John Textor está cada vez mais longe do Botafogo (Crédito: Alamy Live News)
O Botafogo vive um dos momentos mais delicados desde a criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O clube associativo notificou oficialmente a Eagle Football, empresa de John Textor, alegando o descumprimento de uma obrigação prevista no acordo firmado em 2022 e afirmando que passou a deter 51% das ações da SAF por meio da ativação de um bônus de subscrição previsto em contrato.
A medida representa uma reviravolta na disputa pelo controle do futebol alvinegro. Além disso, o documento acusa a Eagle de ter simulado o pagamento de um aporte de R$ 100 milhões, utilizando operações financeiras que, segundo o Botafogo, configuram atos “simulados e fraudulentos”.
Botafogo questiona falta de aporte
De acordo com documento obtido pelo UOL, o impasse envolve a terceira parcela do investimento previsto no acordo de acionistas assinado em 2022.
Segundo o Botafogo, a Eagle não cumpriu a obrigação de aportar R$ 100 milhões na SAF. Embora as transferências tenham sido registradas formalmente, o clube sustenta que os recursos retornaram ao grupo de John Textor poucos dias depois por meio de empréstimos ao Lyon, da França, também controlado pelo empresário norte-americano.
Conforme a notificação, a operação ocorreu em duas etapas. Em março de 2024, o Lyon transferiu R$ 58,8 milhões para a SAF do Botafogo como integralização de capital. No mesmo dia, porém, R$ 10 milhões voltaram ao clube francês na forma de empréstimo.
Posteriormente, em abril, o Lyon enviou mais R$ 55 milhões, além de R$ 677 mil, completando os R$ 100 milhões previstos no contrato. No entanto, segundo o Botafogo, esses valores também retornaram poucos dias depois ao clube francês por meio de novas operações de empréstimo. Portanto, a empresa não cumpriu a obrigação contratual.
Clube aciona bônus de subscrição e declara controle da SAF
Com base nessa interpretação, o Botafogo decidiu exercer o chamado bônus de subscrição, mecanismo previsto no acordo de acionistas para casos de inadimplência.
Na visão do clube, a cláusula altera imediatamente a composição societária da SAF. Assim, a participação do associativo subiria de 10% para 51%, enquanto a fatia da Eagle cairia de 90% para 49%.
A notificação foi assinada pelo presidente João Paulo Magalhães e enviada à Cork Gully, empresa responsável pelo processo de liquidação da Eagle Bidco, no Reino Unido.
GDA pode assumir o controle do Botafogo
Além da disputa com a Eagle, o documento também interfere nas negociações envolvendo a GDA, empresa liderada por Gabriel de Alba, que vinha tratando da compra da SAF.
Segundo o entendimento do Botafogo, com o bônus de subscrição acionado, o clube passa a ter o direito de vender 41% das ações para a GDA por um valor previamente definido em contrato.
Ao mesmo tempo, a Eagle ficaria obrigada a vender seus 49% restantes pelo mesmo preço. Sendo assim, a GDA passaria a controlar 90% e o Botafogo associativo ficaria com 10%.
Disputa pode terminar na Justiça
Apesar da posição adotada pelo Botafogo, o caso ainda está longe de um desfecho. Isso porque a Eagle pode contestar tanto a acusação de fraude quanto a validade da ativação do bônus de subscrição.
Assim, a disputa deve seguir pelos caminhos jurídicos e societários. Enquanto isso, permanece a incerteza sobre quem exercerá efetivamente o controle da SAF nos próximos meses.
A decisão poderá ter impacto direto no futuro administrativo e financeiro do Botafogo, além de influenciar o andamento das negociações envolvendo novos investidores.

