O torcedor do Atlético reclama constantemente da falta de bons valores nas categorias de base. Enquanto vê outros clubes faturando quantias milionárias com vendas ou mesmo aproveitando seus jovens no time principal, o atleticano lamenta não acompanhar de perto o mesmo cenário.
Gerente da base do Atlético, Erasmo Damiani acredita que a falta de paciência de parte da torcida prejudica o desenvolvimento destes garotos. O dirigente cita como exemplo a Copa São Paulo de Futebol Júnior.
Damiani aborda a gangorra que ocorre nas avaliações. Enquanto o Galinho estava vivo no torneio, os meninos eram amplamente elogios. Diferentemente quando acabou eliminado para o Água Santa.
“Às vezes, ao invés de promover, você está rebaixando [os jovens]. Eu já senti isso, porque ao mesmo tempo que o torcedor do Atlético quer um jogador da base no profissional, se ele erra três passes num jogo, o torcedor já cria um cenário negativo. Exemplo: numa sexta-feira, nós ganhamos do Nova Iguaçu e o torcedor do Atlético colocou o time da Copinha como ‘os melhores’. Alguns jogadores acima da média. Nós empatamos com o Água Santa e caímos, esses mesmos torcedores colocaram esses jogadores lá embaixo”, disse Damiani em entrevista ao Donos da Bola, da Band.
“Então, nós temos que ter esse equilíbrio. E o clube tem que entender de ter esse equilíbrio para daqui a pouco não colocar um jogador numa necessidade. Ao invés de promovê-lo, você está colocando para baixo”, completou.
Atlético precisa revelar mais
Dono de uma estrutura invejável, o Galo encontra dificuldades, de fato, em abastecer o elenco principal com jovens de alto potencial.
“A partir do momento em que você começa a produzir jogadores, começa a vender e vender, o mercado lá fora olha assim: ‘O Atlético é um clube formador e vendedor’. Qual foi a última grande venda do Atlético? O Bernard. Depois foi Bremer, Jemerson… Mas não foi uma sequência, como outros clubes fazem. O mercado lá fora já vai em alguns clubes pontuais, porque eles sempre estão vendendo”, opinou.

