Torcedores | Notícias sobre Futebol, Games e outros esportes

Seleção Brasileira potencializa jogo coletivo em torno de Neymar e passa pelo Peru sem dificuldades

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como a equipe de Tite construiu a vitória na reedição da final da última Copa América

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Figueiredo / CBF

Este que escreve quer evitar (pelo menos por enquanto) o discurso de que a Seleção Brasileira não tem mais adversários na América do Sul. O futebol é dinâmico e muita coisa pode mudar em alguns dias. Por outro lado, não há como ignorar a grande atuação coletiva da equipe comandada por Tite na vitória fácil sobre o Peru por 4 a 0 nesta quinta-feira (17), no Estádio Nilton Santos, na reedição da final da última Copa América (também disputada aqui no Brasil). Vale destacar também a maneira como Neymar vem se encaixando no esquema tático do escrete canarinho. O camisa 10 parece muito mais à vontade jogando por dentro e circulando por todo o ataque sem muitas responsabilidades defensivas. Aos poucos, Tite vem conseguindo fazer com que a Seleção Brasileira deixasse de ser dependente de Neymar e passasse a tratá-lo como a grande referência técnica de uma equipe muito forte.

Mas é preciso dizer que o primeiro tempo do escrete canarinho não foi bom. Armado no 4-4-2/4-2-4 utilizado na vitória sobre o Paraguai, a equipe demorou para impor seu ritmo de jogo e parecia até um tanto desinteressada da partida num primeiro momento. O gol de Alex Sandro (marcado aos 11 minutos) dava a impressão de que a Seleção Brasileira fosse deslanchar de vez logo na primeira etapa, mas o que se via era um time sem intensidade nas transições da defesa para o ataque e que marcava em bloco mais baixo do que o normal (sem aquela pressão na saída de bola que eu e você nos acostumamos a ver). Além disso, as péssimas condições do gramado do Engenhão também prejudicavam muito o jogo do escrete canarinho. O Peru, por sua vez, se fechava na frente da área do goleiro Gallese e tentava chegar ao ataque com bolas longas para Cueva, Carillo e Lapadula, mas sem muito sucesso.

As melhores notícias de esportes, direto para você

 

Brasil vs Peru - Football tactics and formations

Tite armou a Seleção Brasileira no mesmo 4-4-2/4-2-4 da vitória sobre o Paraguai, mas viu sua equipe jogar sem muita intensidade (e também sem muito interesse) no primeiro tempo. O Peru apenas se limitava a fechar os espaços na frente da sua área e fazer ligações diretas para o ataque.

Com o ritmo de jogo mais lento no primeiro tempo, Neymar tinha que recuar até o meio-campo para organizar as jogadas e se distanciava da área adversária (que é o espaço onde ele pode ser muito mais perigoso). Mas ele não era o único que sofria com essa postura mais “preguiçosa” do escrete canarinho no primeiro tempo contra o Peru. Completamente isolado no terço final, Gabigol também fazia partida abaixo do que se espera por simplesmente não ter companhia no comando de ataque (que é como ele mais rende). Mais atrás, Fred e Fabinho tentavam distribuir o jogo no meio-campo, mas também acabavam prejudicados por conta do gramado (assim como toda a equipe brasileira) e por causa da falta de intensidade nas transições. Todos esses problemas só seriam corrigidos depois do intervalo, quando Tite faria a substituição que faria com que o escrete canarinho finalmente decolasse na partida.

As entradas de Everton Ribeiro e Richarlison nos lugares de Gabigol e Everton Cebolinha deram mais mobilidade ao setor ofensivo da Seleção Brasileira e potencializou o futebol de Neymar. Sem obrigações defensivas, o camisa 10 se transformou na referência técnica de um time que voltou a ter intensidade e que aproveitou muito bem os espaços que apareciam na frente da área do goleiro Gallese. Um dos mais criticados (injustamente) pela torcida, Fred achou Neymar no meio da defesa peruana no lance que originou o segundo gol da Seleção Brasileira. Com amplo domínio territorial e com o time de Ricardo Gareca já cansado, o Brasil aumentou com Everton Ribeiro (aos 43) e Richarlison (aos 46 minutos). Neymar, por sua vez, teve participação direta em todos os gols brasileiros e via o jogo coletivo da equipe comandada por Tite ser construído ao seu redor. Exatamente como deve ser feito.

Peru vs Brasil - Football tactics and formations

Everton Ribeiro e Richarlison melhoraram muito a produção ofensiva da Seleção Brasileira e potencializaram o futebol de Neymar, a grande referência técnica da equipe. O camisa 10 participou do todos os gols da vitória tranquila sobre o Peru e deu ainda mais opções táticas para Tite.

Com a semana livre para treinos, a tendência é que vejamos mais experiências na Seleção Brasileira. Vale destacar aqui que Gabriel Jesus (embora não balance as redes há algum tempo) vem sendo incrivelmente útil no balanço defensivo e na armação das jogadas a partir do lado do campo. Ao mesmo tempo, Everton Ribeiro entrou bem na partida e mostrou a sua capacidade ímpar de ler espaços na defesa adversária. Fabinho, por sua vez, deve ter sido o jogador que melhor aproveitou a chance recebida por Tite, colocando muita qualidade no passe e marcando com muita eficiência. Richarlison é outro que sempre agrega e Éder Militão já precisa ser observado com mais atenção na zaga do escrete canarinho. Fred é outro que cresceu na partida com as mexidas feitas por Tite dentro de uma estratégia que visa potencializar o futebol de Neymar, o principal nome de uma fortíssima Seleção Brasileira.

Assim como foi colocado no início dessa humilde análise, este que escreve não vai compartilhar o discurso de ampla superioridade do escrete canarinho no continente sul-americano. A tendência é que, a partir da próxima semana, o nível de exigência da equipe aumente bastante com os jogos contra Colômbia e Equador e a fase de mata-mata da Copa América. Mesmo assim, Tite tem plena razão quando fala que gostaria que a Seleção Brasileira enfrentasse equipes da Europa. O nível de maturidade do time já está bem alto.

CONFIRA OUTRAS ANÁLISES DA COLUNA PAPO TÁTICO:

Holanda é mais eficiente do que brilhante em vitória sobre uma Áustria bem pouco inspirada

Experiência, entrosamento e futebol ofensivo: o que esperar da Seleção Olímpica nos Jogos de Tóquio

SIGA LUIZ FERREIRA NO TWITTER