Guardiola pelo City. Foto: Mark Pain / Alamy Live News
A contratação de Marc Guéhi colocou o Manchester City em um patamar financeiro inédito desde a chegada de Pep Guardiola. Com o anúncio do zagueiro, capitão do Crystal Palace e presença constante na seleção inglesa, o clube ultrapassou a barreira dos 2 bilhões de euros gastos em reforços ao longo de quase dez temporadas sob o comando do treinador espanhol.
Desde julho de 2016, quando Guardiola assumiu o projeto esportivo no Etihad Stadium, a diretoria adotou uma política agressiva de mercado. Isso porque ao longo desse período, o City adquiriu 50 jogadores, distribuídos por todas as posições, sempre com foco em renovar o elenco e manter o padrão técnico exigido pelo treinador.
Um projeto construído com profundidade de elenco
Ao longo dos anos, o investimento não se concentrou apenas em estrelas ofensivas. Pelo contrário, o clube buscou equilíbrio. Foram contratados sete goleiros, nove zagueiros, nove laterais, sete volantes, cinco meias e 13 atacantes.
Logo no início da era Guardiola, chegaram nomes que se tornaram pilares do projeto. John Stones e Ilkay Gundogan abriram a lista de reforços e participaram diretamente da consolidação de um time dominante em nível nacional e continental. Sendo assim, outras peças se somaram, formando a base que culminaria na conquista da Champions League.
A contratação mais cara e os questionamentos
Em 2021, o City atingiu seu recorde individual de investimento ao contratar Jack Grealish por 117,5 milhões de euros. O meia-atacante teve papel relevante na temporada da Tríplice Coroa, porém, o valor pago ainda gera debates, sobretudo após sua saída por empréstimo nesta temporada. Mesmo assim, o movimento simboliza a disposição do clube em pagar alto por jogadores considerados estratégicos.
Reformulação e novas apostas para 2025/26
Para a atual temporada, a diretoria voltou a abrir os cofres. Chegaram nomes experientes e jovens promissores, como Gianluigi Donnarumma, Rayan Ait-Nouri, Tijjani Reijnders, Rayan Cherki e Antoine Semenyo. A chegada de Marc Guéhi, por cerca de 20 milhões de libras, fecha o pacote e atende a uma necessidade imediata do elenco.
Com as ausências de Rúben Dias, Josko Gvardiol e John Stones, todos entregues ao departamento médico, o defensor inglês surge como solução imediata. Além disso, a contratação reforça a política de investir em atletas já adaptados à Premier League, reduzindo o risco de adaptação.
Um modelo que sustenta competitividade constante
O volume de contratações reflete mais do que poder financeiro. Ele revela a continuidade de um projeto esportivo que privilegia intensidade, reposição constante e profundidade de elenco. Desta forma, ao longo dos anos, o City manteve competitividade em todas as frentes, mesmo diante de saídas importantes e mudanças geracionais.
Com Guéhi integrado, o clube amplia o leque de opções defensivas e reafirma o padrão adotado desde 2016: investir de forma contínua para sustentar um futebol de alto nível. Assim, a marca dos 2 bilhões de euros não surge como um ponto fora da curva, mas como consequência direta de uma estratégia que, temporada após temporada, busca manter o Manchester City no topo do futebol europeu.
Veja a lista de todos os reforços de Guardiola no City:
em milhões de euros
2016/17
Claudio Bravo (goleiro, Barcelona) – 18 milhões
John Stones (zagueiro, Everton) – 55,6 milhões
Oleksandr Zinchenko (lateral, Ufa) – 2,25 milhões
Ilkay Gundogan (meia, Borussia Dortmund) – 27 milhões
Leroy Sané (atacante, Schalke) – 52 milhões
Gabriel Jesus (atacante, Palmeiras) – 32 milhões
Nolito (atacante, Celta) – 18 milhões
Marlos Moreno (atacante, Atlético Nacional) – 5,5 milhões
2017/18
Ederson (goleiro, Benfica) – 40 milhões
Kyle Walker (lateral, Tottenham) – 52,7 milhões
Danilo (lateral, Real Madrid) – 30 milhões
Aymeric Laporte (zagueiro, Athletic Bilbao) – 65 milhões
Benjamin Mendy (lateral, Monaco) – 57,5 milhões
Douglas Luiz (volante, Vasco) – 12 milhões
Bernardo Silva (meia, Monaco) – 50 milhões
2018/19
Riyad Mahrez (atacante, Leicester) – 67,8 milhões
2019/20
Zack Steffen (goleiro, Columbus Crew) – 7 milhões
João Cancelo (lateral, Juventus) – 65 milhões
Pedro Porro (lateral, Girona) – 12 milhões
Angeliño (lateral, PSV) – 12 milhões
Rodri (volante, Atlético de Madrid) – 70 milhões
2020/21
Rúben Dias (zagueiro, Benfica) – 71,6 milhões
Nathan Aké (zagueiro, Bournemouth) – 45,3 milhões
Ferran Torres (atacante, Valencia) – 33,5 milhões
2021/22
Jack Grealish (atacante, Aston Villa) – 117,5 milhões
2022/23
Stefan Ortega (goleiro, Arminia Bielefeld) – sem custo
Manuel Akanji (zagueiro, Borussia Dortmund) – 20 milhões
Sergio Gómez (lateral, Anderlecht) – 15 milhões
Kalvin Phillips (volante, Leeds United) – 49 milhões
Erling Haaland (atacante, Borussia Dortmund) – 60 milhões
Julián Alvarez (atacante, River Plate) – 21,4 milhões
2023/24
Josko Gvardiol (zagueiro, Leipzig) – 90 milhões
Mateo Kovacic (volante, Chelsea) – 29 milhões
Matheus Nunes (volante, Wolverhampton) – 62 milhões
Claudio Echeverri (meia, River Plate) – 18,5 milhões
Jéremy Doku (atacante, Reims) – 60 milhões
2024/25
Abdukodir Khusanov (zagueiro, Lens) – 40 milhões
Vitor Reis (zagueiro, Palmeiras) – 37 milhões
Nico González (volante, Porto) – 60 milhões
Ilkay Gundogan (meia, Barcelona) – sem custo
Savinho (atacante, Girona) – 25 milhões
Omar Marmoush (atacante, Eintracht Frankfurt) – 75 milhões
2025/26
Gianluigi Donnarumma (goleiro, PSG) – 30 milhões
James Trafford (goleiro, Burnley) – 31,2 milhões
Marcus Bettinelli (goleiro, Chelsea) – 2,4 milhões
Marc Guehi (zagueiro, Crystal Palace) – 23 milhões
Rayan Ait-Nouri (lateral, Wolverhampton) – 36,8 milhões
Tijjani Reijnders (volante, Milan) – 55 milhões
Rayan Cherki (meia, Lyon) – 36,5 milhões
Antoine Semenyo (atacante, Bournemouth) – 72 milhões

