Árbitro é considerado um dos melhores da África (Crédito: Ulrik Pedersen/Cal Sport Media via AP Images/Alamy Live News)
O árbitro Omar Artan não poderá realizar o sonho de participar da Copa do Mundo de 2026 dentro de campo. No entanto, mesmo após ser impedido de entrar nos Estados Unidos, o profissional somali receberá integralmente a remuneração prevista para os árbitros convocados para a competição.
Fontes ligadas à FIFA confirmaram a decisão, que representa um gesto de reconhecimento à trajetória do árbitro, responsável por ganhar destaque internacional nos últimos anos.
Dessa forma, embora não possa atuar em nenhuma partida do torneio, Artan não sofrerá prejuízos financeiros relacionados à convocação para o Mundial.
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Omar Artan foi barrado ao desembarcar nos Estados Unidos
O episódio ocorreu na última segunda-feira, quando Omar Artan chegou ao Aeroporto Internacional de Miami para integrar a equipe de arbitragem da Copa do Mundo.
Segundo o próprio árbitro, as autoridades de imigração americanas o interrogaram por cerca de 11 horas antes de informarem que haviam negado sua entrada no país.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa internacional, a decisão estaria relacionada a uma suposta associação com pessoas investigadas por ligação ao grupo extremista Al Shabab, organização que atua na Somália.
Entretanto, o árbitro negou qualquer envolvimento com o caso:
– Eu tinha toda a documentação correta. Tinha o visto adequado. Sou apenas um árbitro tentando realizar o maior sonho da minha vida, que era participar de uma Copa do Mundo.
Fifa prestou apoio após a deportação
Após a negativa das autoridades americanas, as autoridades colocaram Omar Artan em um voo com destino à Turquia.
Ao chegar a Istambul, o profissional recebeu apoio de representantes da Fifa, que acompanharam sua situação antes de sua viagem de retorno para Mogadíscio, capital da Somália.
Apesar do impacto da decisão, a entidade máxima do futebol optou por preservar todos os direitos financeiros do árbitro.
Além disso, pessoas ligadas aos bastidores interpretaram a medida como uma forma de reconhecer que fatores externos provocaram o impedimento, sem qualquer relação com seu desempenho profissional.
Como funciona o pagamento dos árbitros da Copa
Os árbitros convocados para a Copa do Mundo recebem remunerações calculadas de acordo com diferentes critérios. Entre eles estão a função exercida durante o torneio e a quantidade de partidas trabalhadas ao longo da competição.
Normalmente, a organização do Mundial processa os pagamentos após o encerramento do torneio. No caso de Omar Artan, porém, a Fifa decidiu manter a remuneração prevista mesmo sem a participação efetiva em jogos da competição.
Assim, o árbitro receberá os valores correspondentes à sua convocação, apesar de não integrar a escala de nenhuma partida.
Carreira de destaque levou somali à Copa
A ausência de Artan chama atenção justamente pelo momento vivido em sua carreira.
Aos 34 anos, a Confederação Africana de Futebol elegeu o árbitro como o melhor da categoria masculina em 2025, consolidando seu nome entre os principais profissionais da arbitragem africana.
Além disso, tornou-se referência em seu país ao alcançar feitos inéditos para árbitros somalis.
Primeiro somali a apitar uma final continental
O reconhecimento internacional de Omar Artan cresceu significativamente em junho de 2025.
Na ocasião, ele se tornou o primeiro árbitro da Somália a comandar uma final continental ao apitar a decisão da Liga dos Campeões da África entre Pyramids FC e Mamelodi Sundowns.
O desempenho naquela partida fortaleceu sua reputação e ajudou a garantir sua convocação para a Copa do Mundo de 2026.

