Home Futebol Encaixe dos reforços no Flamengo não é tão simples e depende de uma série de ajustes

Encaixe dos reforços no Flamengo não é tão simples e depende de uma série de ajustes

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira explica como Everton Cebolinha e Vidal podem ser utilizados por Dorival Júnior no time titular

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

A goleada sobre o Juventude nesta quarta-feira (20), em Brasília, foi o 12º jogo de Dorival Júnior no comando do Flamengo. Da estreia do treinador (no dia 11 de junho) até aqui, o Mais Querido do Brasil conquistou oito vitórias e sofreu quatro derrotas (todas elas fora de casa), marcou 25 gols e sofreu apenas dez (números do SofaScore). Difícil não perceber essa subida de patamar depois da troca no comando técnico e com a adoção de um esquema tático que potencialize o talento de Arrascaeta, Pedro, Everton Ribeiro e Gabigol. Ao mesmo tempo, o clube trouxe Everton Cebolinha e Arturo Vidal na janela de transferências, ambos jogadores que têm muito a somar no elenco rubro-negro. No entanto, tudo aquilo que vemos no campo nos mostra que o encaixe dos reforços no time titular está longe de ser simples.

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Antes de entrarmos nesse assunto, precisamos reconhecer que Dorival Júnior vem conseguindo resolver os problemas coletivos do Flamengo. Seu 4-3-1-2 deixa os jogadores mais próximos uns dos outros e permite que as associações por dentro aconteçam com mais frequência. Ao invés do jogo mais lento dos tempos de Paulo Sousa (com o time mais espaçado e com vários atletas jogando em posições onde não se sentiam confortáveis), vemos uma equipe mais agrupada e melhor posicionada. Vale destacar também que nomes contestados como Thiago Maia, Rodinei e Léo Pereira subiram muito de produção e parecem estar vivendo seus melhores dias com a camisa do Flamengo. Principalmente o camisa 22.

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Mas o escrete comandado por Dorival Júnior mostrou ser muito mais apenas mais um amontoado de bons jogadores. O lampejo individual agora é potencializado pela organização coletiva. Com a bola, um 4-3-1-2 de muita mobilidade com Arrascaeta jogando como “enganche”, Gabigol circulando bastante no terço final e Pedro jogando como referência. Everton Ribeiro joga um pouco mais recuado (executando a função de “terceiro homem de meio-campo” que conhece tão bem) e João Gomes fecha mais o lado esquerdo (dando dois pés na marcação junto de Thiago Maia e Filipe Luís). Sem a bola, o time se comporta fecha num 4-3-3 com linhas altas de marcação e muita pressão no adversário.

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Na prática, as boas atuações do Flamengo ajudam a explicar porque Everton Cebolinha, Vidal e qualquer outro reforço que chegue nessa janela de transferências encontre dificuldades para conquistar uma vaga no time. A vitória sobre o Atlético-MG no jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil é um bom exemplo de como o 4-3-1-2 de Dorival Júnior acomodou tantos talentos de maneira tão eficiente. Quem viu os jogos anteriores se deparou com uma equipe desinteressada, sem muito brilho e completamente dependente do brilho individual. O Flamengo é hoje uma equipe que sabe o que fazer com e sem a posse da bola e que joga sufocando seu adversário. E a vitória por 2 a 0 no atual campeão brasileiro e da Copa do Brasil ajudou a consolidar o 4-3-1-2 de Dorival Júnior como o esquema mais adequado para o time.

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Dorival Júnior apostou no 4-3-1-2 para acomodar Everton Ribeiro, Arrascaeta, Pedro e Gabigol sem que o Flamengo perdesse consistência na defesa. A atuação coletiva na vitória sobre o Atlético-MG de “El Turco” Mohamed foi marcante.

E é aqui que mora o “problema” de Dorival Júnior (se é que podemos usar essa palavra). Está claro para este que escreve que Everton Cebolinha chegou para ocupar a vaga de Bruno Henrique (que ainda se recupera de grave lesão no joelho) e como excelente opção para puxar o jogo da esquerda para dentro com velocidade e com bons passes em profundidade. O SofaScore aponta que o camisa 19 criou pelo menos duas chances de gol e deu três passes decisivos na goleada sobre o Juventude. Do mesmo modo, Arturo Vidal chega com status de grande estrela e com plenas condições de assumir a vaga que era de Andreas Pereira. A pergunta é simples: quem sai para que os dois reforços assumam seus lugares entre os titulares? Melhor ainda: como sacar alguém do time diante de tantas atuações coletivas de altíssima qualidade?

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Este colunista não está dizendo que o Flamengo não precisa de Cebolinha ou Vidal. Precisa e precisa demais! A questão é como encaixar os dois num momento em que o time se comporta de maneira tão coesa e tão consistente depois de tanto tempo jogando muito abaixo do que eu e você já vimos nesse mesmo ano de 2022. E a goleada sobre o Juventude nos apresentou um Fla altamente agressivo no ataque e muito ligado no sistema defensivo (ponto muito elogiado por Dorival Júnior nas suas entrevistas coletivas). As jogadas pelos lados saíam com extrema facilidade e o escrete rubro-negro fazia aquilo que deve ser feito quando uma equipe mais qualificada enfrenta outra mais fraca. A goleada foi o resultado natural diante de todo o contexto favorável aos comandados de Dorival Júnior em Brasília.

A goleada sobre o Juventude nos mostrou um Flamengo ainda mais vibrante e agressivo no ataque. Dorival Júnior manteve o 4-3-1-2 que solta Arrascaeta, Pedro e Gabigol na frente e mantém Everton Ribeiro na função de “terceiro homem de meio-campo”.

Há como se pensar numa mudança do 4-3-1-2 para um 4-2-3-1 com os reforços à disposição, mas isso deixaria o Flamengo sem as associações entre Gabigol e Pedro por dentro (um dos pontos mais fortes do time comandado por Dorival Júnior). A simples presença de Everton Cebolinha entre os titulares também mexe bastante com a estrutura do esquema tático de Dorival Júnior. Isso porque Filipe Luís e Arrascaeta passariam a ter obrigações mais defensivas e Thiago Maia teria mais campo para cobrir. Ao mesmo tempo, dificilmente haverá argumentos para se manter Vidal no banco de reservas quando este recuperar o condicionamento físico. Mas sacar João Gomes, Everton Ribeiro e Gabigol parece impensável no cenário atual. Ainda mais sabendo que os três estão rendendo demais com Dorival Júnior. Principalmente o camisa 7 rubro-negro.

Certo é que a grande missão de Dorival Júnior é encontrar o equilíbrio perfeito no time com a postura mais agressiva e a manutenção de um sistema defensivo equilibrado. Por mais que o ataque empregue bem a pressão pós-perda e ajude muito na marcação, o 4-3-1-2 não cobre todos os espaços do campo. É com esse “cobertor curto” que o técnico do Flamengo terá que se cobrir e encontrar um meio de encaixar Everton Cebolinha e Vidal sem que sua equipe perca o volume de jogo visto nas últimas partidas.

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