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Superliga de Vôlei terá somente dez jogadores que disputaram as Olimpíadas

Saída dos principais atletas para a Europa evidencia a queda de investimento na modalidade

Raul Felix
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: Divulgação Oficial FIVB

No próximo sábado (23) começa a mais uma edição da Superliga de Vôlei, a principal competição de clubes do país. Porém, diferente das últimas edições, a edição 2021/22 tem uma particularidade.  Mais da metade dos jogadores convocados para as seleções adultas que representaram o Brasil nos Jogos de Tóquio 2021, não disputarão o torneio. Entre os 24 convocados, entre homens e mulheres, somente dez estão confirmados pelos clubes.

Em comparação com os atletas que disputaram a Rio-2016, os números só pioram. Dos jogadores convocados para o torneio, apenas três deixaram o país para atuar na Europa. Sendo que, dois desses, resolveram permanecer fora do Brasil. A única saída foi da ponteira Natália, na ocasião, ela deixou de disputar a Superliga pela equipe do Rio de Janeiro e tranferiu-se para a Turquia. As jogadoras Fabíola e Fernanda Garay já atuavam em equipes do exterior quando foram convocadas para a disputa dos Jogos.

O maior desfalque em relação a jogadores selecionáveis é na Superliga Feminina. Isso porque, das 12 convocadas pelo treinador José Roberto Guimarães, apenas quatro devem atuar pelos seus respectivos clubes. São os casos de Macris e Carol Gattaz (Itambé Minas); Camila Brait (Osasco São Critóvão Saúde) e Carol (Dentil Praia Clube).

Uma das principais razões é o mercado europeu. Principalmente as competições de países como Itália, Turquia e Polônia, onde atuam os principais clubes do mundo. Para ter um exemplo, todos os ponteiros da Seleção de Vôlei Masculina, que estiveram no Japão, vão atuar na Liga Italiana. São os casos de Lucarelli, Leal, Douglas Souza e Maurício Borges. O campeonato mais forte do mundo ainda vai contar com a presença do levantador Bruninho. Mas, as questões envolvendo a saída de atletas para outros países envolve a queda de investimento e a administração da modalidade.

Além do êxodo dos atletas para o voleibol europeu, casos dos nomes citados acimas, acrescidos de Natália, Gabi, Ana Cristina, Rosamaria e Bia, ainda existem outros fatores. A ponteira Fernanda Garay anunciou que vai dar uma pausa na carreira para ser mãe. Outro caso, é o da oposta Tandara, que está afastada das quadras aguardando resultado do julgamento de dopping. A jogadora tem vínculo com o time do Osasco São Cristóvão Saúde.

No entanto, o cenário não para por aí. Para ilustrar a atual  situação do vôlei brasileiro, o maior exemplo é do atual campeão da Superliga Masculina, o Funvic Taubaté, simplesmente acabou. A equipe transferiu-se para Natal, e o investimento de temporadas passadas diminuiu drasticamente. Para ter uma ideia, da equipe titular, campeã nacional, sobraram somente o líbero Thales e o oposto Felipe Roque.

A Confederação Brasileira de Vôlei já considerou o resultado nas Olimpíadas do Japão como “decepcionante”. Das quatro medalhas possíveis, o Brasil conquistou somente uma, a prata com a Seleção Feminina. Então, o reflexo do atual cenário do vôlei brasileiro é esse, menos investimento, saída dos principais jogadores, perdas de patrocínios e resultados abaixo do esperado.

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