Home Futebol Força mental, alternativas e repertório: será que chegou a vez do Internacional?

Força mental, alternativas e repertório: será que chegou a vez do Internacional?

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira destaca as variações do Colorado de Eduardo Coudet e as atuações do time nesse início de temporada

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.
Internacional

Internacional - Ricardo Duarte / SC Internacional

Poucas equipes suscitaram tanta curiosidade neste que escreve como o Internacional do técnico Eduardo Coudet. Não somente pela ótima janela de transferências, mas pelo potencial que a equipe tem com as opções que o “Chaco” ganhou nesse começo de 2024.

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A vitória sobre o rival Grêmio no final de semana foi uma boa amostra dessa capacidade. O Colorado manteve a concentração e o foco no plano de jogo estabelecido pelo seu comandante mesmo saindo atrás no placar. E tirando o tropeço diante do Guarany de Bagé, o escrete vem conseguindo ótimos números e bons resultados nesse início de temporada. São seis vitórias seguidas e a liderança na primeira fase do Gauchão.

As contratações, as opções no elenco e o vasto repertório tático do time de Coudet estão fazendo muita gente se perguntar se finalmente chegou a vez do Internacional. Difícil prever o futuro num esporte tão caótico como o futebol. Mas a equipe parece estar no caminho certo.

Intensidade (com e sem a bola) e busca pelo espaço entrelinhas

O Colorado venceu o Grêmio executando bem dois preceitos defendidos por seu técnico. O primeiro deles é a intensidade com e sem a posse da bola. Partindo do 4-4-2 para outras formações (como veremos a seguir), o escrete consegue fechar espaços e pressionar o portador da bola. O objetivo aqui é acelerar ao máximo assim que a posse é retomada e não dar tempo para que o adversário se reorganize.

O Internacional parte de um 4-4-2 inicial na marcação para fechar espaços e acelerar nos contra-ataques assim que a posse é retomada. Foto: Reprodução / Premiere / GE
O Internacional parte de um 4-4-2 inicial na marcação para fechar espaços e acelerar nos contra-ataques assim que a posse é retomada. Foto: Reprodução / Premiere / GE

Retomada a posse, o Colorado adota o segundo preceito defendido por “Chaco”: a busca pelo espaço entrelinhas. Alan Patrick joga com muita liberdade para circular por toda a intermediária de ataque. Com isso, Bruno Henrique e Maurício se juntam a Enner Valencia, Bustos e Wanderson num desdobramento para um 3-2-5 clássico. Não é por acaso que o gol de empate no Gre-Nal 441 sai de uma dessas jogadas.

Alan Patrick arrasta a marcação e Maurício (no quinteto de ataque) aparece no espaço vazio antes de marcar o gol de empate no Gre-Nal 441. Foto: Reprodução / Premiere / GE
Alan Patrick arrasta a marcação e Maurício (no quinteto de ataque) aparece no espaço vazio antes de marcar o gol de empate no Gre-Nal 441. Foto: Reprodução / Premiere / GE

A movimentação ofensiva ajuda na criação das jogadas e dá opção para que Maurício e Alan Patrick (a dupla responsável pela criação) consigam encaixar bons passes por dentro e por fora. Além disso, o time ganha amplitude com Bustos e Wanderson jogando como autênticos pontas. Há organização e muito comprometimento com o plano de jogo.

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Descobrindo as (muitas) opções táticas de Eduardo Coudet

A vantagem obtida pelo Imortal logo no começo do segundo tempo fez com que Coudet colocasse em prática algumas das suas variações. Com Renê se juntando a Vitão e Robert Renan na popular “saída de três”, e Lucas Alario no lugar de Bruno Henrique, o Internacional ganhou criatividade por dentro com Alan Patrick mais recuado. Além disso, a dupla de ataque ajudou a gerar superioridade numérica no setor ofensivo.

Alario se juntou a Enner Valencia no ataque, Alan Patrick ficou mais recuado e Maurício fez boa dupla com Bustos pelo lado direito. Foto: Reprodução / Premiere / GE
Alario se juntou a Enner Valencia no ataque, Alan Patrick ficou mais recuado e Maurício fez boa dupla com Bustos pelo lado direito. Foto: Reprodução / Premiere / GE

Com o empate e o recuo excessivo do Grêmio (num 4-5-1 que abriu espaços demais entrelinhas e abriu a defesa por conta das longas perseguições individuais), o técnico colorado mandou Bruno Gomes, Wesley, Rômulo e Lucca para o jogo e posicionou sua equipe de modo a explorar as deficiências do seu rival na cobertura desses espaços. Foi por isso que os donos da casa acharam tanto espaço às costas dos volantes e pelos lados.

Com Bruno Gomes, Wesley, Lucca e Rômulo em campo, Eduardo Coudet deu fôlego novo ao Inter e viu sua equipe explorar bem os espaços do rival. Foto: Reprodução / Premiere / GE
Com Bruno Gomes, Wesley, Lucca e Rômulo em campo, Eduardo Coudet deu fôlego novo ao Inter e viu sua equipe explorar bem os espaços do rival. Foto: Reprodução / Premiere / GE

Notem que o Internacional encontrou soluções, controlou as ações e manteve a força mental no primeiro compromisso contra um adversário do Brasileirão Série A. E logo num clássico dentro de um Beira-Rio lotado. Não só o resultado, mas a atuação coletiva e a superação das dificuldades podem sim dar confiança ao time nesse início de 2024.

Será que finalmente chegou a vez do Internacional sair da fila?

É possível afirmar sem medo que o escrete colorado parece no caminho certo para se colocar na briga por títulos importantes nessa temporada. O troféu do Gauchão depois de oito anos já seria excelente por evitar o heptacampeonato do rival e consolidar esse trabalho de Coudet. Do mesmo modo, uma boa campanha na Copa do Brasil (depois da eliminação para o Globo em 2022 e para o América-MG em 2023) também ajudaria nesse processo.

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O Internacional inicia sua caminhada no mata-mata nacional de 2024 nesta quarta-feira (28), diante do Asa de Arapiraca. O goleiro Rochet, o zagueiro Mercado e o atacante Enner Valencia são desfalques. Mesmo assim, a equipe parece mais concentrada e mais focada. Ainda mais sabendo que o “fantasma” da eliminação na primeira fase já assombrou o clube. Vencer (e bem) será fundamental.