Juntos, Galvão Bueno e Globo escreveram uma história de parceria que durou mais de quatro décadas, e se misturaram de uma forma que um passou a representar o outro. Contudo, como em todo o relacionamento, as crises aparecem, com altos e baixos. Na década de 1990, o narrador saiu da emissora por 10 meses e “bombou” n Rede OM, transmitindo os jogos da Libertadores daquela temporada.
Em entrevista ao UOL Esporte que foi ao ar nesta semana, o narrador, que recentemente, de fato se desligou da Globo, falou sobre o episódio em questão, que resultou no seu rompimento com a direção da vênus platinada.
“Eu sempre fui inquieto e veio uma oportunidade de ser sócio de uma televisão, durou 10 meses (…). No caso da Libertadores, a TV aberta que adquirisse os direitos de transmissão deveria exibir todas as partidas e nós abraçamos a ideia, mas a Globo não quis isso”, relembrou Galvão.
A Libertadores daquele ano foi um verdadeiro sucesso de audiência, com o São Paulo de Telê Santana dando show e faturando o título. Arrependida, a Globo tentou rever a decisão e pediu o retorno de Galvão com a competição em curso, e a negativa foi dada pelo narrador.
“O diretor de esporte da Globo e outros dirigentes pediram uma reunião comigo. ‘Quanto você quer para abrir para a Globo transmitir junto?’, perguntaram. Eu falei: ‘Não há dinheiro que pague’. Como é que eu explicaria para as pessoas que estavam trabalhando comigo, que vieram viver esse sonho comigo? Como que eu explicaria que eu me vendi por uma quantia para entregar metade dessa decisão? Não fui”, contou Galvão.
O retorno de Galvão
Depois do torneio encerrado, o “casamento” entre as partes foi retomado, antes mesmo do rompimento completar um ano.
“Se pensar assim, eu não deveria ter saído, porque a Globo é minha casa, mas foi o que aconteceu e acabei voltando”, disse. “Não concordava com a forma que a TV [OM] era conduzida politicamente e financeiramente, mas realmente foi um sucesso”, acrescentou o narrador, revelando ainda ter recebido proposta de todas as principais concorrentes da Globo, antes do seu retorno ser concretizado.
“Uma das minhas maiores alegrias foi quando eu me despedi no ar e, no dia seguinte, tive propostas da Bandeirantes, SBT, Manchete. Mas o Boni falou: ‘Chama esse safado de volta'”, concluiu o narrador.

