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Testes na equipe e necessidade de ajustes marcam nova goleada da Seleção Feminina

Na coluna PAPO TÁTICO, Luiz Ferreira analisa a atuação da equipe comandada por Arthur Elias e a expectativa para os Jogos Olímpicos

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.
Testes na equipe e necessidade de ajustes marcam nova goleada da Seleção Feminina

A Seleção Feminina voltou a vencer a Jamaica nesta terça-feira (4). Foto: Lívia Villas Boas / CBF

Este colunista não esperava outra coisa além de uma nova vitória da Seleção Feminina sobre a Jamaica, nesta terça-feira (4). A atmosfera favorável na Arena Fonte Nova e superioridade técnica da equipe de Arthur Elias já falavam por si só antes da bola rolar. A goleada acabou sendo construída de forma natural.

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No entanto, a última partida antes da disputa dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 nos reservou muita coisa para análise além da grande festa em Salvador. O técnico brasileiro fez os seus testes, deu chances para jogadoras como Byanca Brasil e Laís Estevam e viu o seu time encontrar certa dificuldade em alguns momentos. Principalmente no controle da profundidade, o popular “correr para trás”, diante das bolas longas da Jamaica.

De fato, não foi algo que tenha comprometido a atuação geral da Seleção Feminina. Mas é algo que merece atenção, cuidado e ajustes para os próximos jogos, que serão contra a Nigéria, Espanha e Japão, pelas Olimpíadas de Paris. Seja como for, o saldo das duas partidas amistosas é bastante positivo.

Os pontos positivos e negativos da goleada sobre a Jamaica

Arthur Elias manteve o seu 4-4-2/4-2-4 costumeiro na Seleção Feminina, mas mexeu em quase todo o time que venceu a Jamaica na Arena Pernambuco. No entanto, o começo da partida nos mostrou que a equipe ainda peca pela falta de concentração e ainda comete erros no posicionamento. Não foram poucas as vezes em que Atlanta Primus, Kayla McKenna e Jody Brown tiveram espaço para circular entre as linhas brasileiras.

Organização da Seleção Feminina na defesa.
Debinha demora para fechar o espaço de Atlanta Primus e a dupla de ataque jamaicana encontra o espaço às costas da defesa brasileira. Foto: Reprodução / Youtube / Canal GOAT

Mesmo assim, não demorou muito para que a Seleção Feminina dominasse as ações e encaixasse a marcação. Com Byanca Brasil, que aproveitou bem a chance que teve, ao lado de Gabi Nunes no comando de ataque do ataque. A seleção de Arthur Elias se posicionou em 4-2-4 típico, ao estilo de equipes dos anos de 1960.

Por outro lado, Duda Sampaio e Laís Estevam apresentaram grande movimentação, promovendo o esquema tático a um 2-4-4 bem ofensivo nos momentos de posse de bola.

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Organização da Seleção Feminina num 2-4-4.
Laterais se alinham às volantes, dupla de ataque arrasta a zaga e as pontas abrem o corredor. O 4-2-4 de Arthur Elias virava um 2-4-4. Foto: Reprodução / Youtube / Canal GOAT

O gol marcado por Debinha, aos sete minutos de jogo, a chuva em Salvador e o clima de festa deixaram o jogo um pouco mais lento. A exceção era Byanca Brasil, que apresentou uma dupla precisa com Gabi Portilho pelo lado direito. As duas ganharam pontos com o técnico Arthur Elias.

O panorama mudou pouco após o intervalo. O Brasil se manteve jogando num 4-2-4 com a entrada de Jheniffer no lugar de Byanca Brasil e aumentou o placar aos 19 minutos em lance de puro oportunismo da camisa 26. No entanto, a Jamaica seguia encontrando espaços na última linha brasileira em bolas longas.

Jamaica aproveita o espaço entre laterais e zagueiras da Seleção Feminina.
Naya Cardoza recebe a bola e faz o lançamento do campo de defesa e encontra Kayla McKenna atacando o espaço entre Bruninha e Antônia. Foto: Reprodução / Youtube / Canal GOAT

As entradas de Marta e Cristiane deram mais experiência e mobilidade à Seleção Feminina. Enquanto a atacante do Flamengo arrastava a zaga e servia de referência no setor ofensivo, a nossa Rainha circulou bastante no espaço entrelinhas e deu opção de passe.

O lance do belo gol de Jheniffer nos mostra o volume ofensivo tão pedido por Arthur Elias. O técnico explorou a movimentação de volantes, laterais e meio-campo.

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Origem do lance do terceiro gol da Seleção Feminina.
Brena atrai a marcação, Cristiane segura a defesa e Jheniffer aparece na entrada da área. A Seleção Feminina teve bastante volume ofensivo. Foto: Reprodução / Youtube / Canal GOAT

Ainda houve tempo para Marta fazer o quarto gol da Seleção Feminina em cobrança de falta sofrida por Cristiane. Daí para o final da partida, o Brasil apenas administrou o resultado e fez a festa dos mais de trinta e um mil torcedores presentes na Arena Fonte Nova.

Apesar dos ajustes necessários, o saldo das duas partidas contra a Jamaica foi bastante positivo. O time se comportou bem e não comprometeu tanto na defesa. Mesmo assim, esse ainda não é o ideal.

Não esperem a mesma facilidade nos Jogos Olímpicos

Por mais que o Brasil tenha ido bem nesses dois amistosos, há uma certa preocupação para os adversário da seleção nos Jogos Olímpicos. A equipe do técnico Arthur Elias está em um grupo com a Espanha, atual campeã mundial, Japão e Nigéria. Os três jogos vão exigir muito do escrete canarinho em todos os aspectos. Principalmente no mental.

Esse talvez seja o principal motivo pelo qual o treinador do Brasil tenha deixado claro que conta com Marta e Cristiane. As duas possuem grande experiência e qualidade com a bola no pé.

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Por outro lado, a presença das duas veteranas em campo exige bem mais das outras jogadoras em matéria de marcação e movimentação sem bola. E isso pode contar muito contra adversários mais qualificados. Vamos torcer para que as coisas funcionem a partir do dia 25 de junho.

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