Torcedores | Notícias sobre Futebol, Games e outros esportes

Inteligência, paciência e jogo pelos lados foram fundamentais na vitória do Internacional sobre o América-MG

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa as estratégias de Diego Aguirre e Vagner Mancini no jogo desta quarta-feira (13)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ricardo Duarte / SC Internacional

A boa vitória do Internacional sobre um organizado e bem estruturado América-MG vai muito além da conquista dos três pontos no Beira-Rio. É o caminho para a consolidação de uma ideia, de um modelo de jogo proposto por Diego Aguirre. Ainda que este não seja o preferido da maioria dos torcedores, é preciso reconhecer que o treinador uruguaio vem conseguindo potencializar bastante o talento dos jogadores que tem à sua disposição. Principalmente Moisés e Patrick, os melhores em campo na humilde opinião deste que escreve (junto com Saravia, Taison e Rodrigo Dourado). E nesse aspecto, o Colorado Gaúcho soube como conter os avanços e se adaptar ao jogo proposto pela equipe de Vagner Mancini sem perder a concentração ou mudar sua maneira de jogar. Inteligência, paciência e a ótima utilização do jogo associativo pelos lados do campo foram fundamentais no triunfo desta quarta-feira (13). O Internacional é uma equipe forte e mostrou isso claramente.

Aniversário CLUBE EXTRA

Clique e veja as melhores promoções!

Mesmo assim, é interessante notar que o América-MG começou melhor a partida em Porto Alegre. O Coelho circulava bem a bola no ataque e se movimentava com muita destreza pelo seu campo com Lucas Kal distribuindo muito bem o jogo no 4-1-4-1/4-2-3-1 de Vagner Mancini e Ademir desequilibrando no lado direito, justamente o setor de Moisés e Patrick, dois dos jogadores mais criticados pela torcida do Internacional nesses últimos dias. Diego Aguirre usou praticamente a mesma formação, mas com alguns detalhes. Taison se alinhava a Rodrigo Dourado sem a bola e se apresentava como opção de passe quando sua equipe retomava a posse. Nesse ponto, era possível notar que Saravia e Maurício e Moisés e Patrick faziam boas duplas pelos lados do campo com infiltrações e ultrapassagens que tinham o claro objetivo de bagunçar a defesa do América-MG e fazer a bola chegar em Yuri Alberto, talvez o melhor jogador do Internacional no Brasileirão.

As melhores notícias de esportes, direto para você

 
America-MG vs Internacional - Football tactics and formations

Diego Aguirre apostou no jogo associativo pelos lados do campo com Taison, Maurício, Saravia, Patrick e Moisés diante do bem organizado e aplicado time do América-MG.

O belo gol de Patrick (marcado aos 12 minutos do primeiro tempo) não assustou o escrete de Vagner Mancini. O América-MG seguiu com sua proposta de jogo e conseguiu o empate praticamente no lance seguinte (com o ótimo Ademir) após saída rápida pela esquerda em lance que contou com a falha coletiva do sistema defensivo do Internacional. Nada, no entanto, que abalasse o escrete comandado por Diego Aguirre apesar de algumas dificuldades para propor o jogo e fechar os espaços entre Rodrigo Lindoso e a última linha colorada. Mesmo assim, Fabrício Daniel só não virou a partida a favor do Coelho porque o goleiro Daniel fez grande defesa. Aos poucos, o Internacional foi se recompondo na defesa e adiantando suas linhas para fechar as linhas de passe do meio-campo do Coelho. Estava mais do que claro que o Internacional precisava de mais organização e um pouco de calma para definir as jogadas de ataque.

Apesar dos problemas para criar e para conter o ataque adversário, o Internacional sempre levava perigo quando tinha paciência para tocar a bola e usar as jogadas de associação pelos lados do campo. Na direita, Maurício era muito mais um “ponta-armador” e abria o corredor para as descidas constantes de Saravia às costas de Marlon Lopes. Do outro lado, Patrick também abria o corredor para Moisés aparecer na linha de fundo, mas adotava uma postura mais ofensiva, se lançando em diagonal e procurando Yuri Alberto no comando de ataque. Foi seguindo esse roteiro, colocando mais a bola no chão e buscando fazer as associações pelos lados do campo (sempre contando com as chegadas de Taison e o suporte defensivo de Rodrigo Dourado) que o Internacional conseguiu retomar o controle da partida sem se desgastar na perseguição ao América-MG. Estava mais do que evidente que o escrete colorado precisava de organização e um pouco de calma.

Maurício abre o corredor, lança Saravia no espaço vazio e este serve Yuri Alberto. A dinâmica proposta por Diego Aguirre no Internacional funcionava bem quando o time tinha calma e paciência para trabalhar a bola. Imagens: Reprodução / Premiere / GE

Este que escreve lembra que o estilo de jogo proposto pelo uruguaio Diego Aguirre pode não ser o preferido da maioria dos torcedores. Mas é preciso reconhecer que ele é bastante efetivo quando bem executado. E nesse ponto, a movimentação de Taison por toda a intermediária adversária ajudava demais nesse processo. O camisa 10 sabe conduzir a bola como poucos e ainda descomplicava as coisas com passes certeiros e bem pensados. Principalmente pelo lado esquerdo, setor onde se sente mais confortável e rende mais. Se Patrick procurava Yuri Alberto no comando de ataque, Moisés colocava muita força física nos apoios ao ataque e ainda ganhava a companhia de Taison nas tabelas e jogadas de linha de fundo. Fio repetindo essa movimentação e mostrando muita paciência para superar o organizado sistema defensivo do América-MG que o Internacional conseguiu se impor em campo e balançar as redes mais duas vezes no segundo tempo da partida no Beira-Rio.

Taison descomplicava as coisas nas jogadas de ataque do Internacional e ainda colocou Moisés e Patrick no jogo com bons passes e ótima visão de jogo. A estratégia de Diego Aguirre era bastante eficaz quando bem executada. Imagens: Reprodução / Premiere / GE

É verdade que Diego Aguirre ainda precisa fazer alguns ajustes na sua equipe, visto que o América-MG levou certo perigo ao gol de Daniel depois que Patrick marcou o segundo gol colorado (aos 17 minutos do segundo tempo). Mesmo assim, o Internacional retomou o controle da partida quando resolveu colocar a bola no chão e diminuir o número de ligações diretas (pelo menos em comparação com o primeiro tempo). Com o contexto favorável, a equipe colorada passou a jogar como gosta: controlando o espaço e explorando a velocidade de Paulo Victor, Caio Vidal e Yuri Alberto. Este último, inclusive, ainda marcou o terceiro gol em jogada iniciada pelo próprio camisa 11 aos 44 minutos. Ótimo resultado que premia o time que melhor executou seu plano de jogo e se adaptou melhor às circunstâncias da partida. E isso tudo contra um adversário que vinha de dez rodadas de invencibilidade. A vitória desta quarta-feira (13) merece sim ser celebrada.

Mas talvez a grande sacada do Internacional tenha sido a contratação de zagueiros mais fortes. Bruno Méndez e Mercado são defensores firmes e que protegem a área com muita qualidade. Assim como Victor Cuesta. A equipe pode não jogar um futebol de encher os olhos, mas mostrou que tem condições de competir em alto nível e se adaptar a diferentes contextos na base da paciência, da inteligência e de um interessantíssimo jogo associativo pelos lados do campo.

CONFIRA OUTRAS ANÁLISES DA COLUNA PAPO TÁTICO:

Andreas Pereira dita o ritmo e Flamengo faz primeiro tempo de manual na boa vitória sobre o Juventude

Seleção Brasileira joga mal contra a Colômbia, mas está bem longe de ser a terra arrasada que tanto falam

Jogo coletivo pobre e amplo domínio do Santos marcam a “despedida” de Felipão do comando técnico do Grêmio

França retoma o protagonismo com virada impressionante sobre a Espanha e o título da Liga das Nações da UEFA