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CEO da WSL fala sobre notas contestadas por surfistas brasileiros

Brasileiros reclamaram nas redes sociais sobre os critérios de avaliação na última etapa do tour

Thais May Carvalho
Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero e mestranda de Ciências da Comunicação na Universidade de São Paulo, sou colaboradora do Torcedores.com desde 2020. Escrevo sobre diversas modalidades, com foco mais voltado para futebol americano, beisebol, surfe, tênis, futebol, hóquei no gelo e basquete.
Gabriel Medina, surfista

Gabriel Medina, campeão mundial de surfe (Divulgação/Rio 2016)

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Após a conclusão da etapa do Surf Ranch, Gabriel Medina, Filipe Toledo e Ítalo Ferreira utilizaram suas redes sociais para questionar os critérios de pontuação utilizados na competição, que terminou com as vitórias de Griffin Colapinto e Carissa Moore.

Durante a etapa, tanto a eliminação de Medina para Ethan Ewing nas quartas de final, quando a derrota de Ferreira contra Colapinto na final foram muito questionadas pelos espectadores.

Em seu perfil do Instagram, Gabriel disse: “Está claro que a avaliação dos juízes está agora recompensando um surfe muito simples, transições incompletas e progressão e variedade está sendo completamente retirada da equação. Isso é muito frustrante e ameaça o crescimento do esporte.”

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Já Ítalo falou em manter sua força e da união dos brasileiros. Enquanto isso, Filipe escreveu sobre o cansaço de ficar “engolindo seco” e também cobrou mais justiça e transparência no esporte. Os dois ainda ressaltaram que suas declarações não eram um ataque contra ninguém, em especial a outros atletas.

As postagens foram apoiadas por brasileiros do mundo do surfe, incluindo Yago Dora, Alejo Muniz, Adriano de Souza, Lucas Chumbo, Teco Padaratz, Claudinha Gonçalves, Ricardo Bocão, Michael Rodrigues e Bela Nalu.

O descontentamento por parte dos atletas do Brasil não é algo recente. Nos últimos anos, vários deles reclamaram sobre notas recebidas durante diversas etapas. Inclusive as duas vitórias de Griffin Colapinto sobre Filipe Toledo em 2022 foram muito questionadas.

RESPOSTA DA WSL

Como resposta aos textos dos surfistas, o CEO da WSL, Erik Logan, fez um comunicado no site da entidade repudiando ameaças violentas feitas por fãs pela internet e defendendo os critérios de avaliação utilizados. “Em termos das declarações feitas, rejeitamos completamente a sugestão de que o julgamento de nossas competições seja de alguma forma injusto ou preconceituoso. Essas alegações não são apoiadas por nenhuma evidência. Primeiramente, os critérios de julgamento são fornecidos aos atletas antes de cada competição. Todos os atletas que competiram no Surf Ranch Pro receberam esses materiais no dia 20 de maio. Todos os atletas tiveram a oportunidade de tirar dúvidas sobre os critérios na ocasião. Nenhum dos atletas que fizeram essas declarações, aproveitou essa oportunidade no Surf Ranch Pro.”

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A declaração de Logan ainda diz que todos os surfistas podem pedir maiores informações e contestar as notas obtidas. “Nossas regras permitem que qualquer atleta revise a nota de qualquer onda e receba uma explicação mais detalhada de como foram pontuadas pelos juízes. Esse processo existe há vários anos e é o resultado direto do trabalho com os surfistas, para trazer mais transparência ao processo de julgamento. Não é apropriado, e é uma violação da política da liga, que os surfistas optem por não se envolver com o processo adequado e, em vez disso, expor suas queixas nas redes sociais.”

Porém, em seu post, Medina reclamou que quando contestados sobre alguma nota, o retorno da liga “é sempre bastante defensivo, com exemplos ruins para ilustrar seus argumentos”.

O CEO da WSL encerrou sua declaração dizendo: “Vários atletas do Surf Ranch Pro receberam pontos por elementos como progressão e variedade, então é simplesmente incorreto sugerir que eles não sejam levados em consideração nos critérios de julgamento. Além disso, nossas regras foram aplicadas de forma consistente ao longo da temporada, inclusive em eventos que foram vencidos por atletas que agora questionam essas mesmas regras. 

O surfe é um esporte com critérios subjetivos em constante evolução e damos boas-vindas a um debate robusto sobre a progressão do nosso esporte e os critérios usados para julgar nossas competições. Porém, é inadmissível que qualquer atleta questione a integridade de nossos juízes que, assim como nossos surfistas, são profissionais de elite. Nenhuma pessoa ou grupo de pessoas está acima da integridade do esporte.”