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Grêmio baixa o bloco e emula o “modo Felipão” em vitória importantíssima sobre a LDU de Quito

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como Luiz Felipe Scolari pensou o Tricolor Gaúcho para a partida desta terça-feira (13) pela Copa Sul-Americana

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

Marcação forte no meio-campo. Encaixes individuais. Perseguições mais longas na defesa. E muita velocidade no contra-ataque. O estilo de jogo que podemos chamar de “modo Felipão” foi a estratégia bem sucedida do Grêmio na vitória por 1 a 0 sobre a LDU na altitude de Quito nesta terça-feira (13). Além da vantagem obtida na briga por uma vaga nas quartas de final da Copa Sul-Americana, o Tricolor Gaúcho viu a sequência de resultados ruins (que já durava mais de um mês) acabar com a ótima atuação do goleiro Gabriel Chapecó (o melhor em campo na opinião deste que escreve) e a aplicação tática de jogadores como Jean Pyerre, Léo Pereira, Ricardinho, Fernando Henrique, Vanderson e outros jovens valores da base gremista. É óbvio que o Grêmio ainda precisa de muitos ajustes em todos os setores. Mas o “modo Felipão” chegou com tudo e deve ser a tônica do Tricolor Gaúcho por mais algum tempo.

A estratégia de Luiz Felipe Scolari para o embate contra a LDU de Quito era simples. Fechar a defesa com duas linhas com quatro jogadores e apostar na velocidade de Léo Pereira e Alisson pelos lados do campo procurando Diego Souza no comando de ataque e abrindo o corredor para as descidas de Vanderson e Cortez. O Grêmio marcava forte, mas tinha problemas na compactação entre essas linhas. O escrete de Pablo Marini tinha a posse da bola e conseguia arrastar a marcação de Kannemann e Ruan para abrir espaços para as chegadas dos atacantes às costas da defesa gremista. Tanto que Amarilla e Alcívar obrigaram Gabriel Chapecó a fazer duas boas defesas antes dos vinte minutos de partida. Por outro lado, a aposta no “modo Felipão” começava a dar certo. Em rápido contra-ataque pela direita, Jean Pyerre salvou cruzamento de Vanderson da direita e colocou a bola na cabeça de Léo Pereira.

Luiz Felipe Scolari manteve seu 4-2-3-1/4-4-2 costumeiro no Grêmio e apostou na velocidade dos “pontas” para contra-atacar a LDU. A equipe de Pablo Marini, por sua vez, encontrava espaços entre as linhas e conseguia arrastar os zagueiros tricolores com passes em profundidade. Foto: Reprodução / YouTube / Conmebol Sudamericana

O gol de Léo Pereira permitiu que o Grêmio se fechasse ainda mais na defesa para aguardar outro momento propício para encaixar o contra-ataque. Este que escreve entende perfeitamente que a vitória sobre a LDU foi apenas o segundo jogo de Felipão à frente do Tricolor Gaúcho. Mas é necessário entender que a equipe gaúcha parece ter perdido a identidade com tantas mudanças em tão pouco tempo. Ainda que Jean Pyerre esteja mais ligado e mais participativo, o escrete gremista precisa fazer algo a mais do que apostar na velocidade dos ponteiros e nas bolas levantadas na área. O 5-4-1 proposto por Pablo Marini na sua LDU não fechava espaços com tanta perfeição assim e concedia muito na frente da sua área. Não é por acaso que é possível ver o camisa 10 do Grêmio buscando o espaço entre as linhas enquanto os laterais abrem o campo. Faltava mais chegada dos volantes Fernando Henrique e Lucas Silva.

Jean Pyerre procura o espaço vazio entre as linhas da LDU para distribuir o jogo e organizar a equipe. O problema é que o Grêmio pouco fazia além de levantar bolas na área e apostar nos contra-ataques puxados por Alisson (depois Léo Chú) e Léo Pereira pelos lados do campo. Foto: Reprodução / YouTube / Conmebol Sudamericana

Depois de um início de segundo tempo mais equilibrado, a LDU foi tomando conta da partida na mesma medida em que o Grêmio de Luiz Felipe Scolari ia baixando o bloco de marcação até a linha da pequena área. E foi nos minutos finais e a partir das chances desperdiçadas pelo escrete equatoriano (com Ayala, Reasco e Guerra) que os problemas do “modo Felipão” puderam ser melhor observados. Não há como dizer se o posicionamento de Cortez (quase como um volante) é orientação do treinador gremista ou se é fruto de indisciplina tática. O que é certo é que Mateus Sarará teve que cobrir o espaço dele e o de Léo Chú numa das melhores chances da LDU em toda a partida. O frame abaixo mostra bem como, apesar dos ponteiros do Grêmio estarem fechando os lados do campo, os espaços nas linhas ainda existem. Principalmente quando Kannemann e outros largam sua posição para o combate na intermediária.

Cortez aparece bem à frente, Kannemann se prepara para dar o bote e Mateus Sarará precisa cobrir os dois buracos abertos pelos jogadores do Grêmio. Não se sabe se isso é orientação de Luiz Felipe Scolari, mas é mais do que certo que esse é um dos problemas mais graves da equipe gaúcha. Foto: Reprodução / YouTube / Conmebol Sudamericana

É verdade que o importante no final das contas é o resultado e o fim do jejum de vitórias na temporada. O Grêmio tem um bom elenco formado por jogadores experientes (Diego Souza, Douglas Costa, Rafinha, Geromel, Kannemann e Lucas Silva) e ótimos valores vindos da base (Vanderson, Gabriel Chapecó, Mateus Sarará, Léo Pereira, Ricardinho e muitos outros). Há muito potencial para ser trabalhado por Luiz Felipe Scolari no decorrer da temporada. Este que escreve entende muito bem que o treinador pentacampeão tem seu estilo bem definido de jogo e que a vitória sobre a LDU foi apenas a sua segunda partida nesse retorno ao clube. Mas há como se fazer esse time jogar muito mais. Mesmo com o “modo Felipão” bem característico e já conhecido por todos nós. Além de tudo isso, o time como um todo precisa de ajustes nessas perseguições mais longas para que a defesa não fique desguarnecida.

Seja como for, o triunfo sobre a LDU e a vantagem nas oitavas de final da Copa Sul-Americana é sim um alento. O Grêmio ainda busca uma “cara”, um estilo de jogo mais definido e Luiz Felipe Scolari deve fazer mais mudanças até chegar ao onze ideal e a melhor formação para encaixar os talentos que tem à sua disposição. O Tricolor Gaúcho tem bola para chegar muito mais longe. E se não é solução, o “modo Felipão” é, sem dúvida, o meio mais seguro para dar segurança e consistência à equipe gaúcha. Pelo menos num primeiro momento.

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