Home Mídia Esportiva e bastidores Téo José fala sobre ataques virtuais e conta como surgiu o apelido Rony Rústico

Téo José fala sobre ataques virtuais e conta como surgiu o apelido Rony Rústico

Narrador do SBT revelou que fez brincadeira em transmissão de jogo do Santos na Copa Sul-Americana; ele e a família foram vítimas de ofensas; profissional ainda contou os bastidores do apelido do atacante do Palmeiras

Por Rafael Alaby em 09/06/2023 07:02 - Atualizado há 2 anos

Desde a década de 90 sendo uma das vozes mais conhecidas da narração esportiva, o goiano Téo José tem experiência de sobra no futebol e no automobilismo. De volta ao SBT há quase três anos, o locutor recebeu a missão em fazer jogos da Copa Libertadores e da Champions League, até então os principais eventos esportivos da emissora de Silvio Santos.

Apesar do sucesso nas narrações, nem tudo são flores. Téo José, assim como outros narradores brasileiros, têm sido vítimas de ataques de ódio nas redes sociais. Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, o profissional lamentou o aumento das ofensas a ele e aos outros colegas de profissão.

“Eles (ataques) só têm aumentado e são para todas as pessoas. Não sei o que está acontecendo com a cabeça das pessoas. Saio para passear com os cachorros da família todo dia de manhã, dou bom dia e muitos não respondem. Entro no elevador e a mesma coisa. Talvez, as pessoas estejam esquecendo os modos de bom convívio e estão sem Deus no coração. Isso tem aumentado e na internet em proporção ainda maior. Fico chateado em ver esses ataques cruéis a colegas. É injusto e acontece direto”, desabafou Téo José, que revelou que na partida entre Santos x Newell’s Old Boys na última terça-feira, pela Sul-Americana, fez uma brincadeira, que foi malvista por alguns torcedores, que passaram a disparar ofensas a ele e familiares.

“Fiz uma brincadeira no jogo do Santos agora e já vieram xingar eu e minha família. Temos que saber usar muito bem essas mídias sociais, principalmente o Twitter, e separar as coisas”, acrescentou.

Téo José explica como surgiu o apelido Rony Rústico dado ao atacante do Palmeiras

O narrador caiu nas graças da torcida do Palmeiras ao criar o apelido Rony Rústico ao atacante alviverde durante jogo da Copa Libertadores 2020. A alcunha agradou bastante o jogador. Téo José revelou que a sua inspiração foi uma música de uma banda de rock brasileiro sucesso nos anos 80

“(O apelido) surgiu da música da Blitz, Betty frígida, dos anos 80. Sou um cara muito ligado a música. Nessa época, estava em uma fase que queria entrar no rádio por causa da música. Sempre achei o Rony um jogador guerreiro. Com ele não tem bola perdida, está sempre mordendo. Estava com esse nome na minha cabeça e ele estava em uma fase muito ruim quando chegou ao Palmeiras, exatamente no momento que comecei a narrar os jogos do Palmeiras na Fox e depois quando cheguei ao SBT. Comecei a pegar o momento de ascensão dele, coloquei o rústico e acabou pegando. Ele é um cara dedicado, batalhador, corretíssimo e ainda bem que cresceu e se tornou um ídolo da torcida do Palmeiras”, contou.

O sucesso de Rony no Palmeiras rendeu duas convocações à seleção brasileira no pós-Copa do Mundo 2022. Ele disputou o amistoso contra Marrocos, em março, e foi convocado para os jogos da Data Fifa de junho (Guiné e Senegal).

Neste sábado (10), as 16h (horário de Brasília), Téo José narrará a tão esperada final da Champions League entre Manchester City x Inter de Milão. Na TV aberta, a transmissão será exclusiva do SBT.

Locutor também abordou outros assuntos na entrevista; veja abaixo o bate-papo na íntegra

Torcedores.com: Qual é o sentimento de narrar mais uma final de Champions League? Quantas já são agora na carreira?

Téo José: Narrar uma final de Champions League é sempre um momento especial para a minha carreira. Tenho um carinho muito grande por essa competição, acompanho o tempo inteiro. Será a minha 14ª final. Sabemos que não tem jogo ruim na Champions, principalmente em uma decisão. Seja quem for que esteja lá, não tem jogo ruim. Sem falar que é um evento muito grande. Costumo dizer que o sentimento é o de que a Champions é como uma Copa do Mundo anual e poder chegar em uma final de Copa é sensacional.

Torcedores.com : Você faz uma preparação especial durante a semana que antecede a final da Champions?

Téo José: Eu intensifico um pouco os exercícios de fono porque sabemos que o jogo pode ir para a prorrogação e pênaltis. Tem o pré-jogo, onde também somos exigidos um pouco mais. Mas adoro fazer essas festas de abertura e encerramento. Faz me lembrar dos tempos de rádio com esse sobe e desce. Não é apenas deixar a imagem e o áudio ambiente. Temos a função de chamar a atenção de quem está em casa, às vezes, tomando uma cervejinha, conversando com o amigo, o filho ou alguém da família, antes de a bola rolar.

Torcedores.com : Qual o seu palpite para Manchester City x Inter de Milão? O que o telespectador do SBT pode esperar da decisão?

TJ: Das últimas finais de Champions, acho que essa é a mais desequilibrada. O City chega invicto e com um grande time, que, com certeza, vai ficar marcado na história do futebol europeu. Daqui há 10 anos a gente vai lembrar dessa equipe. Por isso, acho que o City chega como favorito. Não digo favoritaço porque do outro lado tem um adversário que sabe marcar muito bem, já tem três conquistas, só perdeu para o Bayern, duas vezes, nesta Champions… Mas o City é o favorito 

Torcedores.com: Como você lida com uma repercussão negativa sobre narrações? Na última decisão de Champions, por exemplo, você foi alvo de muitas críticas após sua voz ter falhado durante a narração do gol de Vinícius Júnior.

TJ: Eu lido com todas as críticas de uma forma racional. Procuro deixar a emoção de lado. O que aconteceu na final da última Champions é que eu tive uma faringite e só fui detectar na hora do jogo. Achei que iria conseguir, mas a gente tira lições. Foi uma coisa alheia a minha vontade, a minha técnica e fui crucificado. Eu falhei, ok. Agora, acho que a forma com que as pessoas pegaram isso foi forte e, às vezes, até cruel. Mas a casca de tantos anos de profissão, ela vai ficando cada vez mais forte.

Tem um ditado que diz: Deus sabe o quanto de peso se coloca nos seus ombros. Vou dizer para você, faz parte. Eu fiquei muito chateado comigo porque eu falhei. Não com as críticas. Vi algumas coisas de colegas de imprensa que me chatearam porque não vieram falar comigo perguntar. Acho que isso tem ocorrido ultimamente na imprensa. Estão esquecendo de um item que se aprende no primeiro semestre da faculdade, o de ouvir os dois lados, mas chateado mesmo eu fiquei comigo. Sou muito perfeccionista, não gosto de falhar.

Torcedores.com: Nos últimos dias, narradores como Renata Silveira e Everaldo Marques, ambos do Grupo Globo, relataram ataques de ódios em suas redes sociais. Você já foi alvo? E o que pensa sobre isso?

TJ: Eles só têm aumentado e são para todas as pessoas. Não sei o que está acontecendo com a cabeça das pessoas. Saio para passear com os cachorros da família todo dia de manhã, dou bom dia e muitos não respondem. Entro no elevador e a mesma coisa. Talvez, as pessoas estejam esquecendo os modos de bom convívio e estão sem Deus no coração. Isso tem aumentado e na internet em proporção ainda maior. Fico chateado em ver esses ataques cruéis a colegas. É injusto e acontece direto. Fiz uma brincadeira no jogo do Santos agora e já vieram xingar eu e minha família. Temos que saber usar muito bem essas mídias sociais, principalmente o Twitter, e separar as coisas.

Torcedores.com: Você pode revelar algum bastidor curioso da final da Copa Libertadores 2021 entre Flamengo x Palmeiras?

TJ: Eu sou muito religioso, então sempre que vou a um evento desses, gosto de ir à igreja. Quando não conheço um local que tenha alguma específica de Nossa Senhora de Fátima., que sou devoto, vou na Catedral. A Nadine Bastos foi comigo. Lá em Montevidéu, ela fica em uma praça, onde tem uns barzinhos laterais. Quando chegamos, descemos, entramos e não reparei o que tinha ao redor. Fazendo a minha oração pessoal, fiquei incomodado com o barulho. Quando saí, observei que a torcida do Flamengo tinha tomado a praça. Gosto de me misturar com a torcida para sentir a energia, então fui e fiquei ali por uma meia hora.

Torcedores.com: Como surgiu o apelido de Rony Rústico que caiu na boca dos palmeirenses?

TJ: Surgiu da música da Blitz, Betty frígida, dos anos 80. Sou um cara muito ligado a música. Nessa época, estava em uma fase que queria entrar no rádio por causa da música. Sempre achei o Rony um jogador guerreiro. Com ele não tem bola perdida, está sempre mordendo. Estava com esse nome na minha cabeça e ele estava em uma fase muito ruim quando chegou ao Palmeiras, exatamente no momento que comecei a narrar os jogos do Palmeiras na Fox e depois quando cheguei ao SBT. Comecei a pegar o momento de ascensão dele, coloquei o rústico e acabou pegando. Ele é um cara dedicado, batalhador, corretíssimo e ainda bem que cresceu e se tornou um ídolo da torcida do Palmeiras.

Torcedores.com: Qual é a diferença entre narrar um jogo para o SBT e um jogo para o canal Flow?  

TJ: Vou ser sincero. Se fala muito em novas mídias e linguagens. Acho legal democratizar a informação e os eventos. Agora, nova linguagem, realmente, eu ainda não achei. É diferente porque tinham quatro comentaristas na mesa. Foi e acho que ainda é o recorde de transmissões ao vivo no Flow e eu não mudei muita coisa na minha narração. Me adaptei por terem mais pessoas comentando, se torna algo mais conversado, mas fui narrador. Você vê, outro canal de streaming, no ano passado, veio com uma narração diferente e para este ano já fez contratações de narradores mais tradicionais. Então essa história de nova linguagem da mídia eu ainda estou procurando.

Torcedores.com: Como foi narrar a decisão do Campeonato Carioca para o canal Flow Sports Club?

TJ: Foi um prazer. Me senti lisonjeado com o convite. Gosto muito do pessoal do Flow e é um público diferente. Além disso, fazer um Fla-Flu é sensacional. Acabou sendo um marco também na minha carreira que foi através de um Fla-Flu que o esporte voltou no SBT e eu estava narrando esse jogo. Fiquei muito feliz pela audiência e por ter servido de aprendizado. Hoje, estou com o podcast Pod Pai Pod Filho e sempre que vamos em lugares que já são um sucesso nessa linha também tiramos aprendizados.

Torcedores.com: Aliás, conta um pouco do seu podcast que estreou no canal do SBT Sports, o ‘Pod Pai Pod Filho’

TJ: Foi ideia do Alê, meu filho. Ele se formou em medicina em Brasília e resolveu vir para São Paulo morar comigo para passar um ano meio sabático. Ele gosta de música, veio fazer produção musical e chegou com a ideia de termos um podcast sobre esportes e música. Eu topei e está sendo muito boa essa experiência. Hoje, já abrangemos outros setores também. Ele pegou gosto pelo jornalismo e agora está fazendo faculdade. É um prazer poder estar trabalhando com o seu filho em um projeto como esse.

Gravamos em São Paulo, mas também já fizemos temporadas em Belo Horizonte, Goiânia, Rio de Janeiro e temos outros planos. A única coisa que perturba um pouco é a dificuldade, cada vez maior, de levar atletas e treinadores de times maiores, principalmente depois da pandemia. O torcedor quer ouvir todos, mas são dificuldades que aparecem em todos os projetos e a gente tem que trabalhar para passar por cima disso. Agora, estando no SBT Sports, a tendência é o trabalho aparecer e crescer mais de relevância.

Torcedores.com: Para encerrar, como está sendo essa experiência em ancorar o programa Arena SBT? Há previsão de novidades para as próximas edições?

TJ: É legal estar à frente de um programa de esportes, mas eu digo o seguinte: Eu estou, mas não sou apresentador. Sou narrador. Peguei um formato já consolidado. Conversei com a equipe e chegamos à conclusão de que poderíamos fazer algumas pequenas mudanças para deixar mais com o meu estilo, mas foram poucas coisas, afinal o Arena SBT já era um sucesso. Além disso, é uma experiência que eu retomo. Apresentei programas de debate na época da Band e depois no Fox Sports. Agora eu retomei em um canal gigantesco como o SBT. Mas sempre friso que estou apresentador, mas sou narrador. Trabalho todos os dias para ver o que podemos melhorar e para o programa crescer, sempre priorizando o conteúdo, minha maior preocupação na comunicação.

Exit mobile version