Ex-jogador da base do Santos cobra mais de R$ 100 milhões do clube na justiça
Ação movida por Tairon Trajano ganha novo valor após determinação da Justiça para detalhamento financeiro dos pedidos
Presidente do Santos, Marcelo Teixeira, discursa em apresentação de Neymar. (Foto: Ricardo Moreira/Getty Images)
Uma disputa judicial envolvendo um ex-atleta das categorias de base do Santos Futebol Clube ganhou novos contornos após a atualização do valor da causa. O processo, que inicialmente ultrapassava R$ 30 milhões, passou a somar mais de R$ 104 milhões após determinação da Justiça para que todos os pedidos fossem detalhados financeiramente.
O autor da ação, Tairon Trajano, afirma que teve a carreira interrompida por sucessivas lesões sofridas enquanto atuava pelo clube. Segundo ele, falhas no acompanhamento e cláusulas contratuais consideradas abusivas resultaram em prejuízos permanentes, tanto profissionais quanto pessoais.
Justiça determina atualização e amplia valor da causa
A mudança no valor ocorreu depois que o juiz Fabrício Stendard, da 3ª Vara Cível de Santo Amaro, em São Paulo, exigiu que a defesa atribuísse valores específicos a todos os pedidos apresentados na ação. Até então, parte das solicitações não possuía estimativa econômica definida.
Na decisão, o magistrado estabeleceu prazo para que o autor corrigisse a petição inicial e ajustasse o valor total do processo. Com a inclusão de indenizações detalhadas e cálculos atualizados, a cobrança chegou a R$ 104.486.542,64.
Mesmo com a cifra elevada, o ex-jogador classificou o montante como simbólico, alegando que representa a dimensão dos prejuízos acumulados ao longo dos anos.
Indenizações incluem lucros cessantes e danos diversos
Grande parte do valor reivindicado está relacionada aos chamados lucros cessantes. Tairon pede R$ 26,4 milhões por entender que perdeu a oportunidade de se tornar atleta profissional após as lesões. Ele sustenta que o clube teria responsabilidade pelo encerramento precoce de sua trajetória no futebol.
Além disso, o processo inclui R$ 5 milhões por danos materiais e outros R$ 2 milhões por perdas e danos, ligados a negociações que não teriam avançado com outras equipes. O ex-atleta também cobra valores relacionados a gastos com preparação física, estimados em R$ 4,1 milhões.
A ação ainda menciona indenizações vinculadas ao seguro previsto pela Lei Pelé, calculadas em R$ 10,5 milhões, além de R$ 15,9 milhões pelo que define como rompimento definitivo da carreira esportiva. Multas contratuais e outros pedidos completam a composição do valor final apresentado à Justiça.
Pedido de segredo de Justiça após ameaças
Após a divulgação do caso pela imprensa, a defesa do ex-jogador informou ao Judiciário que ele passou a receber ameaças e críticas nas redes sociais. Segundo os advogados, torcedores tiveram acesso aos dados pessoais do autor por meio do processo público.
Diante da situação, a equipe jurídica solicitou que a ação passe a tramitar sob segredo de Justiça. Os representantes afirmam que mensagens intimidatórias continuam ocorrendo, ainda que de forma indireta.
Até o momento, o Santos não comentou oficialmente o caso.
Trajetória no clube e origem da disputa
De acordo com o processo, Tairon Trajano ingressou nas categorias de base do clube em 2018, aos 13 anos. Naquele período, ele disputou a Copa Ouro e terminou a competição como artilheiro, o que aumentou a expectativa sobre sua evolução no futebol.
Ainda naquele ano, porém, sofreu uma grave lesão no joelho durante treinamentos e precisou passar por cirurgia. Após se recuperar, assinou contrato como atleta do clube, mas voltou a se machucar poucos meses depois, exigindo novo procedimento cirúrgico.
O ex-jogador afirma que enfrentou outra cirurgia ao completar 16 anos, novamente no mesmo joelho. Segundo ele, as lesões deixaram sequelas permanentes que dificultaram a continuidade da carreira.
Alegações sobre contrato e tratamento médico
Na ação, o autor afirma que recebia cerca de R$ 4 mil mensais ainda na base, valor descrito como bolsa atleta e auxílio moradia após a formalização contratual. Ele sustenta que o acordo continha cláusulas consideradas desproporcionais, com penalidades direcionadas apenas ao jogador.
O processo também relata despesas médicas contínuas com fisioterapia, exames e acompanhamento físico ao longo dos anos. Tairon afirma que tentou oportunidades em outros clubes, mas teria sido recusado devido às cicatrizes das cirurgias e a informações negativas que, segundo ele, foram repassadas durante avaliações.

