Holanda é mais eficiente do que brilhante em vitória sobre uma Áustria bem pouco inspirada

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como a Laranja Mecânica de Frank de Boer explorou as deficiências do time de Franco Foda

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / UEFA EURO 2020

A Holanda é mais uma daquelas seleções de quem se espera grandes apresentações e um futebol vistoso. Exatamente como nos tempos da famosa Laranja Mecânica que encantou o mundo no início dos anos 1970. No entanto, a realidade pode ser bem diferente da teoria em algumas ocasiões. Isso porque a equipe comandada por Frank de Boer venceu uma Áustria desorganizada e descoordenada por 2 a 0 sem muito brilho nesta quinta-feira (17), na Johan Cruijff Arena, em Amsterdã. O jogo em si foi bastante sem graça, de poucas oportunidades e de muita briga no meio-campo com as duas equipes congestionando o meio-campo e apelando para ligações diretas durante a maior parte dos noventa e poucos minutos. Acabou que a Holanda não precisou se esforçar muito para superar a equipe de Franco Foda e garantir a classificação para as oitavas de final da Eurocopa de maneira antecipada.

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A equipe comandada por Frank de Boer entrou em campo mantendo o mesmo estilo da vitória sobre a Ucrânia na primeira rodada da fase de grupos. Embora a Laranja Mecânica tenha levado vantagem na grande maioria dos duelos no meio-campo, o que se via na Johan Cruijff Arena era um jogo amarrado demais, muitas bolas longas para a correria dos atacantes e muito pouca criatividade. O gol de Memphis Depay (marcado aos 10 minutos de jogo depois do VAR confirmar pênalti de Alaba em Dumfries) deixou a Holanda muito mais à vontade para impor seu estilo de jogo contra uma Áustria que sofria para fechar espaços dentro do 3-1-4-2 de Franco Foda. A presença do experiente Alaba entre os zagueiros também ajudava pouco o escrete austríaco. O time comandado por Frank de Boer tinha o controle da partida e levava muito perigo com as bolas lançadas para Depay, Wijnaldum, Dumfries, Van Aanholt e Weghorst.

Mesmo sem apresentar um futebol vistoso, a Holanda de Frank de Boer explorou bem os problemas defensivos do 3-1-4-2 da Áustria. O veterano Alaba não conseguia qualificar a saída de bola e ainda se via obrigado se desdobrar para cobrir os espaços de Hinteregger e Dragovic. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

A Holanda dominava o jogo sem precisar se esforçar muito. E a vantagem obtida logo aos dez minutos de partida fez com que a equipe de Frank de Boer se desconcentrasse e perdesse (um pouco) o interesse na partida. Mesmo assim, o 3-5-2/3-4-1-2 de Frank de Boer era suficiente para mexer com a já bagunçada linha defensiva da Áustria com De Roon, Frenkie de Jong e Wijnaldum acionando os alas Dumfries e Van Aanholt e a dupla de ataque formada por Depay (que perdeu uma chance incrível aos 39 minutos do primeiro tempo) e Weghorst. Após o intervalo, a Laranja Mecânica voltou a levar perigo ao gol de Bachmann com De Vrij e De Ligt e subiu de produção com as substituições promovidas por Frank de Boer. O segundo gol holandês saiu de nova bola longa lançada às costas da defesa da Áustria. Melan recebeu lançamento de Depay na esquerda e rolou com açúcar e afeto para Dumfries completar para as redes.

A Holanda melhorou de produção depois do intervalo e chegou ao segundo gol em jogada iniciada ainda no meio-campo com Depay lançando Melan na esquerda às costas de Dragovic, Hinteregger e Alaba. O camisa 18 partiu em velocidade e serviu Dumfries que só escorou com Bachmann já batido. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

Interessante notar que a Áustria só conseguiu levar algum perigo ao gol do experiente Stekelenburg nos quinze minutos finais. E isso com Alaba (que começou o jogo como uma espécie de “líbero” entre Hinteregger e Dragovic) avançando para a intermediária para participar das jogadas de ataque. Mas nada que realmente fosse mudar o panorama da partida. A Holanda seguia muito mais perto de fazer o terceiro gol do que o escrete de Franco Foda de marcar o gol de honra. Na prática, o escrete austríaco sofria para criar espaços e também apelava para as bolas longas procurando os atacantes Onisiwo, Lazaro e Kalajdzic. Depois que Alaba quase acertou uma bola no ângulo de Stekelenburg, a Laranja mecânica se fechou num 5-2-3 em bloco mais baixo, mas que ainda era extremamente veloz nos contra-ataques. Acabou que, mesmo sem brilho e inspiração, a equipe de Frank de Boer saiu vencedora.

A Áustria só conseguiu levar perigo ao gol de Stekelenburg quando Alaba começou a se projetar mais para o ataque. Mas ainda assim, o escrete comandado por Franco Foda encontrava dificuldades enormes para vencer o 5-2-3 de Frank de Boer e fazer a bola chegar no ataque. Foto: Reprodução / SPORTV / GE

É verdade que uma das críticas mais comuns ao trabalho de Frank de Boer à frente da Laranja Mecânica é o apego a um estilo mais conservador e pragmático que privilegia as bolas longas na direção do ataque. Mas também é preciso reconhecer que a Holanda faz bem o trabalho de pressão pós-perda e que a equipe sempre chega no ataque com muita gente. É um estilo mais vertical e que traz sim elementos da Laranja Mecânica histórica dos anos 1970. A impressão que fica é a de que Frank de Boer está mais ligado no resultado do que no desempenho (ainda que os dois estejam ligados de um jeito ou de outro). Se a sua equipe fez um grande segundo tempo contra a Ucrânia, a atuação holandesa contra uma Áustria que incomodou pouco e concedeu muito acabou frustrando todos aqueles que esperam ver na Orange um futebol vistoso e alegre. Como manda a tradição e como Cruyff, Neeskens e companhia ensinaram.

Mas é preciso dizer que a primeira grande missão da Holanda foi cumprida com sucesso. A Laranja Mecânica está garantida nas oitavas de final junto com Itália e Bélgica e tem sim plenas condições de entregar mais. Falta aquela atuação mais consistente para ganhar confiança e emplacar de vez numa Eurocopa ainda sem aquele grande jogo cheio de emoções e alternativas que o torcedor tanto espera. Frank de Boer pode tirar muito mais desse grupo.

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