Atacante e técnico entraram em polêmica na seleção de Portugal (Crédito: Cornelius Poppe/NTB/Alamy Live News)
A utilização de Cristiano Ronaldo contra a Dinamarca ainda é uma incógnita. Antes do confronto desta quinta-feira, Jorge Jesus voltou a falar sobre a decisão de não utilizar o capitão português na vitória por 2 a 1 sobre a Noruega e garantiu que não houve qualquer conflito entre os dois.
Segundo o treinador, a ausência do atacante já estava prevista antes mesmo da partida. Jorge Jesus afirmou que conversou com Cristiano Ronaldo e estabeleceu um planejamento específico para os dois compromissos, levando em consideração o histórico físico do jogador.
A decisão também não significou que o camisa 7 estivesse completamente descartado durante o duelo. O técnico explicou que poderia recorrer ao atacante caso o andamento da partida exigisse uma mudança, mas acabou optando por não fazê-lo.
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Planejamento começou antes do jogo
Jorge Jesus explicou que sua decisão não surgiu como consequência de algum episódio envolvendo Cristiano Ronaldo. Pelo contrário, o treinador afirmou que já conhecia as características físicas do atacante desde o período em que os dois trabalharam juntos no Al-Nassr, da Arábia Saudita.
– É verdade que falei com ele. Criamos um plano, como com Bruno Fernandes, e disse ao Cris que não jogaria nem contra a Noruega nem contra a Dinamarca. Porque trabalhei com o Cris durante um ano. Não cheguei à seleção há apenas três meses e passei a conhecê-lo de repente. Conheço perfeitamente o estado físico dele – disse.
O técnico português explicou ainda que costumava controlar a participação de Cristiano Ronaldo quando havia uma sequência apertada de partidas na Arábia Saudita. De acordo com Jorge Jesus, o atacante também seguia uma rotina específica nos treinamentos após os jogos:
– Eu já sabia, na Arábia Saudita, quando havia jogos a cada três dias, que o Cris raramente jogava. Além disso, o Cris nunca treina no primeiro ou no segundo dia depois de um jogo. Nunca. Falei sobre isso com ele.
Treinador reforça que decide as escalações
Cristiano Ronaldo foi titular na primeira partida de Jorge Jesus à frente de Portugal, na vitória sobre o País de Gales. Na partida seguinte, entretanto, o atacante acompanhou do banco os 90 minutos contra a Noruega.
Mesmo tendo participado do aquecimento durante o segundo tempo, o camisa 7 não entrou em campo. A escolha ganhou espaço na imprensa portuguesa e provocou especulações sobre uma possível insatisfação do jogador.
Jorge Jesus, porém, rejeitou essa interpretação. Para o técnico, Cristiano Ronaldo simplesmente cumpriu o planejamento estabelecido antes da partida.
– Posso prometer o que eu quiser. Sou o treinador e disse ao jogador que ele não iria jogar. “Vou levar você para o banco. Se precisar de você por 30 minutos, você vai jogar. Se não precisar, não vai jogar.” As regras são iguais para todos. Nunca nenhum jogador vai mudar as minhas ideias. Nem ele, nem ninguém no futebol. Nem presidente nenhum. Nunca. Zero – esbravejou.
O treinador ainda revelou que chegou a cogitar a entrada de Cristiano Ronaldo nos minutos finais contra a Noruega. No entanto, o desenvolvimento do jogo mudou essa possibilidade:
– Eu tinha combinado com ele que não jogaria esses dois jogos, mas talvez até pudesse ter precisado dele nos minutos finais. Só que o jogo me disse outra coisa e eu não o coloquei. Esse é o ponto principal.
Cristiano Ronaldo pode entrar contra a Dinamarca
Embora tenha afirmado que o planejamento inicial previa a ausência do atacante também diante da Dinamarca, Jorge Jesus não confirmou que Cristiano Ronaldo ficará novamente no banco. O treinador deixou a possibilidade de utilização aberta e condicionou a entrada do capitão ao que acontecer durante o confronto.
– Se precisar dele, ele entra. Se não precisar dele, não entra. Vai depender do jogo.
Capitão teria aceitado decisão, diz Jorge Jesus
Além de negar qualquer problema com o atacante, Jorge Jesus afirmou que Cristiano Ronaldo não contestou a escolha da comissão técnica. O treinador citou uma fala do próprio jogador para sustentar que o capitão está disposto a cumprir qualquer função determinada pela equipe.
– Ele disse: “Se for para jogar, se for para ficar no banco, eu fico. O que o treinador quiser”. Nunca recusou nada. Foi isso que aconteceu – revelou.
Portugal enfrenta a Dinamarca nesta quinta-feira, no terceiro compromisso de Jorge Jesus no comando da seleção. Até agora, o treinador venceu os dois jogos disputados, contra País de Gales e Noruega.
Agora, resta saber se o planejamento será mantido ou se as circunstâncias da partida levarão Cristiano Ronaldo a entrar em campo.

