Presidente do Flamengo vê avanço por liga única e marca reunião decisiva com clubes da Libra
Bap aponta reaproximação com a Libra, cita papel da CBF e indica novo momento nas negociações do futebol brasileiro
Luiz Eduardo Baptista recebeu líderes de outros clubes ( Foto Paula Reis/Flamengo)
A possibilidade de criação de uma liga única no futebol brasileiro voltou ao centro das discussões. Depois de meses marcados por conflitos e disputas judiciais, dirigentes passaram a adotar um discurso mais conciliador. O movimento ganhou força após uma nova rodada de conversas entre clubes da Libra e o Flamengo, que sinaliza uma mudança de cenário nos bastidores.
O presidente do clube carioca, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, confirmou que haverá uma reunião no dia 6 de abril, no Rio de Janeiro. O encontro deve reunir representantes de diferentes blocos e pode servir como ponto de partida para um projeto mais amplo de organização do futebol nacional. A iniciativa também conta com o envolvimento da CBF, vista como peça importante no processo.
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Reaproximação muda ambiente entre os clubes
Nos últimos meses, o clima entre os integrantes da Libra e o Flamengo foi de forte tensão. O clube chegou a recorrer à Justiça por discordar da divisão das receitas de transmissão, o que ampliou o distanciamento entre as partes. Agora, no entanto, os sinais apontam para uma retomada do diálogo.
Bap indicou que os clubes passaram a enxergar o cenário de forma mais pragmática. Segundo ele, as diferenças continuam existindo, mas já não impedem conversas mais produtivas. “Nunca estive tão otimista”, afirmou o dirigente, ao comentar o momento atual das negociações.
Além disso, a recente assembleia realizada na sede do clube carioca funcionou como um primeiro passo para reconstruir relações. Dirigentes de equipes como Palmeiras, Bahia e São Paulo participaram do encontro, que abriu espaço para novas articulações.
Disputa por receitas ainda é ponto sensível
Apesar do avanço nas conversas, o impasse sobre a divisão das receitas segue como tema central. Isso porque o modelo atual prevê três critérios principais, que envolvem divisão igualitária, desempenho esportivo e audiência. Este último item concentra a maior parte das divergências.
O Flamengo defende ajustes na forma como a audiência é calculada. O clube argumenta que o modelo carece de maior clareza e detalhamento. Por outro lado, parte dos integrantes da Libra entende que os critérios já foram aprovados anteriormente e não deveriam sofrer mudanças significativas.
A disputa chegou ao Judiciário em 2025, quando o clube carioca questionou os termos do acordo. Segundo Bap, o processo ajudou a reforçar a posição do Flamengo. Ele afirma que outros clubes passaram a reconsiderar alguns pontos após o desenrolar da ação.
Papel da CBF ganha destaque nas negociações
Outro elemento que ganhou força nas discussões foi a presença da CBF. De acordo com Bap, a entidade pode atuar como mediadora em um cenário marcado por interesses distintos. Ele destacou que as diferenças entre clubes de diferentes divisões exigem uma coordenação mais ampla.
O dirigente também citou mudanças recentes na estrutura do futebol brasileiro. “Pela situação dos clubes de diferentes séries, com realidades muito diferentes, tem que ter a participação da CBF, que tem feito um trabalho muito bacana nos últimos seis meses. Muitas coisas que deviam ter sido mexidas nos últimos 20 anos estão sendo agora: arbitragem, profissionalização”
Nova reunião pode definir próximos passos
A reunião marcada para abril surge como um momento importante dentro desse processo. A expectativa é de que o encontro funcione como um ponto de partida para decisões mais concretas. Ainda assim, não há garantia de consenso imediato.
Nos bastidores, dirigentes tratam o encontro como uma oportunidade para alinhar interesses e reduzir ruídos. A presença de diferentes blocos indica uma tentativa de aproximação mais ampla. Ao mesmo tempo, a memória recente de conflitos ainda influencia as negociações.
Enquanto isso, o Flamengo mantém a postura de defender ajustes no modelo atual. O clube, por sua vez, também demonstra disposição para negociar. Esse equilíbrio entre firmeza e diálogo tende a marcar os próximos capítulos dessa discussão.

