Danley Jean Jacques pelo Haiti. Foto: Fred Kfoury III/Icon Sportswire
Quando Brasil e Haiti entrarem em campo nesta sexta-feira (19), pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026, o jogo terá uma história curiosa nos bastidores. Quatro jogadores da seleção haitiana possuem uma conexão em comum com o país pentacampeão mundial.
O goleiro Josué Duverger, o lateral-direito Carlens Arcus, o meio-campista Danley Jean Jacques e o atacante Derick Etienne passaram pela Academia Pérolas Negras, projeto social criado por brasileiros no Haiti em meio a uma das fases mais difíceis da história recente do país.
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Como surgiu a relação entre Brasil e Haiti
A aproximação entre os dois países ganhou força em 2004. Naquele ano, o Haiti enfrentava uma grave crise política após a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide.
Diante do cenário de instabilidade, o Brasil assumiu o comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). A operação internacional permaneceu no país até 2017.
Na mesma época, a ONG Viva Rio iniciou trabalhos humanitários em território haitiano. O objetivo era atuar em áreas como saúde, educação e segurança. Porém, o esporte rapidamente se tornou um dos principais instrumentos de integração social.
Em seguida, a Seleção Brasileira visitou Porto Príncipe para disputar o histórico “Jogo da Paz”. A partida reuniu milhares de pessoas nas ruas da capital haitiana e fortaleceu ainda mais os laços entre os dois países. Foi nesse ambiente que nasceu a Academia Pérolas Negras.
O que é a Academia Pérolas Negras
Desde a criação, o projeto nunca teve apenas o futebol como prioridade. Os jovens atendidos pela Academia Pérolas Negras passaram a receber acompanhamento educacional, suporte nutricional, assistência médica e atendimento fisioterápico. A proposta era oferecer oportunidades para adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Com o passar dos anos, a iniciativa expandiu suas atividades. Em 2016, ganhou uma sede no Rio de Janeiro e passou a disputar competições oficiais no futebol brasileiro.
Inicialmente, os elencos eram formados por haitianos e refugiados. Depois, o clube iniciou sua consolidação no cenário estadual.
Em 2017, conquistou a antiga quarta divisão do Campeonato Carioca e iniciou a trajetória profissional. Atualmente, disputa a Série A2 do Campeonato Carioca e mantém categorias de base filiadas à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.
Quem são os quatro jogadores do Haiti formados pelo projeto
Josué Duverger
Aos 25 anos, o goleiro faz parte da geração que passou pela Academia Pérolas Negras ainda em território haitiano. Na Copa do Mundo de 2026, aparece como uma das opções para a posição na seleção caribenha.
Carlens Arcus
Experiente, o lateral-direito de 29 anos atua no futebol francês. Antes de construir carreira na Europa, também passou pelo projeto brasileiro no Haiti.
Atualmente, Arcus defende o Angers e é uma das lideranças da seleção haitiana.
Danley Jean Jacques
Entre os quatro nomes, Danley Jean Jacques se tornou o principal destaque. Isso porque o meio-campista de 26 anos atua pelo Philadelphia Union, nos Estados Unidos, e se consolidou como peça importante da seleção haitiana.
Sua ligação com o Brasil é ainda mais forte. Depois da formação inicial no Pérolas Negras, ele atuou no Rio de Janeiro e participou da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2017. Posteriormente, construiu carreira na França, onde vestiu a camisa do Metz.
Derick Etienne
O atacante também teve parte do processo de formação ligado ao projeto criado pela Viva Rio.
Atualmente está no futebol norte-americano e integra o elenco principal da seleção haitiana na Copa do Mundo.

