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Ex-funcionário do LA Angels é considerado culpado por distribuir drogas que causaram morte de Tyler Skaggs

Eric Kay deve cumprir ao menos 20 anos em prisão federal após ser condenado

Thais May Carvalho
Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero (2018). Trabalha nas áreas de comunicação científica e jornalismo esportivo.

Crédito: Foto: Matt Brown/Getty Images

Nesta quinta-feira (17), Eric Kay, ex-diretor de comunicações do Los Angeles Angels, foi considerado culpado por conspiração, posse e distribuição de substâncias controladas que acabaram causando a morte do arremessador Tyler Skaggs, de 27 anos. A punição para esse tipo de crime é um mínimo de 20 anos em prisão federal, mas a sentença final só acontecerá em 28 de junho.

COMO FOI O JULGAMENTO

Nas duas semanas de julgamento, a defesa alegou que não havia como saber se as drogas tinham sido distribuídas por Kay e se elas realmente causaram a morte de Skaggs. Enquanto isso, a promotoria mostrou como Kay era seu único fornecedor de drogas e que ele não só distribuiu as substâncias que eventualmente mataram Skaggs, mas como também as providenciou para, pelo menos, outros cinco jogadores da MLB que tiveram passagem pelos Angels entre 2017 e 2019.

Durante seus testemunhos, Matt Harvey, C.J. Cron, Mike Morin, Cam Bedrosian e Blake Parker disseram que Eric Kay havia lhes fornecido drogas em diversas ocasiões. Harvey também falou como ele e Skaggs trocaram substâncias controladas no ano em que esteve nos Angels, e que o uso de analgésicos e drogas é uma prática comum nos dugouts da MLB.

Após o julgamento, o procurador do caso, Chad Meacham, alertou para o uso desse tipo de substância: “Este caso é um lembrete preocupante: fentanil mata. Qualquer pessoa que negocie fentanil – seja nas ruas ou fora de um estádio de beisebol mundialmente famoso – coloca seus compradores em risco. Ninguém está imune a esta droga mortal. O Departamento de Justiça tem orgulho de responsabilizar seu traficante pela perda inimaginável de sua família e amigos”.

Além dos atletas, um traficante de drogas disse que testemunhou uma troca de substâncias ilegais realizada por Skaggs e Kay em um evento da equipe. Ele também havia negado um pedido de oxicodona feito por Skaggs poucos dias antes de seu falecimento, alegando que não vende esse tipo de produto.

Eric Kay não falou no julgamento, mas durante as investigações havia dito que Skaggs o apresentou a um traficante e que era o jogador quem pagava pelas substâncias que os dois utilizavam, enquanto ele lidava somente com as transações. O ex-diretor de comunicações também alegou que foi o arremessador quem o conectou com os outros atletas para distribuir oxicodona.

Membros da família do atleta também testemunharam sobre o seu uso de drogas de Skaggs e atribuíram a sua morte às ações de Kay e ao próprio time: “Não temos dúvidas de que os Angels sabiam o que Eric Kay estava fazendo, e a equipe é moral e legalmente responsável por sua conduta. Nos casos civis, esperamos responsabilizar a equipe. Embora este veredicto seja o início da justiça sendo feita, é uma lembrança dolorosa de um dia muito triste na vida da família de Tyler”, falou o advogado que representa os parentes de Skaggs.

ENTENDA O CASO

A relação entre Eric Kay e Tyler Skaggs começou em 2017 e os dois costumavam usar drogas juntos, inclusive nas instalações do time. 

Em 30 de junho de 2019, o Los Angeles Angels foi a Dallas para jogar contra os Rangers, e existem evidências de que o jogador pediu diversos medicamentos para Kay antes do voo. Essa foi a primeira viagem do ex-diretor de comunicações com o time depois de ficar afastado para ir a tratamentos de reabilitação.

Quando chegaram ao Texas, Skaggs disse para Kay ir ao seu quarto. Segundo o relato de Eric Kay, o atleta já tinha drogas quando se encontraram, e que ele saiu do local sem consumir nada e com o jogador consciente.

No dia seguinte, depois de várias tentativas de sua esposa, Carli Skaggs, tentar entrar em contato com o jogador sem sucesso, ele foi encontrado morto em seu quarto de hotel por seguranças da equipe. De acordo com a autópsia, no corpo do arremessador foram encontrados traços de fentanil, oxicodona e álcool, que geraram uma overdose e asfixia.