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São Paulo é acionado na Justiça por R$ 524 mil após venda de Lucas Ferreira

O valor do pagamento atrasado não foi contestado pelo clube paulista

Gabrielle Junqueira
Gabrielle Junqueira possui cerca de sete anos de experiência na área de jornalismo, com ênfase na produção de conteúdo para rádio, televisão e portais de notícias nacionais e internacionais. Formada em Jornalismo com ênfase em Multimídia pelo Centro Universitário UNA no ano de 2020. Atualmente, sua atividade principal reside na análise de partidas e do desempenho de equipes em seus respectivos campeonatos ao redor do mundo. Em sua trajetória profissional, Gabrielle também teve a oportunidade de atuar em meios de comunicação como a Associação Mineira de Rádio e Televisão (AMIRT), atendendo a mais de 400 emissoras do Estado.
São Paulo é acionado na Justiça por R$ 524 mil após venda de Lucas Ferreira

Lucas Ferreira foi vendido pelo São Paulo ao Shakhtar Donetsk. Foto: William Oliveira/Alamy Live News

O São Paulo enfrenta uma ação judicial movida pelo Boavista SAF. O clube do Rio de Janeiro cobra R$ 524.899,61 pela transferência de Lucas Ferreira ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. A cobrança envolve a última parcela de um acordo firmado entre os times após a negociação do atacante, realizada em agosto de 2025 por €10 milhões, cerca de R$ 57,2 milhões.

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A informação foi divulgada nesta sexta-feira (16) pelo jornalista Pedro Lopes, do UOL. O processo tramita na 1ª Vara Cível do Foro Regional do Butantã, na capital paulista. O Boavista alega que possui direito a 20% do valor líquido da transferência, mas não recebeu integralmente a quantia prevista.

O caso ganhou novos desdobramentos após o São Paulo apresentar sua defesa em setembro. O Tricolor não contestou o valor cobrado, mas argumentou que a discussão deveria ocorrer na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), vinculada à CBF, e não na Justiça comum.

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São Paulo deixou de pagar última parcela

Desta forma, a cobrança começou após o São Paulo receber, em 4 de fevereiro de 2026, a segunda parcela da transferência de Lucas Ferreira. O pagamento feito pelo Shakhtar Donetsk correspondia a aproximadamente R$ 11,7 milhões. Três semanas depois, o departamento financeiro informou ao Boavista que o repasse seria de R$ 2,1 milhões.

Inclusive, a quitação do montante previa quatro prestações, entre março e junho. Com isso, o clube carioca aceitou as condições. Assim, o São Paulo cumpriu os três primeiros pagamentos, porém não depositou a quarta parcela, com vencimento em 10 de junho de 2026. Sem receber o dinheiro, o Boavista enviou uma notificação extrajudicial em julho.

No entanto, a tentativa de resolver a pendência não teve resposta, levando a SAF a recorrer à Justiça. Em agosto, a magistrada responsável pelo processo determinou o pagamento em até 15 dias. Porém, a Justiça rejeitou o pedido de bloqueio de receitas provenientes da CBF, da Federação Paulista de Futebol e dos direitos de transmissão do São Paulo.

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A avaliação foi de que não havia elementos para demonstrar risco de dilapidação patrimonial. Além disso, a divergência envolve a competência para analisar a disputa. Na defesa, o São Paulo sustentou que o caso deveria ser encaminhado à CNRD, que é o órgão da CBF especializado na resolução de conflitos do futebol brasileiro.

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Já o Boavista contestou nesta semana. A SAF argumentou que a ação trata de uma obrigação financeira e que o contrato firmado estabelece a Justiça de São Paulo como foro responsável. Uma análise jurídica do portal Migalhas destaca que a atuação da CNRD depende de uma convenção válida entre as partes. A ação permanece sem decisão definitiva.

Boavista manteve 20% dos direitos

Vale lembrar que a relação envolvendo os direitos econômicos do atacante começou em julho de 2021. Na ocasião, o São Paulo cedeu 35% dos direitos de Lucas Ferreira ao clube que então se chamava Esporte Clube Barreira, posteriormente identificado como Boavista.

Em dezembro de 2024, o Tricolor recomprou 15% desses direitos por R$ 600 mil, divididos em dez prestações de R$ 60 mil. O Boavista permaneceu com 20% do valor líquido de uma eventual transferência, documento assinado por Julio Casares, Sérgio Pimenta, Carlos Belmonte e Douglas Schwartzmann.

Oito meses depois, em agosto de 2025, o São Paulo negociou Lucas Ferreira com o Shakhtar Donetsk. O contrato estabeleceu €10 milhões fixos, divididos da seguinte maneira:

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  • €3 milhões: após o registro do atacante no futebol ucraniano;
  • €2 milhões: até 31 de janeiro de 2026;
  • €2 milhões: até 31 de julho de 2026;
  • €3 milhões de euros: até 15 de dezembro de 2026.

O acordo prevê ainda até €2 milhões em bônus, condicionados à classificação do Shakhtar para a Champions League e à participação mínima de 60% nas partidas estabelecidas. Aliás, a negociação assegurou ao São Paulo 10% da mais-valia em uma eventual revenda.

A ação atual pode não representar o último desdobramento financeiro da transferência, visto que o contrato garante ao Boavista 20% do valor líquido de cada pagamento feito pelo Shakhtar Donetsk, incluindo eventuais bônus. Portanto, os repasses não se limitam à parcela que originou a cobrança judicial.

Já a terceira prestação da transferência, de €2 milhões, tinha vencimento previsto para 31 de julho. Já a última, de €3 milhões, está programada para 15 de dezembro de 2026. Até o momento, não há confirmação, nas informações sobre a ação, de novos atrasos relacionados a essas duas parcelas.

Outro ponto merece atenção é que o Shakhtar inscreveu Lucas Ferreira na fase de liga da Champions League 2026/27. Entretanto, não comprova isoladamente o cumprimento das condições contratuais para o pagamento do bônus. A participação exigida do jogador também precisa ser considerada.

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Venda envolveu R$ 11,8 milhões em intermediação

A cobrança surge em meio a um cenário financeiro que já vinha pressionando o São Paulo. Um levantamento publicado pelo GE, com base no balanço financeiro de 2025, revelou que a negociação de Lucas Ferreira foi a transferência com o maior gasto de intermediação do clube naquele ano, sendo R$ 11,8 milhões.

Contudo, o Tricolor registrou R$ 283 milhões em receitas com negociações de atletas em 2025, contra R$ 93 milhões em 2024. As despesas totais com intermediação também aumentaram, passando de R$ 4 milhões para R$ 31 milhões.

Apesar de encerrar 2025 com superávit de R$ 56 milhões e reduzir dívida total para R$ 858 milhões, o clube teve o balanço reprovado pelo Conselho Deliberativo, por 210 votos a 24. A situação financeira continuou produzindo consequências em 2026. O São Paulo acumulou atrasos nos direitos de imagem e enfrentou novas restrições para registrar atletas.

Quem é Lucas Ferreira?

Natural de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, Lucas Ferreira nasceu em 28 de abril de 2006 e passou pelas categorias de base do Americano, Flamengo e Boavista antes de chegar ao São Paulo, em 2021. Em Cotia, conquistou cinco títulos, incluindo a Copa do Brasil Sub-20 de 2024 e a Copinha de 2025.

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O atleta também foi eleito o melhor jogador da Dallas Cup Sub-19 de 2024. Logo, foi promovido ao elenco profissional em 2025, disputando 23 partidas, com um gol marcado e uma assistência. Mas, após perder espaço com Hernán Crespo, foi negociado, assinando contrato até junho de 2030.

A transferência, inicialmente vista como uma oportunidade de arrecadação para o São Paulo, permanece ligada a compromissos financeiros entre os clubes. Por fim, o próximo capítulo depende da decisão judicial sobre a competência para julgar a cobrança. Paralelamente, o vencimento de dezembro mantém aberta a discussão sobre os repasses.

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