Escolha do novo treinador é o menor dos problemas do Botafogo; confira a análise

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a derrota para o Brusque e as ideias de Ricardo Resende na partida deste sábado (17)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Gabriel Cardoso / Brusque Futebol Clube

A atuação do Botafogo no primeiro jogo após a demissão de Marcelo Chamusca diz muito sobre o momento da equipe na temporada. Ao contrário do que muitos pensavam, os problemas do escrete de General Severiano são muito mais profundos e necessitam de muito mais atenção do que a escolha do treinador certo para encarar uma Série B complicada e altamente equilibrada. E a virada sofrida na derrota para o Brusque neste sábado (17) escancarou vários dos equívocos da diretoria alvinegra no planejamento para esse que já é um dos períodos mais complicados da história do Glorioso. Ainda que Ricardo Resende (treinador da equipe sub-20) tenha mostrado confiança e mantido parte das ideias de Chamusca contra o Quadricolor, o que se viu (na prática) foi um Botafogo que jogou um futebol razoável no primeiro tempo e que caiu muito de produção nos 45 minutos finais e foi merecidamente superado.

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Isso porque falta qualidade no elenco do Glorioso. Por mais que a equipe de Ricardo Resende tenha começado bem a partida no Estádio Augusto Bauer com a equipe organizada no 4-2-3-1 bem conhecido do elenco, as falhas no posicionamento e nas tomadas de decisão começaram a aparecer aos poucos. Chay (mais uma vez) era a principal válvula de escape de um Botafogo que vinha ocupando bem os espaços e que buscava aproveitar a desorganização de um Brusque que vinha de três derrotas seguidas. O gol de Diego Gonçalves (marcado aos 28 minutos) deixava a (falsa) impressão que a mudança no comando técnico seria suficiente para deixar os jogadores mais leves e para que a equipe retomasse o caminho das vitórias. A equipe alvinegra continuava com problemas crônicos no posicionamento e na postura sem objetividade com a posse da bola. E isso sem falar nas chances perdidas no final da primeira etapa.

Ricardo Resende manteve o 4-2-3-1 básico utilizado por Marcelo Chamusca no Botafogo e viu sua equipe abrir o placar com Diego Gonçalves aos 28 minutos. Ele, Chay e Marco Antônio saíam em velocidade e procuravam Rafael Navarro quando a equipe retomava a posse da bola. Foto: Reprodução / Premiere / GE

É verdade que essa foi a primeira partida de Ricardo Resende à frente do Botafogo (ainda que de maneira interina). Mas é plenamente possível questionar algumas das suas escolhas na partida deste sábado (17). Difícil entender a entrada do volante Rickson no lugar de Marco Antônio logo depois do intervalo sabendo que o Brusque iria se lançar ao ataque na segunda etapa. O Glorioso (que já vinha errando no posicionamento defensivo) perdeu velocidade nas transições e nos contra-ataques e deu muito campo para seu adversário atacar e trabalhar as jogadas jogando num 4-1-4-1 que não encaixou. Do outro lado, Jerson Testoni colocava o Quadricolor no ataque. Tanto que o posicionamento defensivo do Botafogo (com Barreto jogando quase como um quinto defensor) mostra muito bem como o Brusque tinha espaço para criar e aproveitar a falta de atenção do escrete de General Severiano na marcação.

As mudanças promovidas por Ricardo Resende acabaram com a velocidade do Botafogo nas transições para o ataque. Barreto jogava como uma espécie de quinto defensor e o meio-campo ainda concedeu espaço demais para Edu e Thiago Alagoano no lance do gol de empate do Brusque. Foto: Reprodução / Premiere / GE

O próprio Ricardo Resende já havia percebido seu erro momentos antes do gol de Thiago Alagoano com as entradas de Rafael Moura e Warley. Tanto que tentou devolver um pouco de fluidez ao seu Botafogo com a entrada do jovem (e habilidoso) Ênio no lugar de Pedro Castro. Só que essa última substituição abriu ainda mais o meio-campo e isolou o quarteto ofensivo do restante da equipe. Fora isso, todos os jogadores do Brusque tinham liberdade demais para ocupar o campo de ataque e trabalharem as jogadas sem sofrerem um mínimo de pressão por parte dos defensores alvinegros. Vale lembrar também que o Botafogo não contava com nenhum jogador para cadenciar o jogo e fazer a ligação entre os setores. O Brusque, por sua vez, fechava as linhas de passe de modo a obrigar os zagueiros Kanu e Lucas Mezenga a lançar bolas para a frente. Numa dessas, o Quadricolor recuperou a posse, trabalhou a jogada com rapidez e fez o gol da virada com Edu.

O Brusque cresceu de produção a partir das substituições realizadas por Jerson Testoni e diante da marcação frouxa do Botafogo. O escrete de Ricardo Resende pressionava pouco o portador da bola e ainda abria buracos enormes entre seus setores. Resultado justo no Augusto Bauer. Foto: Reprodução / Premiere / GE

Este que escreve não está diminuindo a importância e da urgência da escolha do novo comandante do Botafogo. Há sim a clara necessidade de se definir o treinador para a sequência da temporada. Por outro lado, a derrota para o Brusque mostrou muito bem como o elenco foi muito mal montado para a atual temporada. Erros bobos no posicionamento, péssimas tomadas de decisão e até mesmo problemas em fundamentos básicos do futebol são alguns dos problemas encontrados em vários jogadores botafoguenses. Os que tinham um pouco de qualidade foram negociados com o claro objetivo de se reforçar o combalido caixa do clube de General Severiano. Seja quem for, o próximo técnico do Botafogo terá uma missão hercúlea para levantar o moral de um grupo muito mal montado e muito mal gerido pela diretoria. E isso com jovens promissores à disposição nas categorias de base e que são muito pouco aproveitados.

Em doze rodadas no Brasileirão da Série B, o Botafogo está na 13ª posição com treze pontos. São dezesseis gols marcados e outros dezesseis sofridos. Marcas bem abaixo da expectativa criada em torno do clube no início da competição. Mesmo assim, ainda há tempo para uma recuperação que vai se tornando mais difícil conforme o tempo vai passando. Mas não se enganem. O problema do Glorioso é muito mais profundo do que a simples escolha do seu novo treinador. Na prática, o clube vai pagando o preço pelas escolhas ruins dos seus dirigentes.

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