Futebol brasileiro começa 2020 mais ofensivo, mas nem tanto quanto se pensa

Apesar do que a movimentação no mercado dos técnicos deu a entender, não tivemos um acréscimo tão grande de técnicos ofensivos em relação ao final de 2019

Luiz Mutschele
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: twitter oficial Internacional

O efeito que os bons trabalhos de Sampaoli e Jorge Jesus tiveram no futebol brasileiro foi além da onda de técnicos estrangeiros que chegaram ao Brasil e serviu também para se questionar o modelo de futebol praticado no Brasil em boa parte deste século: o chamado “futebol de resultado”.

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Dos experientes aos da nova geração, todos eles foram cobrados pelo estilo de jogo pobre de variações táticas, com uma preocupação excessiva em defender e limitar as ações ofensivas a ligações diretas e cruzamentos na área. O efeito disso foram clubes buscando soluções que trouxessem de volta um pouco do “DNA ofensivo” do futebol brasileiro. Entretanto apesar do que pode parecer, não teremos assim uma revolução tão grande quanto parece, se olharmos os clubes da elite do futebol nacional.

Quem chega e quem sai dos clubes?

 

Dos 20 clubes que disputarão a série A do Brasileirão, apenas Atlético Goianiense e Red Bull Bragantino estão sem técnicos, então a proporção ainda pode sofrer alterações, mas ao observarmos todos os times que já tem técnicos confirmados e compararmos com o final de 2019, temos a seguinte situação.

Os ofensivos

Em 2019 tínhamos um total de de oito técnicos considerados ofensivos (observando aqui no último técnico efetivo de cada clube):

  • Ceni – Fortaleza.
  • Roger – Bahia.
  • Jorge Jesus – Flamengo.
  • Barroca – Atlético Goianiense.
  • Thiago Nunes – Athletico Paranaense.
  • Sampaoli – Santos.
  • Fernando Diniz – São Paulo.
  • Renato Gaúcho – Grêmio.

Agora em 2020, além de Ceni, Renato Gaúcho, Fernando Diniz, Roger e Jorge Jesus que permaneceram em seus clubes, tivemos a adição dos seguintes times:

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  • Barroca – Coritba.
  • Eduardo Coudet – Internacional.
  • Thiago Nunes – Corinthians.
  • Dorival Junior – Athletico Paranaense.

Ou seja, no total tivemos apenas o acréscimo de um time com técnico que pode ser considerado ofensivo. Ainda sim pode ser feita a ressalva em um dos nomes desta lista: Fernando Diniz. Conhecido pelo seu estilo ofensivo, de toques rápidos que marcou especialmente seu trabalho no Osasco Audax, ele foi muito criticado no São Paulo por justamente ter se mostrado muito pragmático e em muitos momentos optando inclusive por vícios conhecidos de técnicos retranqueiros, o de tirar um jogador de frente e botar um volante quando o time está com uma pequena vantagem. Então é preciso aguardar para saber se com mais tempo de preparação ele pode mostrar o estilo de jogo que virou sua marca.

Os retranqueiros

Naturalmente o estilo de jogo mais usado aqui nos últimos tempos não seria deixado de lado, mas tivemos uma queda de 2019 para cá, quando tínhamos:

Em 2020 apenas Argel Fucks e Guto Ferreria permaneceram, mas outros clubes resolveram apostar em técnicos menos ousados e são eles:

O número reduziu em relação ao ano anterior, mas pode aumentar dependendo de quem os dois times que estão sem técnico contratarem, apesar da chance do Red Bull Bragantino contratar um técnico neste estilo ser bastante reduzida. Outro fator que pode mudar isso são aqueles que ficam no meio termo e os que são verdadeiras incógnitas.

Equilibrados e incógnitas

Ao completar a lista dos 20 técnicos dos clubes da série A 2020, temos aqueles que não se encaixam nem em um nem em outro dos dois grupos citados e são eles:

  • Luxemburgo – Vasco.
  • Ney Franco – Goiás.
  • Alberto Valentim – Botafogo.
  • Marcão – Fluminense.
  • Antônio Carlos Zago – Red Bull Bragantino.

Ney Franco, Zago e Marcão variaram em diversos momentos seus estilos de jogo do mais precavido ao mais ousado, então não são essencialmente um ou outro estilo. Por outro lado Luxemburgo e Valentim são incógnitas em relação ao que se esperar. Valentim mostrava uma vocação ofensiva no Palmeiras e também no Botafogo na primeira passagem, porém desde que voltou ao Vasco no começo de 2019 e depois no Avaí e Botafogo tem se tornado “mais do mesmo”, então é difícil saber qual Valentim veremos em 2020.

Considerando que Valentim e Ney Franco seguiram, temos os seguintes técnicos nesta categoria:

Luxemburgo é um caso muito peculiar, pois falamos de um técnico que foi muito arrojado no seu auge, mas que com um recente histórico de trabalhos ruins, acabou se recuperando em um trabalho OK no Vasco, onde muitas vezes mostrava o pragmatismo de outros treinadores que temos visto por aí. O Palmeiras o contratou esperando ver o Vanderlei do auge, mas é difícil saber qual será o técnico que o alviverde terá.

Pensando no atual momento é possível que cheguemos a um total de 11 clubes da elite com técnicos com estilo de jogo ofensivo, dependendo do que os dois que não trouxeram ainda, contratem.  Descontando esse fato, tivemos apenas o acréscimo de um clube com técnico ofensivo ao total que finalizou 2019, o que apesar de manter uma tendência de futebol que priorize o ataque, mostra que o estilo de jogo mais pragmático ainda resiste com mais força que a ausência de nomes como Felipão, Carille e Mano Menezes em clubes de elite possa de fato dar a entender.

Vale destacar que mesmo a tendência de técnicos estrangeiros não trouxe tantos nomes ofensivos, pois apenas Eduardo Coudet é de fato um técnico com estilo de jogo agressivo. Jesualdo parte para um estilo balanceado, que tanto pode pender para um como para outro e Dudamel se notabilizou por fazer uma seleção venezuelana que marcava muito forte.

Além disso, um técnico que pensa jogo ofensivo, depende de tempo para preparar e criar variações táticas e nem todos vão ter um encaixe tão rápido como Jesus teve no Flamengo, então resta também saber como cada clube lidará com esse tempo de maturação do trabalho e se estão prontos para bancar um estilo de jogo que só tende a engrandecer novamente o futebol brasileiro.

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