Sabino (São Paulo) em partida contra o Internacional, no dia 1 de abril de 2026 (Crédito: Associated Press / Alamy Stock Photo)
O São Paulo Futebol Clube vive um momento decisivo nos bastidores. Uma nova proposta de fornecimento esportivo colocou em discussão o futuro da parceria atual e provocou divisão interna. De um lado, a New Balance tenta renovar o vínculo. Do outro, a Penalty surge como concorrente direta com números relevantes.
A situação ganhou força nas últimas semanas e passou a ser tratada como estratégica dentro do clube. Além dos valores envolvidos, a decisão também impacta planejamento, marketing e até o posicionamento da marca nos próximos anos. A negociação tem grande peso devido a situação econômica do São Paulo.
Proposta da Penalty entra no jogo
A investida da Penalty ocorreu ainda em fevereiro e chamou atenção pelos valores apresentados. Segundo apuração, a empresa colocou na mesa cerca de R$ 40 milhões anuais, considerando luvas e variáveis. Além disso, ofereceu R$ 14 milhões na assinatura do contrato.
No entanto, ao retirar os bônus por metas, o valor fixo cai para aproximadamente R$ 28 milhões por temporada. Dessa forma, o acordo total seria estimado em cerca de R$ 210 milhões até 2032.
Mesmo assim, a proposta é vista como competitiva em determinados aspectos. Principalmente porque inclui bônus mais agressivos por desempenho, ainda que com limite inferior ao modelo atual.
New Balance mantém vantagem financeira
Enquanto isso, a New Balance segue em posição mais confortável. O contrato atual prevê uma garantia mínima de R$ 40 milhões por ano. Com o cumprimento de metas, esse valor pode alcançar até R$ 60 milhões por temporada.
Além disso, o acordo inclui cerca de R$ 17 milhões em luvas, distribuídos ao longo do vínculo. No total, o pacote pode atingir aproximadamente R$ 307 milhões, superando a oferta concorrente.
Outro ponto relevante está na participação do clube nas vendas. O São Paulo mantém receita direta com produtos e conta com garantia mínima anual, o que reforça a segurança financeira do contrato.
Diferenças vão além dos números
Apesar da vantagem financeira, o debate interno não se limita aos valores. Há questões operacionais e estratégicas que pesam na decisão.
Por um lado, o modelo da New Balance permite maior controle do clube sobre lojas e distribuição. Isso garante autonomia e participação mais ativa nas receitas.
Por outro, a Penalty propõe centralizar essas operações. Essa mudança pode reduzir ganhos diretos do São Paulo, estimados em cerca de R$ 2,5 milhões por ano. Ainda assim, há quem veja benefícios em uma gestão mais integrada da marca.
Conselho dividido e pressão por decisão
Diante desse cenário, o Conselho Deliberativo se encontra dividido. Parte dos membros defende a continuidade com a atual fornecedora, destacando estabilidade e crescimento da parceria.
Por outro lado, há quem enxergue na proposta da Penalty uma oportunidade de reavaliar o modelo. Especialmente em um momento financeiro delicado, qualquer ajuste pode impactar o futuro do clube.
Além disso, a decisão ganha peso por outro motivo. O contrato em discussão pode se estender até 2032, incluindo o centenário do São Paulo, em 2030. Isso amplia ainda mais a responsabilidade sobre a escolha.
Cenário segue indefinido nos bastidores
Enquanto as conversas avançam, nenhuma definição foi tomada até agora. A diretoria segue analisando números, cláusulas e projeções antes de bater o martelo.
Ao mesmo tempo, o ambiente político influencia diretamente o processo. Mudanças recentes na gestão aumentaram o nível de cautela e reforçaram a necessidade de consenso interno.

