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Libertadores Feminina: Corinthians vence o América de Cali em jogo mais complicado do que o placar sugere

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca a atuação das Brabas e o “risco calculado” por Arthur Elias neste domingo (15)

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Quem viu os quatro a zero sobre o América de Cali pode até pensar que o Corinthians de Arthur Elias não encontrou muitas dificuldades para vencer as donas da casa e garantir a vaga em mais uma semifinal de Libertadores Feminina. Por outro lado, o que se viu neste domingo (15) foi um jogo muito mais equilibrado e muito mais complicado do que o placar final nos sugere. As Brabas sofreram mais do que deveriam diante de uma equipe organizada e competitiva (às vezes até demais) e que por pouco não causou estragos sérios. Muito disso também passa pelo “risco calculado” por Arthur Elias e por algumas das suas escolhas para a partida disputada no Estádio Pascual Guerrero.

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O confronto com cara de revanche (o América de Cali tirou o Corinthians da final da Libertadores de 2020 após vitória nas penalidades) foi marcado por jogadas ríspidas e por embates mais físicos desde os primeiros minutos. Vale destacar que, apesar da qualidade do adversário, o técnico Arthur Elias não abriu mão do seu conhecido estilo de jogo. Linhas mais altas de marcação, forte presença ofensiva e muita intensidade nas trocas de passe. Só que a formação escolhida para a partida acabou expondo o sistema defensivo das Brabas além do necessário.

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Sem Andressa (diagnosticada com a COVID-19), o treinador do Corinthians apostou num 3-5-2 que trazia Gabi Portilho e Tamires nas alas, Duda Sampaio um pouco mais solta pela esquerda e Gabi Zanotti ao lado de Luana no meio-campo. O objetivo (pelo menos num primeiro momento) era encaixar a marcação na saída de bola do América de Cali, mas o que se viu foi justamente o contrário. Era o escrete colombiano quem garantia superioridade numérica no terço final com Catalina Usme, Castellanos e Elexa Bahr forçando pra cima de Mariza, Tarciane e Yasmim.

O 3-5-2 de Arthur Elias expôs demais a última linha do Corinthians e permitia que o América de Cali tivesse superioridade numérica no ataque. Foto: Reprodução / Canal GOAT
O 3-5-2 de Arthur Elias expôs demais a última linha do Corinthians e permitia que o América de Cali tivesse superioridade numérica no ataque. Foto: Reprodução / Canal GOAT

O gol contra de Zamorano (após cobrança de escanteio de Duda Sampaio) aos dez minutos da primeira etapa ajudou a dar um pouco de tranquilidade ao escrete corintiano. Por outro lado, a falta de coordenação nos saltos para a pressão, a falta de cobertura pelos lados (principalmente por parte de Gabi Portilho) e a partida terrível de Gabi Zanotti foram problemas corriqueiros no time de Arthur Elias. Com o segundo tempo (e a chuva torrencial em Cali), o América passou a pressionar mais e vencer mais duelos no meio-campo. As coisas só melhoraram quando Arthur Elias mandou Katiuscia para o jogo. A camisa dois deu o equilíbrio defensivo que faltava e ajudou a liberar Tamires pela esquerda.

Katiuscia entrou no lugar de Gabi Portilho e deu mais equilíbrio defensivo ao time. Tamires praticamente se transformou em ponta pela esquerda. Foto: Reprodução / Canal GOAT
Katiuscia entrou no lugar de Gabi Portilho e deu mais equilíbrio defensivo ao time. Tamires praticamente se transformou em ponta pela esquerda. Foto: Reprodução / Canal GOAT

A penalidade que Millene sofreu e converteu ajudou a dar tranquilidade ao Corinthians para tocar a bola e encontrar espaços. Arthur Elias viu que sua equipe precisava de fôlego e apostou certo nas entradas de Fernanda e Vic Albuquerque nos lugares de Luana e da já citada Millene. E a expulsão justíssima de Daniela Arias facilitou ainda mais a vida das Brabas. Com mais espaço para jogar, o Corinthians se reorganizou num 3-4-3 bem ofensivo que apenas administrou o resultado e diminuiu o ritmo de jogo. Ainda houve tempo para Vic Albuquerque fazer o terceiro e Fernanda fechar a goleada em belíssima jogada de Jheniffer numa partida muito mais complicada do que o placar indica.

Fernandinha e Vic Albuquerque deram mais equilíbrio ao Corinthians e a expulsão de Daniela Arias abriu espaços generosos no setor ofensivo. Foto: Reprodução / Canal GOAT
Fernandinha e Vic Albuquerque deram mais equilíbrio ao Corinthians e a expulsão de Daniela Arias abriu espaços generosos no setor ofensivo. Foto: Reprodução / Canal GOAT

A goleada ajuda a dar moral na caminhada por mais uma Libertadores Feminina com toda a certeza. No entanto, Arthur Elias deu a impressão de estar seguindo uma espécie de “risco calculado” com algumas de suas escolhas. Este que escreve não tem absolutamente nada contra o esquema com três zagueiras. O único problema estava na falta de recomposição pelos lados, visto que Gabi Portilho estava quase sempre atrasada na marcação. Ao mesmo tempo, Gabi Zanotti esteve em tarde bem ruim e Arthur Elias não abriu mão da sua camisa dez num contexto que pedia mais fôlego e velocidade. De bom mesmo, mais uma grande atuação de Duda Sampaio. A melhor em campo na humilde opinião deste que escreve.

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Apesar dos problemas levantados acima, o Corinthians chega em mais uma semifinal de Libertadores Feminina com os méritos que eu e você conhecemos bem. E vamos combinar que as Brabas ainda são amplamente favoritas. A grande questão, no entanto, é saber se Arthur Elias seguirá bancando seu “risco calculado” em contextos que pedem um pouco mais de prudência. A partida contra o Internacional, marcada para a próxima quarta-feira (18) é um bom exemplo disso. O nível de exigência aumenta na medida a competição vai chegando perto do fim.

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