FIFA confirma registros para o clube. Foto: Edson De Souza/TheNEWS2 via ZUMA Press Wire/Alamy Live news
Grêmio sofreu mais dois transfer bans da FIFA e chegou a três punições ativas que impedem o registro de novos jogadores. Os novos bloqueios começaram na segunda-feira (26), segundo o Ge. As medidas permanecem em vigor até a revogação mediante pagamento.
A dupla de sanções se soma ao impedimento aplicado em 9 de outubro pela dívida na contratação de Miguel Monsalve. O colombiano, de 22 anos, chegou em julho de 2024, vindo do Independiente Medellín. Porém, atualmente, está emprestado ao Estudiantes, da Argentina.
O valor cobrado pelo clube colombiano seria de aproximadamente R$ 2 milhões, de acordo com a GZH. Na compra, o Tricolor acertou cerca de US$ 2 milhões por 50% dos direitos econômicos do meia, cerca de R$ 10,9 milhões.
Três transfer bans do Grêmio
Confira abaixo os três registros para o futebol masculino do clube gaúcho:
| Punição | Início | Duração |
|---|---|---|
| Registro anterior, ligado à contratação de Monsalve | 9 de outubro de 2026 | Três períodos de registro |
| Primeiro novo bloqueio | 26 de outubro de 2026 | Até a revogação |
| Segundo novo bloqueio | 26 de outubro de 2026 | Até a revogação |
Além disso, o bloqueio relacionado a Monsalve pode ser encerrado antes das três janelas com a quitação da dívida. Para as novas punições, a possibilidade de retirada mediante pagamento. Desta forma, a punição bloqueia a inscrição de novos atletas em transferências nacionais e internacionais.
A regra ainda alcança jogadores profissionais e amadores, dentro do âmbito da sanção aplicada. O retorno aos registros depende do cumprimento da medida ou de sua retirada pela entidade. Para o planejamento esportivo, isso significa que uma negociação acertada não coloca, por si só, o reforço à disposição.
Enquanto houver um impedimento aplicável em vigor, o Grêmio seguirá sem conseguir inscrever o jogador. Resolver uma cobrança isolada deixa pendentes os demais bloqueios.
Grêmio depende de autorização da Anresf
Vale lembrar que o Grêmio enfrenta um bloqueio preventivo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) desde 25 de agosto. O órgão independente, criado pela CBF para fiscalizar o fair play financeiro, exige autorização prévia para novas contratações.
Isto é, a medida decorreu de um plano apresentado à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para pagar quase R$ 16 milhões em 23 processos, no prazo de 60 meses. O procedimento configura Evento de Insolvência no regulamento brasileiro. A liberação exige saldo positivo com transferências na janela.
Portanto, os gastos com contratações, taxas e comissões precisam ficar limitados à arrecadação. A folha mensal de atletas e comissão técnica não pode superar a média dos seis meses anteriores ao Evento de Insolvência.
Cobranças com prazos
Em 19 de outubro, a Anresf estabeleceu prazo de 45 dias para o pagamento de débitos com Capivariano e Votuporanguense, sob pena de proibição de registrar atletas. Outra obrigação, recebeu prazo de 15 dias úteis, com previsão de multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento.
Desta forma, o cenário exige a retirada das punições internacionais e o cumprimento das condições impostas pela agência brasileira.
Corte de gastos reduziu déficit
O cenário de restrições acompanha a tentativa de reorganização financeira da gestão de Odorico Roman. A GZH registrou déficit de R$ 33 milhões entre abril e junho, ante R$ 124 milhões no primeiro trimestre de 2026. Com isso, o resultado negativo somado dos dois períodos chegou a R$ 157 milhões.
Contudo, a redução trimestral foi de 73%, ou seja, a folha salarial do elenco caiu 18%. O resultado inicial do ano havia sido impactado pelo reconhecimento contábil de rescisões, cujos pagamentos se estendem por três anos, segundo o Ge. Já a receita de desporto, que inclui vendas de atletas, cresceu 54,8% na comparação entre os trimestres.
Por outro lado, o custo do setor recuou 27,3%. Os indicadores mostram o efeito das medidas de ajuste, porém os bloqueios de outubro evidenciam pendências ainda capazes de limitar o mercado gremista. Os próximos passos para liberar reforços passam pela regularização das cobranças e pela retirada dos impedimentos correspondentes.

