Externando seu apoio para Jair Bolsonaro, Neymar desencadeou uma grande discussão dentro e fora das redes sociais. Por conta disso, a emissora RMC Sport ouviu Jean-Baptiste Guégan, especialista em geopolítica do esporte, que tentou explicar a postura do craque. Na visão do profissional, o camisa 10 do PSG está de olho na possibilidade do presidente ser um aliado em uma questão financeira importante com a Justiça do Brasil.
“Para Neymar, há um lado oportunista. Sabemos que ele é conservador e que teve uma reunião com seus representantes e Bolsonaro para a questão tributária. Além disso, quando falamos de Neymar, não devemos considerá-lo como um jogador de futebol, mas como um expatriado milionário. Ele irá, portanto, para aqueles que fiscal e economicamente vão em sua direção.“, afirmou.
Neste cenário, Neymar está ciente que a reeleição de Bolsonaro será importante para seu caso. Caso o candidato seja derrotado, a situação que corre nos tribunais pode ter outro destino, motivo pelo qual há interesse de ambos os lados no apoio, tendo em vista a legião de fãs do craque.
“Com Lula, seu caso tributário será tratado de forma diferente. Hoje, ele é um sonegador de impostos. Ele teria que pagar o que deve. Com Bolsonaro, em troca de apoio público, ele sabe muito bem que sua dívida provavelmente será reduzida. Estamos diante de uma mistura bastante bizarra entre os negócios da família Neymar, o apoio público e político do jogador, e um Bolsonaro que claramente usa o Estado por outros motivos (…) Para Bolsonaro, essa é a última chance. Ele está bem atrás nas pesquisas. Nosso Trump brasileiro tem todo o interesse em aproveitar o raro apoio midiático que ainda tem.”, completou.
Relação entre Neymar e Bolsonaro
O caso citado por Jean-Baptiste Guégan envolve supostas irregularidades tributárias de Neymar. Em 2019, o craque e seu pai se dirigiram a Bolsonaro com objetivo de resolver uma dívida milionária com a Receita Federal. Oficialmente, o atleta manifestou o desejo de solicitar a anulação do processo que cobrava a multa por suspeita de omissão de seus rendimentos. Segundo a Folha de São Paulo, a ação teve início em 2015 e analisou supostas fraudes entre 2011 a 2013, tal quais omissão de rendimentos do trabalho e ausência do pagamento de Imposto de Renda.
Inicialmente, a Receita Federal cobrava R$ 188,8 milhões. Porém, após contestação junto ao Carf, o órgão reduziu o montante para cerca de R$ 8 milhões. Apesar disso, Neymar não ficou satisfeito e moveu um novo recurso. No momento, o caso, que aguarda julgamento, corre Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

