Paraguai está de volta ao Mundial depois anos afastado (Foto: Fifg/Alamy Stock Photo)
O Paraguai retorna ao maior palco do futebol, a Copa do Mundo, após um amargo jejum de 16 anos. A tradicional “Garra Guaraní” está de volta ao torneio, trazendo a promessa de muita solidez defensiva e aquele espírito lutador característico. A seleção sul-americana chega como um azarão indigesto, capaz de frustrar os favoritos e arrancar resultados na base da transpiração.
O grande objetivo agora é sobreviver à fase de grupos e alcançar o mata-mata. Sorteados em uma chave competitiva ao lado de Estados Unidos, Turquia e Austrália, os paraguaios apostam em um sistema defensivo quase impenetrável. Ao longo desta análise, vamos explorar o impacto tático do técnico Gustavo Alfaro, o talento emergente de Julio Enciso e as reais chances da Albirroja na competição.
Nosso veredito sobre o Paraguai
Embora o retorno paraguaio seja motivo de festa, a jornada da equipe pode ser mais curta do que os torcedores esperam. A nossa expectativa é que o Paraguai não consiga avançar além da fase de grupos. O sistema defensivo montado por Gustavo Alfaro é indiscutivelmente forte, mas cobra um preço altíssimo no setor ofensivo.
Durante as eliminatórias, a equipe teve o quarto pior xG (gols esperados) do continente e cedeu a posse de bola de forma drástica. Em um grupo tão equilibrado, o saldo de gols e a capacidade de propor o jogo contra adversários como a Austrália serão fundamentais.

Sem um ataque prolífico, a seleção pode sofrer para buscar resultados quando estiver em desvantagem. Para quem busca bons valores no melhor site de apostas, como a Novibet, palpitar na eliminação precoce da Albirroja pode oferecer uma leitura realista do cenário.
Projeções do Paraguai no torneio
As probabilidades indicam uma disputa acirrada pela classificação, com o risco de eliminação precoce pairando sobre a equipe. Esses números reforçam a nossa leitura de que a falta de poder ofensivo pode custar caro na busca por uma vaga nas oitavas de final.
| Fase a Alcançar | Probabilidade Projetada |
|---|---|
| Vencedor | 0.0% |
| Final | 0.3% |
| Semifinal | 1.7% |
| Quartas de final | 7.3% |
| Oitavas de final | 26.5% |
| Dezesseis-avos de final | 64.7% |
| Posição no Grupo | Probabilidade Projetada |
|---|---|
| Vencedor do Grupo | 17.2% |
| Classificação no Grupo | 64.7% |
| Eliminação no Grupo | 35.3% |
Paraguai na Copa do Mundo 2026: análise e prévia
O sucesso recente do Paraguai é construído sobre uma fundação defensiva extremamente rígida. A equipe de Gustavo Alfaro sente-se confortável atuando em um bloco baixo, convidando o adversário a atacar e negando espaços na entrada da área. Essa estratégia rendeu frutos nas eliminatórias, onde a equipe sofreu apenas 0,56 gols por jogo em média, a segunda melhor marca de todo o continente sul-americano. Eles cederam menos de 10 finalizações por partida, mostrando uma organização tática notável.
No entanto, essa solidez defensiva expõe a principal fraqueza da Albirroja: a falta de repertório no ataque. A média de posse de bola na fase classificatória foi de apenas 38%, superando o adversário em apenas três dos 18 confrontos.
Contra seleções de nível similar no Grupo D, como Austrália e Turquia, a incapacidade de controlar o ritmo no meio-campo pode ser fatal. Os paraguaios dependem quase exclusivamente de transições rápidas e lances de bola parada, embora tenham marcado muito pouco nesse quesito ao longo do ciclo.
O cenário do grupo exige que a seleção encontre soluções contra defesas bem postadas. Enquanto os Estados Unidos devem propor o jogo impulsionados pela torcida local, um duelo contra a Austrália exigirá que a equipe sul-americana tome a iniciativa. É nesse ponto que a falta de um centroavante letal e a dependência excessiva da criatividade individual se tornam evidentes.
Se conseguirem a classificação, avançando em segundo lugar, o cruzamento nos dezesseis-avos de final poderia colocar o Irã no caminho, um cenário considerado favorável. Contudo, a dificuldade em ditar o ritmo das partidas torna a sobrevivência na fase de grupos uma tarefa árdua e altamente imprevisível.
Como o Paraguai joga
Gustavo Alfaro costuma estruturar a equipe em um 4-4-2 ou 4-2-3-1, que rapidamente se transforma em um bloco baixo e extremamente compacto quando o time perde a bola. O foco absoluto está na disciplina defensiva e em manter os jogadores sempre entre a linha da bola e o próprio gol. A estratégia é clara: frustrar o oponente e explorar contra-ataques em velocidade.
A principal força tática reside na proteção da área, evidenciada pela média de apenas 9,83 finalizações concedidas por jogo nas eliminatórias. Por outro lado, a equipe sofre enormemente na construção ofensiva. Com o quarto pior índice de gols esperados (xG) da América do Sul, a seleção tem dificuldades crônicas para criar chances claras em ataques posicionais. É um time desenhado para destruir jogadas, não para construí-las de forma elaborada.
Jogador-chave: Julio Enciso

O peso da criatividade ofensiva recai quase inteiramente sobre os ombros de Julio Enciso. O jovem atacante atua de forma fluida pela seleção, partindo do lado esquerdo ou centralizado como um autêntico camisa 10.
Alfaro dá liberdade para que ele flutue nos espaços curtos, demande a bola e ataque os defensores adversários no mano a mano. O jogador não tem perfil de brigar pela artilharia, mas é fundamental para a sua equipe.
Apesar de lutar contra lesões recentes e oscilar em seu rendimento por clubes europeus, Enciso tem o talento puro necessário para decidir jogos travados. Ele marcou gols cruciais nas eliminatórias e é o verdadeiro “fator X” do time. Caso ele não esteja disponível ou sinta o desgaste físico, o Paraguai perde sua principal válvula de escape e torna-se um time extremamente previsível no terço final.
Como o Paraguai se classificou
A jornada rumo ao torneio da América do Norte foi marcada por instabilidade inicial e uma recuperação impressionante. Nos primeiros jogos, a equipe parecia destinada a mais um fracasso, sofrendo com a falta de gols e resultados ruins. O grande ponto de virada ocorreu com a chegada de Gustavo Alfaro em agosto de 2024.
Sob o novo comando, a seleção engatou uma sequência invicta de nove partidas, consolidando uma defesa quase intransponível. O momento mais emblemático dessa campanha de superação foi a vitória histórica por 2 a 1 sobre a Argentina. O atacante Antonio Sanabria foi o herói improvável do ciclo, marcando gols vitais em jogos apertados que garantiram pontos fundamentais para assegurar a sexta colocação geral nas eliminatórias.
O Paraguai na última Copa do Mundo
O Paraguai retorna ao grande palco após amargar eliminações precoces e dolorosas nas classificatórias para 2014, 2018 e 2022. O maior feito recente da equipe ocorreu na edição de 2010, na África do Sul, onde chegaram às quartas de final. Naquela ocasião memorável, a Albirroja fez uma campanha sólida e foi eliminada apenas pela futura campeã Espanha, em um duelo extremamente tenso que terminou em 1 a 0.
A geração de 2010 era conhecida pela mesma resiliência defensiva que a equipe atual tenta replicar. Nomes históricos lideraram um elenco que elevou o sarrafo para o futebol do país. Agora, a missão da nova geração é provar que pode resgatar esse prestígio perdido ao longo da última década e surpreender novamente no torneio.
- 1998: Oitavas de final
- 2002: Oitavas de final
- 2006: Fase de grupos
- 2010: Quartas de final
- 2014: Não se classificou
- 2018: Não se classificou
- 2022: Não se classificou
Treinador do Paraguai: perfil e estilo

Gustavo Alfaro é visto hoje como o grande salvador do futebol paraguaio. Conhecido carinhosamente como “El Profesor”, o técnico argentino assumiu uma equipe caótica e a transformou em uma unidade incrivelmente organizada. Com vasta experiência no futebol sul-americano de clubes, incluindo títulos importantes, ele sabe exatamente como competir em cenários adversos.
Alfaro também traz bagagem internacional valiosa, tendo comandado o Equador na edição de 2022 do torneio. Ele é um pragmático convicto, priorizando resultados e disciplina tática acima de qualquer espetáculo visual. Sua capacidade de blindar o vestiário e montar defesas sólidas será a principal arma do Paraguai para tentar frustrar os planos das seleções favoritas no Grupo D.
Perfil do Paraguai
Confira os principais dados e informações da seleção sul-americana antes do início da competição.
| Treinador | Apelido | Ranking FIFA | Melhor Resultado | Participações |
|---|---|---|---|---|
| Gustavo Alfaro | La Albirroja, Los Guaraníes | 40º | Quartas de final (2010) | 9 |
Elenco do Paraguai
| Jogador | Clube | Posição | Jogos | Gols |
|---|---|---|---|---|
| Roberto Fernández | Cerro Porteño | GOL | 30 | 0 |
| Orlando Gill | San Lorenzo | GOL | 5 | 0 |
| Gastón Olveira | Olimpia | GOL | 1 | 0 |
| Gustavo Velázquez | Cerro Porteño | DEF | 12 | 1 |
| Omar Alderete | Sunderland | DEF | 35 | 3 |
| Juan Cáceres | Dynamo Moscow | DEF | 16 | 0 |
| Fabián Balbuena | Grêmio | DEF | 47 | 2 |
| Júnior Alonso | Atlético Mineiro | DEF | 70 | 3 |
| Alan Benítez | Libertad | DEF | 8 | 0 |
| Gustavo Gómez | Palmeiras | DEF | 88 | 4 |
| José Canale | Lanús | DEF | 1 | 0 |
| Alexandro Maidana | Talleres | DEF | 1 | 0 |
| Ramón Sosa | Palmeiras | MEI | 28 | 1 |
| Diego Gómez | Brighton & Hove Albion | MEI | 23 | 3 |
| Miguel Almirón | Atlanta United | MEI | 75 | 9 |
| Maurício Magalhães | Palmeiras | MEI | 2 | 0 |
| Lucas Romero | Universidad de Chile | MEI | 2 | 0 |
| Damián Bobadilla | São Paulo | MEI | 19 | 1 |
| Braian Ojeda | Orlando City | MEI | 16 | 0 |
| Matías Galarza | Atlanta United | MEI | 14 | 2 |
| Antonio Sanabria | Cremonese | ATA | 47 | 7 |
| Álex Arce | Independiente Rivadavia | ATA | 14 | 1 |
| Julio Enciso | Strasbourg | ATA | 31 | 4 |
| Gabriel Ávalos | Independiente | ATA | 22 | 2 |
| Gustavo Caballero | Portsmouth | ATA | 2 | 1 |
Considerações finais sobre o Paraguai
A presença da Albirroja no torneio já representa uma vitória imensa para uma nação que passou mais de uma década fora do radar. O sistema defensivo robusto garante que eles serão um adversário difícil de ser batido, independentemente de quem estiver do outro lado do campo, o que reflete nas odds da Copa do Mundo.
No entanto, a dificuldade crônica em marcar gols e controlar as partidas levanta dúvidas reais sobre a capacidade da equipe de avançar ao mata-mata. O desafio no Grupo D é enorme, e a margem para erro será praticamente nula.

