Pedrinho, em registro ao lado de Leila Pereira (Crédito: Reprodução/Instagram)
O Vasco enfrenta um momento delicado em sua recuperação judicial e pode sofrer uma pressão ainda maior caso não consiga liberar um empréstimo de R$ 150 milhões negociado com a Almirante Participações. A empresa pertence a Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
A preocupação está relacionada à capacidade financeira do clube para manter seus compromissos. Segundo Henrique Fragoso, advogado que representa 53 credores trabalhistas no processo, a falta dos recursos poderia levar credores a questionarem a continuidade da recuperação judicial e, em um cenário mais grave, até apresentarem pedidos de falência. A informação é do UOL.
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Vasco precisa de dinheiro para manter pagamentos
O risco de falência, entretanto, ainda é considerado prematuro pelos especialistas. A situação poderia se agravar principalmente se o clube começar a atrasar salários, pagamentos aos credores ou outras obrigações previstas no plano de recuperação judicial.
– O descumprimento das obrigações fará com que muitas pessoas questionem o andamento da recuperação judicial. Haverá pessoas pedindo a falência. É prematuro chegar a esse ponto agora, mas haverá um desgaste processual grande – afirmou Fragoso ao portal.
Além disso, Daniel Villas Boas, especialista em recuperação judicial, também considera possível que credores recorram à Justiça caso o Vasco deixe de cumprir os pagamentos. No entanto, um eventual pedido não significaria a falência imediata do clube.
– O Vasco teria direito de se defender, e a Justiça precisaria analisar os pedidos antes de qualquer decisão. Os pedidos serão processados, o Vasco vai se defender e apresentar as teses jurídicas que considerar cabíveis. Não há um cenário de falência no dia seguinte a um requerimento. Isso será objeto de discussão judicial – explicou Villas Boas.
Caixa pode durar somente até o fim de agosto
A situação financeira aumenta a urgência pela liberação do financiamento. O Vasco teria recursos em caixa para cumprir suas obrigações somente até 31 de agosto. A partir de setembro, portanto, a entrada de novos valores será fundamental para manter os pagamentos.
Diante desse cenário, Fragoso estuda apresentar uma medida para tentar acelerar o processo. O objetivo é evitar impactos tanto na recuperação judicial quanto no pagamento dos funcionários.
Justiça exige auditoria antes de liberar R$ 150 milhões
O clube estruturou o empréstimo como um financiamento DIP, modalidade destinada a empresas que estão em recuperação judicial e precisam de dinheiro novo para continuar funcionando.
Apesar da aprovação do financiamento em assembleia, a juíza Simone Gastesi Chevrand, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, solicitou uma auditoria independente e mais esclarecimentos sobre as projeções financeiras apresentadas pelo clube. Consequentemente, a exigência pode atrasar a entrada dos R$ 150 milhões.
Para Villas Boas, a cautela da Justiça é compreensível, mas a demora representa um risco diante da situação financeira do clube.
– A cautela da juíza não deve ser condenada, mas a decisão cria obstáculos que podem ser prejudiciais. Se o clube só tem dinheiro até agosto, a demora pode produzir impactos na estabilidade financeira e inviabilizar a operação no curto prazo – afirmou.
Empréstimo tem relação com venda da SAF
A operação também está ligada à possível venda do controle da SAF do Vasco. A Almirante Participações negocia a aquisição de 90% das ações de uma nova empresa que concentraria a operação do futebol. No entanto, a Justiça demonstrou preocupação com o fato de o grupo interessado na SAF também figurar como credor do clube.
Considerando operações anteriores e o novo financiamento, as dívidas relacionadas ao grupo poderiam chegar a R$ 270 milhões. O valor inclui o DIP de R$ 80 milhões da Crefisa, o empréstimo de R$ 40 milhões concedido pela Almirante em julho e a nova operação de R$ 150 milhões.

