Um mês após ser eleito, novo presidente da CBF já é alvo de denúncia
A denúncia enviada ao Conselho de Ética da CBF acusa Ednaldo Rodrigues de compra de votos e de favorecimento a familiares
Thaís Magalhães/CBF
Ednaldo Rodrigues assumiu o posto interinamente após os escândalos envolvendo o ex-presidente da entidade Rogério Cabloco e foi eleito nas eleições suplementares que ocorreram em 23 de março deste ano. Em denúncia enviada ao Conselho de Ética da CBF, Ednaldo, enquanto interino, teria beneficiado seus familiares e comprado votos para se eleger.
Benefícios a familiares
No documento, o denunciante afirma que o presidente teria se aproveitado do cargo para contratar a empresa, na qual sua filha, Rafaella Galvão Brandt, trabalha como executiva de vendas. O contrato celebrado teria sido para o fornecimento de kits de higiene para um evento da CBF sobre o Outubro Rosa, mês de conscientização do combate ao câncer de mama.
Além desse caso, o mandatário também teria nomeado seu genro, Gabriel Brandt, para ser um dos representantes da instituição junto à CONMEBOL. Desde o mandato interino, Brandt ocupa o cargo de delegado de futebol.
A Confederação informou que a compra dos kits seguiu todo o rito legal, passando por todas as etapas e verificações previstas. Já sobre o caso do genro, a mesma informou que, mesmo não sendo funcionário da CBF, Gabriel presta serviços à entidade desde 2013, e que a nomeação foi feita antes de Ednaldo tomar posse.
Compra de votos
Em outro trecho, o documento cita que o presidente teria se beneficiado de um contrato com uma montadora de veículos para conseguir votos na eleição na qual se consagrou vencedor. A denúncia diz que vários carros foram distribuídos a dirigentes nas vésperas do pleito.
A instituição que rege o futebol brasileiro afirmou em nota que “desde o início do contrato de patrocínio assinado entre CBF e a Fiat, em 2019, a contrapartida recebida em veículos é distribuída anualmente aos integrantes da estrutua do futebol brasileiro, sejam clubes, federações, profissionais da arbitragem, vencedores do Prêmio Brasileirão e, inclusive, unidades são sorteadas entre funcionários da entidade ao final do ano”.
Retrospecto dos últimos presidentes
Apesar do atual ter assumido o posto recentemente, escândalos envolvendo presidentes da entidade não são novidades. Esta saga começou quando Ricardo Teixeira renunciou ao cargo após suspeitas de corrupção. Desde então nenhum sucessor obteve sucesso e conseguiu cumprir o mandato até o final. José Maria Marim acabou preso em 2015, Marco Polo Del Nero foi banido pela Fifa em 2018 e Rogério Caboclo acusado de assédio foi suspenso e terminou o mandato.

