Ex-Corinthians e Flamengo, Vítor Pereira destaca vida “extremamente difícil” no Brasil: “Pagando a fatura”
Treinador revelou que vai passar por um período de descanso após período intenso fora da Europa
Marcelo Cortes /CRF
Após comandar Corinthians e Flamengo, Vítor Pereira, no momento, não pensa em voltar ao trabalho de forma imediata. Durante um evento em Portugal, o técnico deixou claro que deseja aproveitar o momento de descanso ao lado da família, mesmo que o futebol tenha uma grande importância em sua vida e tenha sido representado como viciante.
“Vou descansar, preciso de descansar. O futebol é uma paixão, mas ao mesmo tempo é uma droga. Eu hoje estou bem sem ele, estou a precisar de parar um bocadinho, mas tenho a certeza de que daqui a dois meses vou começar a ter dificuldade em viver sem ele. É como viver sem uma droga que não conseguimos largar. Para já estou bem, vou descansar, estar com a família e fazer coisas que já não faço há muito tempo. Depois vou ver se tenho paciência para agarrar um projeto, mas se o bom projeto não aparecer depressa, lá vou eu para mais uma aventura“, disse Vítor Pereira no evento “2 Build 2023”.
Na sequência, Vítor Pereira fez questão de relatar as dificuldades que passou no futebol brasileiro. Além da forte pressão, já que treinou os dois clubes com maiores torcidas do país, questões envolvendo o calendário e o clima foram mencionadas.
“É muito desgastante porque são viagens constantes, são jogos uns atrás dos outros, de três em três dias, o campeonato é extremamente difícil. Antes de lá chegar não tinha bem a noção, ouvia dizer mas não percebia, mas é muito difícil e muito competitivo. É sair de 30 graus para 15 graus, andar em viagens que são quase entre continentes. Há equipas a jogar de uma forma completamente distinta e a obrigar a que a própria equipa se adapte a formas de jogar muito diferentes, é estar a acabar um jogo e já me estarem a pedir a convocatória para o jogo seguinte e quem vai viajar e quem não vai viajar…”, contou.
Por fim, Vítor Pereira apontou que está “pagando a conta” pelas experiências em Corinthians e Flamengo. Sem renovar com o Timão, ele aceitou o convite do Rubro-Negro, mas sequer cumpriu seu contrato até o fim, tendo em vista o cenário de frustrações envolvendo Supercopa do Brasil, Mundial, Recopa e Carioca.
“Passei do Corinthians para o Flamengo, um clube com 40 e tal milhões(de torcedores), outro clube com 50 e poucos milhões. É muito milhão junto (risos), com algumas guerras também no meio, e sinceramente não foi fácil. Também descansei muito pouco de um projeto para o outro e paguei um bocadinho a fatura. Aliás, ainda estou pagando um bocadinho a fatura“, finalizou o treinador.

