Bap cobra o elenco do Flamengo antes da final da Recopa
Reuniões no Ninho do Urubu expõem insatisfação da diretoria e revelam ambiente tenso às vésperas da decisão continental
Luiz Eduardo Baptista está otimista pela chegada de Lucas Paquetá( Foto Paula Reis/Flamengo)
O clima no Flamengo mudou nas últimas semanas. Mesmo após a vitória sobre o Madureira pelo Campeonato Carioca, o ambiente interno segue pressionado e marcado por cobranças diretas da diretoria. A proximidade da decisão da Recopa Sul-Americana elevou a tensão nos bastidores e aumentou a necessidade de respostas rápidas dentro de campo.
A avaliação interna aponta que o desempenho recente ficou abaixo das expectativas criadas no início da temporada. Por isso, dirigentes passaram a atuar de forma mais presente no cotidiano do futebol, buscando ajustes imediatos. O momento é tratado como decisivo para redefinir o rumo esportivo do clube nas próximas semanas.
Diretoria intensifica cobranças no centro de treinamento
Nos últimos dias, o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) visitou o Ninho do Urubu e participou de reuniões com integrantes do departamento de futebol. O dirigente conversou com a comissão técnica, com o diretor José Boto e também com jogadores do elenco principal.
As conversas aconteceram logo após o retorno da equipe da Argentina. A diretoria adotou um tom direto e cobrou melhora no desempenho coletivo. Internamente, o entendimento é que o investimento realizado exige resultados mais consistentes desde o início do ano.
Embora encontros entre presidência e comissão técnica ocorram regularmente, desta vez o diálogo foi mais firme. A sequência de atuações irregulares motivou questionamentos sobre rendimento, postura competitiva e organização tática da equipe.
Resultados recentes aumentam insatisfação interna
A perda da Supercopa do Brasil e o desempenho instável no Campeonato Carioca contribuíram para elevar o nível de cobrança. Dirigentes acreditam que o elenco possui qualidade suficiente para apresentar um futebol mais sólido. Por isso, a margem para oscilações diminuiu consideravelmente.
Além dos resultados, decisões internas também passaram a gerar desconforto. Parte dos atletas demonstra incômodo com mudanças no dia a dia e com a comunicação entre setores do clube. Esse cenário alterou a rotina no centro de treinamento e tornou o ambiente mais sensível.
A percepção entre jogadores é de que o diálogo poderia ser mais frequente em determinados momentos. Ao mesmo tempo, a direção entende que ajustes são necessários para recuperar competitividade rapidamente.
Participação direta da presidência gera impactos
Nos bastidores, a atuação mais ativa da presidência em decisões do futebol provocou desgaste pontual. O dirigente participou de negociações recentes e interferiu em definições estratégicas, incluindo a utilização antecipada do elenco principal em partidas do estadual.
Esse movimento gerou debates internos sobre autonomia e exposição pública. O técnico Filipe Luís chegou a lidar com questionamentos externos durante esse processo. Ainda assim, o clube tenta alinhar discursos para evitar novos ruídos em um momento decisivo.
A diretoria considera que a proximidade com o futebol ajuda a acelerar soluções. Já membros do elenco avaliam que o excesso de pressão pode influenciar o ambiente emocional do grupo.
Reação em campo vira prioridade antes da decisão
A vitória recente trouxe certo alívio momentâneo, mas não eliminou a tensão. Durante o jogo, jogadores comemoraram os gols de forma contida, refletindo o cenário vivido fora das quatro linhas. Nas arquibancadas, parte da torcida demonstrou cobrança antes mesmo do apito inicial.
Agora, o foco se volta para a final contra o Club Atlético Lanús, considerada internamente como ponto de virada possível. Um resultado positivo pode reduzir a pressão e reorganizar o ambiente. Por outro lado, um novo tropeço tende a ampliar questionamentos sobre o trabalho realizado.
Neste domingo, o Flamengo conseguiu vencer o Madureira por 3 a 0. O triunfo, portanto, fez Arrascaeta confiar na reação do Rubro-negro.

