Assessor de Gianni Infantino pede demissão e aumenta pressão sobre plano da FIFA
Plano já havia causado pressão da UEFA, que prometeu boicote aos torneios da FIFA
Copa do Mundo terá ingressos disponíveis na quarta (1º) (AP Photo/Noah K. Murray, File)
Carlos Cordeiro, um dos assessores mais próximos do presidente da FIFA, Gianni Infantino, anunciou nesta sexta-feira (31) sua renúncia ao cargo. O ex-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos explicou que decidiu deixar a entidade por discordar do projeto que prevê a venda de uma participação comercial da Copa do Mundo para investidores privados. A saída acontece em meio ao aumento da pressão de confederações continentais contra a proposta e amplia a crise nos bastidores da FIFA.
Cordeiro rompe com Infantino e critica projeto
Carlos Cordeiro anunciou sua saída por meio de uma publicação no LinkedIn. Logo no início da mensagem, ele explicou que não poderia continuar ocupando o cargo diante dos acontecimentos dos últimos dias.
“Após cuidadosa reflexão, não posso mais continuar no meu cargo de assessor sênior do presidente da FIFA. Portanto, apresentei minha renúncia com efeito imediato”, escreveu.
Na sequência, ele afirmou que não participou da elaboração da proposta defendida por Gianni Infantino e fez questão de se distanciar do projeto.
“Não estive de forma alguma envolvido nesta proposta e a rejeito veementemente. É um mau negócio para as federações membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro do esporte a longo prazo”, declarou.
Ex-assessor diz que FIFA não precisa vender ativos
Cordeiro também rebateu um dos principais argumentos usados pela FIFA para justificar a entrada de investidores privados. De acordo com ele, a entidade já possui recursos suficientes para financiar o crescimento do futebol.
“A FIFA já possui recursos financeiros excepcionais. A organização tem bilhões em reservas e não possui dívidas”, afirmou.
O ex-dirigente lembrou ainda que a própria entidade divulgou receitas de aproximadamente US$ 15 bilhões entre 2022 e 2026. Por isso, ele considera injustificável abrir mão de parte do principal patrimônio comercial da organização.
“Não faz sentido vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US$ 4,2 bilhões. Isso hipoteca o futuro do futebol sem um bom motivo”, escreveu.
Carta cobra transparência da FIFA
Além das críticas ao projeto, Cordeiro afirmou que a FIFA ainda não explicou pontos considerados fundamentais da proposta.
Em sua carta, ele questionou por que o acordo precisa acontecer agora, quem realmente será beneficiado, como funcionará a governança da nova empresa e se houve um processo transparente para escolher os investidores.
“Por que este acordo? Por que agora? Quem se beneficia? Houve um processo de licitação? O que os investidores ganharão no final das contas e a que custo para o futebol?”, perguntou.
Para ele, as federações estão sendo pressionadas a tomar uma decisão histórica sem informações suficientes. “Esta não é uma maneira responsável de decidir o futuro do futebol mundial”, criticou.
AFC aumenta pressão sobre Infantino
Enquanto Cordeiro deixava a FIFA, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) reforçou a resistência ao plano de Infantino. A entidade divulgou um comunicado em apoio às posições já adotadas pela UEFA e pela Concacaf.
“A AFC se solidariza com a UEFA e a Concacaf e expressa sérias preocupações em relação à proposta da FIFA de introduzir investimento privado nas principais competições da associação”, afirmou a confederação.
A entidade asiática também criticou a forma como o projeto foi conduzido. De acordo com a nota, uma proposta dessa dimensão não deveria ser construída sem a participação das confederações, das federações nacionais e até mesmo do Conselho da FIFA.
Pressão cresce antes da votação
A FIFA estabeleceu o dia 19 de setembro como prazo para que as federações se posicionem sobre a proposta. Como incentivo, a entidade prometeu um pagamento de US$ 20 milhões para cada associação que aprovar a criação da FIFA Forward Enterprise.
Mesmo assim, a resistência cresce a cada dia. UEFA, Concacaf e AFC já demonstraram forte oposição ao projeto. Juntas, as três confederações representam 135 das 211 federações filiadas à FIFA.
Antes de encerrar sua carta, Cordeiro fez um último apelo aos dirigentes da entidade. “A responsabilidade da FIFA não é maximizar os lucros comerciais a qualquer custo. É proteger e fortalecer o futebol para as futuras gerações. Quando esses princípios entram em conflito, o futebol deve vir em primeiro lugar.”

