Pedrinho no Vasco. Foto: Fabio Giannelli/AGIF/Alamy
O Vasco encontrou um novo obstáculo para conseguir o empréstimo de até R$ 150 milhões solicitado dentro de sua recuperação judicial. A juíza Simone Gastesi Chevrand determinou novas diligências antes de analisar a operação e, com isso, aumentou a preocupação sobre o caixa do clube nas próximas semanas.
A situação também pode atingir diretamente o planejamento do futebol. O Vasco ainda busca reforços no mercado, mas a janela fecha em 11 de setembro. Como parte das análises determinadas pela Justiça pode levar pelo menos 15 dias, existe a possibilidade de o dinheiro não estar disponível a tempo para novas contratações.
Vasco prevê déficit de R$ 300 milhões em 2026
No pedido apresentado à Justiça, Vasco e Vasco SAF projetaram aproximadamente R$ 500 milhões em receitas contra R$ 800 milhões em despesas neste ano. Portanto, a diferença prevista chega a R$ 300 milhões.
Além disso, o clube calcula que precisará de aproximadamente R$ 150 milhões em liquidez até 31 de outubro. Até dezembro, essa necessidade pode alcançar R$ 210 milhões.
O dinheiro do novo DIP Financing serviria para manter as operações e pagar compromissos como salários, direitos de imagem, impostos, fornecedores e obrigações relacionadas à própria recuperação judicial.
A urgência aumentou porque, segundo o Vasco informou no processo, os recursos disponíveis em caixa podem se esgotar já nesta quinta-feira.
Justiça quer saber como Vasco utilizou empréstimo anterior
Antes de permitir um novo endividamento, porém, a juíza quer analisar as contas do clube. Uma das determinações envolve justamente o DIP anterior, de R$ 40 milhões, realizado em 20 de julho.
Chevrand pediu que o cartório verifique se o Vasco já apresentou a prestação de contas desse dinheiro. Caso exista um processo específico sobre o tema, ele também deverá ser encaminhado para análise.
Além disso, a magistrada abriu espaço para que credores e órgãos responsáveis pela fiscalização da recuperação judicial se manifestem. Administradora Judicial, Watchdog, Gatekeeper e Ministério Público estão entre as partes que deverão participar do processo antes de uma decisão.
Empréstimo pode chegar depois do fechamento da janela
O calendário virou outro problema para o Vasco. A juíza determinou a realização da auditoria e estabeleceu prazo de 15 dias para a apresentação de pelo menos um relatório sumário.
Depois disso, outras etapas ainda podem ser necessárias. Em determinados casos, todo o procedimento pode levar cerca de 30 dias.
Por isso, mesmo que o empréstimo seja posteriormente autorizado, o Vasco corre o risco de receber os recursos somente depois do fechamento da janela de transferências. Isso limita a margem da diretoria justamente enquanto o clube tenta reforçar o elenco.
Venda da SAF também aguarda análise
Ao mesmo tempo, a Justiça continua acompanhando o processo criado para buscar um novo investidor para a SAF do Vasco.
A proposta apresentada prevê a Almirante Capital como “stalking horse”, ou seja, o investidor de referência da operação. O compromisso inicial seria de R$ 500 milhões, além da previsão de investimentos adicionais de até R$ 300 milhões por ano durante cinco anos.
Chevrand, no entanto, decidiu aguardar a manifestação do Gatekeeper antes de avançar nessa frente. O órgão também terá acesso aos documentos sigilosos necessários para avaliar a operação.
Assim, o Vasco enfrenta duas questões financeiras importantes ao mesmo tempo: precisa conseguir recursos de curto prazo para manter o caixa e, paralelamente, tenta avançar no processo que pode definir um novo controlador para sua SAF.

