Home Futebol Ministério Público investiga pagamentos em espécie feitos pelo Corinthians a ex-chefe da segurança

Ministério Público investiga pagamentos em espécie feitos pelo Corinthians a ex-chefe da segurança

Valores superam R$ 3,4 milhões e foram entregues durante as administrações Andrés e Duilio

Por Douglas Nunes em 04/03/2026 15:57 - Atualizado há 2 horas

Duilio quando Presidente do Corinthians. Foto: Caior Rocha/Sport Press Photo

O Corinthians entrou na mira do Ministério Público após repassar mais de R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo a João Odair de Souza, conhecido como Caveira. Ele comandou o setor de segurança do clube entre 2018 e 2023.

As transferências ocorreram nas gestões de Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves. No entanto, grande parte dos valores não apresentou comprovação formal por meio de notas fiscais ou recibos. Por isso, o MP decidiu aprofundar a investigação.

Promotoria recalcula valores e amplia apuração

Depois que o clube encaminhou planilhas com os registros das retiradas, o promotor responsável pelo caso analisou os dados e atualizou os montantes pela inflação. Com a correção, a cifra ultrapassa R$ 7,3 milhões.

Além disso, os documentos mostram que houve dias com mais de uma retirada. Em determinados casos, os valores chamam atenção pelo volume. Em outros, aparecem quantias menores, o que indica movimentação frequente ao longo dos anos.

Diante desse cenário, a Promotoria tenta identificar a destinação exata dos recursos e verificar se houve irregularidades administrativas ou criminais.

Ex-funcionário confirma saques e explica dinâmica

Em conversa com a imprensa, Caveira admitiu que operava pagamentos em espécie enquanto ocupava o cargo. Segundo ele, o clube precisava contratar seguranças autônomos para jogos, eventos internos e momentos de tensão, como protestos no CT.

Ele afirmou que muitos profissionais atuavam como freelancers e, em vários casos, eram policiais em horário de folga. Por esse motivo, segundo sua versão, não havia emissão de nota fiscal. Ainda de acordo com o ex-chefe da segurança, ele também utilizava parte do dinheiro para despesas operacionais de menor valor.

Além disso, Caveira declarou que sempre apresentou relatórios ao departamento financeiro e ressaltou que nunca sofreu questionamentos do Conselho Fiscal durante o período em que trabalhou no clube.

Investigação envolve outros ex-funcionários

Paralelamente, o Ministério Público também analisa repasses feitos a outros funcionários na mesma época. Entre eles está Denilson Grillo, ex-motorista ligado à gestão Duilio, que recebeu mais de R$ 1,2 milhão em espécie ao longo de três anos.

Os investigadores suspeitam que empresas de fachada possam ter sido utilizadas para justificar parte das despesas. Assim, a apuração busca esclarecer se houve desvio de recursos e apontar possíveis responsabilidades.

Enquanto isso, Caveira já figura como investigado em um dos inquéritos em andamento. Contudo, até o momento, ele ainda não prestou depoimento formal às autoridades.

Dessa forma, o caso segue sob análise do Ministério Público, que agora cruza documentos, planilhas e movimentações financeiras para concluir a investigação.

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