1920 entrou definitivamente para a história do esporte brasileiro. Apesar de todas as dificuldades logísticas, de acomodações, roubo e condições mínimas de treino, Paraense acertou um tiro perfeito no centro do alvo em sua última tentativa. O brasileiro somou 274 pontos em 300 possíveis. Assim, venceu a prova da modalidade pistola rápida 25 metros e conquistou a primeira medalha de ouro do Brasil em Jogos Olímpicos.

 

O atleta ainda levou um bronze junto de Afrânio da Costa (este medalhista de prata na modalidade individual pistola rápida 50 metros), Dario Barbosa, Fernando Soledade e Sebastião Wolf na modalidade pistola livre por equipes.

As provas do tiro esportivo foram disputadas em um campo aberto do exército belga vizinho a cidade de Waterloo, conhecida por abrigar a batalha entre o exército do Primeiro Império Francês, comandado por Napoleão Bonaparte, contra a Sétima Coligação, exército que incluía as forças britânicas, russas, austríacas e prussianas. Waterloo marcou o fim do conflito de “Cem Dias” com a derrota do imperador Napoleão.

Recepção de ouro no retorno

Ao desembarcar no Brasil após o término dos Jogos Olímpicos da Antuérpia, foi recebido com honras. Epitácio Pessoa, o então presidente do Brasil, o homenageou com uma placa comemorativa de ouro como forma de parabeniza-lo pela conquista da medalha dourada.

Homenagens póstumas

Após aposentar-se das competições, em 1927, participou da Revolução de 1930 e foi promovido a Tenente-Coronel em 1941. Logo em seguida, transferiu-se para a reserva e fixou residência no Rio de Janeiro.

O ex-atleta e militar morreu no dia 18 de abril de 1968 aos 83 anos, vítima de infarto. Em uma homenagem póstuma, no dia 05 de maio de 1989, o Exército brasileiro batizou o conjunto de estandes de tiro da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ) de Polígono de Tiro Tenente Guilherme Paraense.

No Brasil, em 1992, foram feitos selos com sua imagem para celebrar os Jogos Olímpicos de Barcelona.

Sua cidade natal, Belém do Pará, inaugurou no dia 21 de outubro de 2016 uma das arenas mais modernas do país em sua referência. A Arena Guilherme Paraense, conhecida pela população como “Mangueirinho”, tem capacidade para mais de 11 mil espectadores. Multiuso, abriga de esportes a shows e eventos diversos.

 

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