Vasco avança por venda da SAF e acordo gera divisão nos bastidores
Pedrinho encaminha negociação para vender 90% da SAF do Vasco a Marcos Lamacchia, enquanto cláusulas do contrato provocam tensão política no clube.
Pedrinho, presidente do Vasco (Crédito: Divulgação/Vasco)
O Vasco avançou nas negociações para a venda de 90% da SAF e já prepara os próximos passos para concluir a operação. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Diogo Dantas, de O Globo, o presidente Pedrinho encaminhou a aceitação da proposta apresentada pelo empresário Marcos Lamacchia. Apesar do avanço, a movimentação provocou debates internos e aumentou a tensão política nos bastidores do clube.
A proposta movimenta cifras bilionárias e pode representar uma mudança estrutural no futuro vascaíno. Ao mesmo tempo, dirigentes ligados ao clube demonstram preocupação com algumas condições previstas no contrato, especialmente após a experiência turbulenta com a gestão anterior da SAF.
Proposta para a SAF do Vasco prevê operação bilionária
As conversas entre as partes acontecem desde o fim de 2025. Nos últimos dias, novas reuniões aproximaram o acordo e deixaram o memorando de entendimento perto de ser assinado.
O projeto prevê uma operação que pode atingir R$ 2,5 bilhões. Desse valor, R$ 500 milhões seriam destinados como aporte imediato. Além disso, a proposta inclui a absorção de uma dívida estimada em aproximadamente R$ 1,3 bilhão.
Outro ponto importante envolve investimentos futuros na estrutura do clube. O planejamento prevê até R$ 150 milhões direcionados aos centros de treinamento, além de repasses anuais próximos de R$ 20 milhões para o clube social.
Com isso, a ideia é ampliar a capacidade financeira do Vasco e reorganizar áreas consideradas estratégicas.
José Roberto Lamacchia aparece como avalista do negócio
Um dos pontos que chamaram atenção durante as negociações envolve a estrutura financeira apresentada para garantir a operação. Segundo informações dos bastidores, José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa e marido de Leila Pereira, participaria como avalista do projeto.
O empresário, pai de Marcos Lamacchia, colocaria seu patrimônio pessoal como garantia financeira do acordo. A medida busca fortalecer a segurança da operação e oferecer respaldo econômico à proposta.
Nos bastidores, a participação de um nome ligado a um dos maiores grupos financeiros do país ampliou a repercussão da negociação.
Cláusulas do contrato provocam resistência interna
Apesar da evolução das tratativas, parte da diretoria demonstra resistência ao modelo proposto. Entre os principais questionamentos está a autonomia prevista para a futura gestão da SAF.
Além disso, uma cláusula específica passou a ser alvo de debates internos. O documento impediria o clube associativo de tentar retomar judicialmente ações da SAF no futuro.
O tema ganhou peso porque o Vasco enfrentou um cenário semelhante após o rompimento da relação com a 777 Partners. Por isso, dirigentes entendem que o assunto exige cautela.
A avaliação interna é que qualquer limitação futura precisa ser analisada com atenção antes da assinatura definitiva.
Próximos passos passam pelos sócios do Vasco
Mesmo com Pedrinho disposto a avançar, a conclusão do processo ainda depende de etapas importantes. Após a assinatura do memorando, a proposta precisará passar por votação em Assembleia Geral.
Enquanto isso, grupos políticos do clube começaram a se movimentar nos bastidores. O tema já interfere no cenário das eleições previstas para novembro.
Por isso, a discussão deixou de ser apenas financeira. A negociação da SAF passou a ocupar espaço central no futuro político e esportivo do Vasco, ampliando o clima de expectativa dentro e fora do clube.

