Talles Magno pelo Corinthians. Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena)
Uma disputa judicial envolvendo o Corinthians pode ampliar significativamente o valor de débitos relacionados a intermediações de jogadores. O empresário Carlos Leite entrou na Justiça de São Paulo contestando números apresentados pelo clube no Regime de Centralização de Execuções (RCE).
A contestação foi protocolada por meio da empresa RC Consultoria e Assessoria Esportiva. Na petição, o agente questiona a quantia registrada pelo clube nas planilhas entregues ao tribunal responsável pelo processo.
De acordo com o documento, o Corinthians teria informado um valor inferior ao que realmente seria devido. Com base em contratos apresentados pela empresa, o montante reconhecido pelo empresário supera com folga o número indicado pelo clube.
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Diferença nos valores pode ultrapassar R$ 30 milhões
Nos registros enviados ao tribunal, o Corinthians apontou que a dívida relacionada à RC Consultoria seria de R$ 11.768.632,66. A defesa de Carlos Leite, no entanto, sustenta que há um documento que garante o pagamento de R$ 25.461.461,74.
Esse valor, segundo a petição apresentada, ainda precisaria passar por atualizações monetárias e incidência de juros. Como a última atualização ocorreu em agosto de 2024, o montante já ultrapassaria a marca de R$ 30 milhões atualmente.
De acordo com os advogados da empresa, o valor correto seria cerca de R$ 15 milhões superior ao indicado pelo clube, o que representa aproximadamente 120% a mais do que consta nas planilhas oficiais.
Na ação judicial, o empresário argumenta que houve erro na lista de credores apresentada no processo.
“Conclui-se, pois, existir equívoco no valor constante da relação de credores apresentada pela Administradora Judicial, relativamente à impugnante. A correta quantificação do crédito é pressuposto essencial para a legalidade do regime”, afirmou Carlos Leite no documento enviado à Justiça.
Honorários e correções ampliam cobrança judicial
Além do valor principal, o processo também prevê o pagamento de honorários advocatícios. O advogado Gustavo Pinheiro, que representa a empresa no caso, tem direito a uma remuneração equivalente a 10% do montante cobrado.
Na prática, isso acrescentaria aproximadamente R$ 2,5 milhões à dívida discutida no processo. Somando os valores atualizados e as taxas previstas, a cobrança ligada à RC Consultoria pode alcançar cerca de R$ 30 milhões.
Os débitos questionados têm origem em negociações antigas envolvendo diversos jogadores que passaram pelo Corinthians. Entre os nomes citados estão Cássio, Fágner, Renato Augusto, Gil e Elias.
Também aparecem nas intermediações negociações relacionadas a Mateus Vital, Fellipe Bastos, Ramon Motta e Matheus Matias.
Outras ações podem ampliar valor total da disputa
O processo envolvendo a RC Consultoria não é o único ligado ao empresário. Carlos Leite também possui outra ação na Justiça por meio da empresa B & C Consultoria, que pode resultar em cobrança próxima de R$ 35 milhões.
Esse valor ainda pode sofrer atualização com juros e encargos legais. Além disso, outra empresa ligada ao agente, a SC & PB Consultoria Assessoria Esportiva, apresentou recentemente uma cobrança adicional de aproximadamente R$ 10 milhões. Esse último valor ainda não consta oficialmente na lista de débitos do RCE.
Considerando todos os processos em andamento relacionados ao empresário e empresas associadas, a soma das cobranças pode chegar a cerca de R$ 80 milhões dentro do regime judicial que organiza o pagamento das dívidas do clube.
Corinthians calcula perdas potenciais acima de R$ 700 milhões
No mesmo processo, o Corinthians apresentou à Justiça um levantamento amplo sobre ações judiciais que tramitam contra o clube. De acordo com as planilhas anexadas ao RCE, o total de perdas consideradas prováveis ultrapassa R$ 700 milhões.
Entre os débitos apontados estão cobranças de empresários, ex-jogadores e diferentes credores ligados ao futebol. Somente em disputas envolvendo agentes esportivos, o valor estimado gira em torno de R$ 300 milhões. O documento foi anexado ao processo.
O clube confirmou a existência das planilhas, mas explicou que os números representam apenas projeções processuais. De acordo com a posição oficial apresentada, os valores não correspondem necessariamente a dívidas definitivas, pois dependem do resultado das ações judiciais em andamento.
Plano prevê pagamento das dívidas ao longo de dez anos
O plano de pagamento do RCE já recebeu aprovação do tribunal. A execução deve ser ainda no mês de março. A proposta prevê quitação gradual das dívidas com base em percentuais da receita do clube.
No primeiro ano após a homologação, o Corinthians destinará 4% de suas receitas para pagar os credores. Em seguida, esse percentual aumentará para 5% no segundo ano e chegará a 6% no terceiro.

