Braz critica bastidores da saída de Filipe Luís e indica razão para demissão do técnico no Flamengo
Ex-dirigente afirma que relação com atual gestão já era desgastada e questiona forma como demissão foi conduzida
Marcos Braz quando era vice-Presidente do Flamengo. Foto: AGIF/Alamy Live News
O ex-vice-presidente de futebol do Flamengo, Marcos Braz, voltou a comentar os bastidores do clube e, desta vez, criticou diretamente a forma como a diretoria conduziu a saída do técnico Filipe Luís. Durante participação no programa “Bola da Vez”, da ESPN, ele detalhou o contexto da decisão e apontou fatores internos que, segundo ele, pesaram mais do que o desempenho em campo.
Além disso, Braz destacou que a relação entre o treinador e a atual gestão já apresentava sinais de desgaste desde o início. Dessa forma, a demissão não teria sido um fato isolado, mas sim o desfecho de um cenário construído ao longo do tempo.
Incômodo interno influenciou decisão
De acordo com Braz, a diretoria atual nunca se sentiu totalmente confortável com a permanência de Filipe Luís. Isso porque o treinador chegou ao clube durante a gestão anterior, comandada por Rodolfo Landim.
Nesse sentido, o ex-dirigente afirmou que o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já demonstrava incômodo com essa situação. Assim, a continuidade do técnico passou a enfrentar resistência nos bastidores, o que enfraqueceu sua posição internamente.
“Já era um desconforto enorme para a diretoria ter um técnico com o ‘carimbo’ da gestão anterior”, afirmou.
Com isso, Braz deixou claro que a questão política teve peso relevante. Portanto, mesmo com resultados positivos, o treinador não contava com respaldo suficiente para se manter no cargo.
Momento da demissão gera questionamentos
Além de criticar os bastidores, Braz também questionou o momento escolhido para a demissão. Afinal, o desligamento ocorreu logo após uma goleada expressiva sobre o Madureira, o que indicava um cenário esportivo favorável.
Por isso, na avaliação dele, a decisão poderia ter sido tomada em outro contexto. Ele reconheceu que o presidente tem autonomia para agir, mas reforçou que a condução poderia ter sido mais equilibrada.
“Talvez, eu acho que foi uma situação que não deveria ou precisaria ser tomada nesse momento (…) poderia ter sido construída de uma maneira diferente”, declarou.
Dessa maneira, o ex-dirigente sugere que faltou planejamento na execução da mudança. Ao mesmo tempo, ele indica que o clube poderia ter preservado melhor a imagem do treinador.
Comparação com caso de Rogério Ceni
Na sequência, Braz relembrou a demissão de Rogério Ceni, ocorrida em 2021, quando ele ainda fazia parte da diretoria. Segundo ele, naquela ocasião, optou por agir de forma mais direta e transparente.
Inclusive, ele contou que foi pessoalmente à casa do treinador durante a madrugada para comunicar a decisão. O objetivo, segundo explicou, era evitar qualquer tipo de constrangimento no dia seguinte.
“Eu não queria deixar ele dar o treino para, depois, fazer o que já estava decidido”, afirmou.
Com esse exemplo, Braz reforça a importância de uma comunicação clara. Além disso, ele indica que decisões difíceis podem ser conduzidas com mais respeito e cuidado.
Trajetória e posicionamento após saída
Marcos Braz deixou o Flamengo no fim de 2024, após participar de um dos períodos mais vitoriosos da história recente do clube. Desde então, ele passou a atuar fora da diretoria, mas continua acompanhando de perto os acontecimentos.
Posteriormente, assumiu uma função no Remo, onde trabalhou até janeiro deste ano. Após o acesso da equipe, ele encerrou seu ciclo no clube.
Agora, mesmo fora do dia a dia do futebol rubro-negro, Braz mantém uma postura ativa ao comentar decisões importantes. Dessa forma, suas declarações seguem repercutindo, especialmente quando envolvem bastidores e escolhas estratégicas do Flamengo.

