Lamacchia interessado na SAF do Vasco. Foto: Nayra Halm/FotoArena/Alamy Live News
A possível venda da SAF do Vasco para Marcos Lamacchia entrará em uma nova fase na próxima semana. O Conselho Deliberativo foi convocado para uma sessão extraordinária em 6 de outubro, quando analisará os termos apresentados pela Almirante Participações S/A, vencedora do leilão realizado para a aquisição da empresa.
A proposta prevê a compra de 90% das ações da SAF e gira em torno de R$ 3 bilhões, além da promessa de um aporte de R$ 500 milhões no futebol. Apesar de ter vencido o leilão, Lamacchia ainda precisa superar etapas internas antes de efetivamente assumir o controle da SAF vascaína.
Conselho do Vasco votará proposta de Lamacchia
A Almirante Participações foi a única interessada habilitada no leilão e, consequentemente, terminou como vencedora. Agora, porém, caberá aos órgãos internos do Vasco analisar as condições oferecidas pelo empresário.
O Conselho Deliberativo terá papel central nessa etapa. Na reunião extraordinária, os conselheiros poderão avaliar os termos financeiros, a estrutura da operação e as condições previstas para a transferência do controle da SAF.
Portanto, o resultado do leilão não significa que a venda esteja definitivamente concluída. A operação ainda depende da aprovação prevista dentro da estrutura política do clube.
Proposta prevê 90% da SAF e aporte de R$ 500 milhões
A oferta apresentada pela Almirante Participações prevê a aquisição de 90% das ações da SAF do Vasco. A proposta completa gira em torno de R$ 3 bilhões, enquanto o planejamento apresentado inclui a promessa de R$ 500 milhões em aportes destinados ao futebol.
Esse investimento representa um dos pontos de maior interesse esportivo da negociação, já que poderá interferir diretamente na capacidade de investimento do Vasco nos próximos anos. Entretanto, as condições e obrigações previstas no acordo serão analisadas antes da aprovação definitiva.
Além disso, o percentual pretendido por Lamacchia cria outra discussão importante. Atualmente, o Estatuto Social do Vasco estabelece uma participação mínima do clube associativo na SAF superior àquela que permaneceria caso 90% das ações fossem transferidas.
Vasco pode mudar Estatuto para permitir venda de 90% da SAF
O artigo 135, inciso I, do Estatuto Social determina que o Club de Regatas Vasco da Gama mantenha participação mínima de 20% na SAF. Se a proposta de Lamacchia for aprovada nos moldes apresentados, o associativo ficaria com apenas 10%.
Por isso, a reunião também discutirá uma alteração estatutária. Sem essa mudança, existe uma incompatibilidade entre o percentual oferecido ao empresário e o limite atualmente previsto pelas regras internas do clube.
A questão torna a votação ainda mais importante. Os conselheiros não analisarão somente a entrada de um novo controlador, mas também uma mudança necessária na estrutura societária para permitir que a operação avance nos termos apresentados.
Outros conselhos também analisam documentos da operação
Paralelamente ao Conselho Deliberativo, outros órgãos internos receberam a documentação. O Conselho de Beneméritos deverá elaborar um parecer opinativo sobre os termos e as condições da operação em até sete dias corridos.
Já o Conselho Fiscal poderá analisar os documentos e se manifestar caso identifique alguma irregularidade. Dessa forma, diferentes instâncias do Vasco participarão do processo antes que a negociação alcance sua fase final.
Caso a proposta supere essas etapas e receba as aprovações necessárias, o processo seguirá para a Assembleia Geral. Assim, a reunião de 6 de outubro representa um passo importante, mas não encerra o caminho para a mudança de controle da SAF.
Lamacchia se aproxima da SAF, mas venda ainda não está concluída
Marcos Lamacchia avançou de maneira significativa ao vencer o leilão por meio da Almirante Participações. No entanto, ainda existe uma diferença entre ser o vencedor do processo e efetivamente se tornar controlador da SAF.
A análise interna ganha ainda mais peso porque a oferta exige uma alteração no Estatuto Social. Portanto, além das condições financeiras, o Vasco precisará decidir qual participação deseja manter na empresa responsável pelo futebol.
A partir de 6 de outubro, essa discussão entra definitivamente na esfera política do clube. Somente depois das manifestações dos conselhos e da Assembleia Geral será possível avançar para a conclusão da operação que pode transformar novamente a estrutura societária do futebol vascaíno.

