Casares em entrevista coletiva (Reprodução/YouTube)
A Polícia Civil conduz uma investigação que envolve duas frentes distintas de possíveis irregularidades financeiras no São Paulo. O inquérito apura tanto depósitos em dinheiro nas contas pessoais do presidente Julio Casares quanto uma série de saques em espécie realizados diretamente nas contas do clube, que somam valores expressivos ao longo dos últimos anos. A informação é do UOL.
Em um dos eixos da apuração, os investigadores analisam R$ 1,5 milhão depositados em dinheiro vivo nas contas do dirigente tricolor. Segundo relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) obtidos pela reportagem, essas movimentações ocorreram entre janeiro de 2023 e maio de 2025 e representam a principal fonte de renda declarada por Casares no período.
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Depósitos fracionados levantam alerta do Coaf
De acordo com os documentos, os valores foram depositados de forma fracionada, com diversas operações de pequeno montante realizadas no mesmo dia. Em um dos casos, houve até 12 depósitos consecutivos, totalizando R$ 49 mil, cifra logo abaixo do limite de R$ 50 mil, que aciona comunicação automática ao Coaf.
Esse padrão é classificado pelo órgão como “smurfing”, prática utilizada para tentar evitar sistemas de rastreamento financeiro. Em 2023, o banco responsável pelas contas emitiu um alerta formal ao Coaf, apontando movimentações consideradas fora do padrão habitual.
A defesa de Julio Casares afirma que a origem dos recursos é “lícita e legítima”, alegando que os valores se referem a bonificações por conquistas esportivas do São Paulo.
Uso da conta pessoal para despesas de terceiros
Ainda segundo a investigação, a conta do presidente teria sido utilizada para custear despesas de sua ex-esposa, Mara Casares. Ela ocupava cargos de diretora feminina, cultural e de eventos, além de conselheira do clube, mas se afastou das funções após a revelação de um esquema de exploração clandestina de camarotes no Morumbis, no qual seu nome foi citado ao lado de Douglas Schwartzmann.
Saques milionários nas contas do São Paulo entram na apuração
Paralelamente, a Polícia Civil também analisa 35 saques em dinheiro realizados nas contas do São Paulo entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, que totalizam R$ 11 milhões. O relatório do Coaf não detalha o destino final dos valores, o que reforçou a necessidade de aprofundamento das investigações.
A linha do tempo aponta R$ 1,5 milhão sacados em 2021, R$ 1,2 milhão em 2022, R$ 1,4 milhão em 2023, R$ 5,2 milhões em 2024 — o ano mais movimentado — e R$ 1,7 milhão em 2025.
Inicialmente, as retiradas foram feitas por um funcionário do clube. Posteriormente, o São Paulo passou a utilizar uma empresa de transporte de valores, movimento que, segundo os investigadores, pode ter como objetivo dificultar a identificação dos responsáveis pelo dinheiro.
Defesa de Casares solta nota oficial sobre o caso
Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam a defesa particular de Julio Casares, afirmam que todas as movimentações financeiras de Julio, contidas nos relatórios do COAF, possuem origem licita e legitima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.
Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração.
Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações – com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais – justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial.

