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Consistência, intensidade e organização: Náutico mostra que não é líder da Série B por acaso

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como o time comandado por Hélio dos Anjos venceu o Botafogo no Estádio dos Aflitos

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Tiago Caldas / Clube Náutico Capibaribe

Cinco vitórias em cinco rodadas. Dez gols marcados, apenas dois sofridos e um futebol eficiente e de grande qualidade. Por mais que o Botafogo esteja reclamando da arbitragem de Wanderson Alves de Souza (com uma certa razão até certo ponto), é preciso dizer que o Náutico mereceu (e muito) vencera partida deste domingo (20), no Estádio dos Aflitos, e mostrou que não é líder do Brasileirão da Série B por acaso. Isso porque o técnico Hélio dos Anjos vem conseguindo o máximo de cada atleta no seu 4-2-3-1 bem organizado e muito intenso nas transições ofensivas e defensivas. O Timbu pode não apresentar um futebol brilhante, é verdade. Mas os números não mentem (ver no tweet ao final dessa análise). A defesa tem muita consistência, o meio-campo é criativo e o ataque abusa da movimentação no terço final. Repetimos: o Náutico não está aonde está por mera obra do destino. Há uma ideia bem clara de jogo.

É preciso dizer que a primeiro tempo da partida nos Aflitos foi marcado pelo equilíbrio. Enquanto o Timbu valorizava a posse de bola e tentava chegar no ataque com passes pelo chão e explorando a profundidade gerada pela velocidade de Vinicius e (principalmente) Erick Arruda, o Botafogo apostava na intensidade do 4-2-3-1/4-1-4-1 de Marcelo Chamusca nos contra-ataques. Mesmo com apenas 41% de posse nos primeiros 45 minutos, o Glorioso finalizou mais vezes na direção do gol e deu trabalho para Alex Alves. O gol contra de Pedro Castro (marcado após escanteio mal assinalado pela arbitragem) acabou obrigou o Botafogo a adiantar as suas linhas e buscar mais o campo de ataque. No entanto, o time de General Severiano sentia a falta da velocidade de Ronald pelos lados do campo. Mesmo assim, Chay e Rafael Navarro criaram boas chances de empatar a partida antes do intervalo.

Botafogo vs Nautico - Football tactics and formations

Hélio dos Anjos manteve seu 4-2-3-1 costumeiro no Náutico e explorou bem a velocidade de Erick Arruda em cima de Paulo Victor no lado direito de ataque do Timbu. O Botafogo até que jogava bem e criava boas oportunidades, mas acabou sofrendo o gol em bobeira da defesa na bola parada.

O Botafogo voltou do intervalo com ainda mais intensidade com a entrada de Diego Gonçalves no lugar de Chay e com Pedro Castro jogando quase como um “camisa 10” de ofício logo atrás de Rafael Navarro. O problema é que o time de Marcelo Chamusca não conseguia transformar todo esse volume de jogo nos gols que tanto precisava. Ainda mais quando o já citado camisa 33 desperdiçou duas chances claríssimas na frente de Alex Alves e Marco Antônio seguia destoando do restante do setor ofensivo alvinegro. Do outro lado, o Náutico mantinha seu estilo de jogo e a estratégia de Hélio dos Anjos: muita intensidade, valorização da posse da bola, saída mais por baixo (mas sem abrir mão das ligações diretas quando a situação exigia) e aproximação entre os setores. Kieza desperdiçou um pênalti que nasceu de uma das várias jogadas de ultrapassagem de Erick Arruda às costas do lateral Paulo Victor.

Jean Carlos atrai a marcação do Botafogo e solta a bola para Erick Arruda avançar pela direita às costas de Paulo Victor. O camisa 33 do Náutico foi uma das principais armas ofensivas de um Náutico muito bem organizado e bem distribuído no campo de ataque. Foto: Reprodução / TV Globo / GE

Marcelo Chamusca melhorou a produção ofensiva do Botafogo com as entradas de Felipe Ferreira (autor do gol de empate do Glorioso) e Rafael Moura nos lugares de Marco Antônio e Pedro Castro. Mas o Náutico não perdeu a consistência e seguiu com o planejamento de Hélio dos Anjos. Paulo Victor cometeu nova penalidade em cima de Diogo Hereda (em mais uma jogada de ultrapassagem pelo lado direito de ataque do Timbu) e Jean Carlos marcou o segundo da equipe pernambucana. E isso num momento em que o Glorioso se lançava ao ataque numa espécie de 4-2-4 que abusava das bolas levantadas na área buscando Rafael Moura e Rafael Navarro, mas sem a intensidade necessária para furar o eficiente bloqueio defensivo do seu adversário. Guillermo Paiva ainda faria o terceiro do Náutico após assistência de Alex Alves ver o atacante paraguaio se lançando às costas de Kanu e Gilvan. Vitória merecida e bem construída.

Nautico vs Botafogo - Football tactics and formations

O Botafogo melhorou seu desempenho com as entradas de Diego Gonçalves, Felipe Ferreira e Rafael Moura e equilibrou as ações contra o Náutico. No entanto, o Timbu recuperou a consistência com as mexidas de Hélio dos Anjos e explorando bem o lado esquerdo da defesa alvinegra.

É verdade que Marcelo Chamusca e companhia podem reclamar das decisões do árbitro Wanderson Alves de Souza. Mas deve lamentar as chances desperdiçadas e a falta de concentração do seu sistema defensivo contra um adversário extremamente ligado e intenso. É preciso deixar claro mais de uma vez que o Náutico não venceu a partida deste domingo (20) e nem se isolou ainda mais na liderança do Campeonato Brasileiro da Série B por acaso. O Timbu tem os melhores números da competição e sabe jogar de várias maneiras diferentes. Sempre se adaptando a cada situação que o jogo exige. A atuação de Jean Carlos, Kieza, Camutaga, Rhaldney e companhia nessa vitória sobre o Botafogo é emblemática. A equipe pernambucana soube ocupar bem o campo de ataque e baixar as linhas quando foi necessário. E tudo isso sem perder consistência e mantendo um estilo bem claro de jogar o velho e rude esporte bretão.

O Náutico não conquistou cinco vitórias nas primeiras rodadas do Brasileirão da Série B por acaso. Como dissemos, há uma ideia de jogo bem clara sendo muito bem executada dentro de campo. No entanto, apesar da ótima campanha até o momento, o escrete de Hélio dos Anjos precisa ter em mente que manter esse nível de qualidade num torneio tão longo será a grande missão do Timbu na sequência dessa temporada. Não se trata apenas de chegar no topo. É preciso ter força e perseverança para se manter por lá.

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