Pedro Júnior queria mais chances no Grêmio e diz que gol histórico no Beira-Rio foi treinado: “Ninguém acreditava no nosso time”

Atacante de 33 anos, Pedro Júnior continua a carreira e defende atualmente o Prakan City, da Tailândia

Eduardo Caspary
Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

Crédito: Foto: Reprodução/Instagram

Marcelo Costa se aproxima da bola, olha para a área e vê em seus pés uma das últimas chances de contrariar todos os prognósticos e fazer o Grêmio, egresso da Série B, campeão gaúcho sobre o favorito Inter de Fernandão, Tinga e Sobis dentro do Beira-Rio. Ao fazer o cruzamento, talvez nem o meia imaginasse que o herói seria o então jovem atacante Pedro Júnior, trazido do Vila Nova no ano anterior e personagem da nova entrevista exclusiva do Torcedores.com.

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O lance é lembrado até hoje com muito carinho pela torcida gremista, que viu, naquele ano, o clube interromper uma sequência de quatro títulos gaúchos do rival. Na última semana, o título do Gauchão de 2006 dentro do Beira-Rio completou exatos 14 anos e Pedro, atual jogador do Prakan City, da Tailândia, garante: a jogada foi exaustivamente treinada por Mano Menezes durante a semana.

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Mas o gol salvador na casa adversária em 2006 é apenas um dos tópicos da entrevista, que ainda traz a frustração do atacante em não ter tido mais oportunidades no tricolor e uma opinião sincera sobre quem viu de fora a recente pancadaria do Gre-Nal, na Arena, inédito pela história da Libertadores.

Torcedores.com: Pedro, na última semana o teu histórico gol no Gre-Nal da final do Gauchão de 2006 completou 14 anos. O que esse lance representou na tua vida e os gremistas te mandam mensagens até hoje?

Pedro Júnior: É sempre muito bom relembrar esse momento histórico. Fez 14 anos agora na última semana, né? Tenho recebido, sim, bastante mensagens de torcedores do Grêmio. Através das redes sociais. E realmente é um lance que ficou marcado na minha carreira. E imagino que também tenha ficado marcado na vida dos gremistas. Um gol muito importante, onde muitos torcedores e o pessoal da imprensa não acreditavam na gente, não acreditavam que aquele título iria parar no Olímpico. Até pelo time que o Internacional tinha. Tanto é que foram campeões mundiais no final daquela temporada. Mas foi importante demais pra minha carreira, marcou demais. E eu tenho certeza que pra todo aquele elenco também.

T: Ainda sobre o gol, gostaria que você falasse sobre o lance em si. Foi de cabeça, foi de pescoço? Era uma jogada treinada ou foi um gol mais na base do “abafa” com a bola parada?

PJ: Aquele lance nós treinamos bastante. O Mano (Menezes, treinador do Grêmio entre 2005 e 2007) sempre procurava treinar essa jogada. Era até cansativo o tanto de vezes que ele treinava aquela bola parada. Com Marcelo Costa batendo, com o próprio Tcheco também. O Tcheco vinha com pubalgia, não vinha jogando, começou no banco esse jogo. O Marcelo também batia bem. Foi tudo muito treinado. Eu tive a felicidade de entrar e dar aquele “raspão” que a gente fala. Eu deixei a bola bater na cabeça, que fica difícil pro goleiro. Por ser atacante, acabo tendo um pouco mais de facilidade nas finalizações. Só deixei bater na cabeça pra tirar do Clemer, fazer o gol e partir pra comemorar aquele título.

Relembre aqui por onde andam os personagens gremistas daquele título de 2006

T: Você lamenta não ter tido mais sequência no clube e gostaria de ter ficado mais tempo no Grêmio?

PJ: Quando eu cheguei no primeiro ano de Grêmio eu sofri com lesões. Não consegui jogar em 2005 o tanto que eu queria. Em 2006 fiz uma boa pré-temporada e atuei em vários jogos. Mas, infelizmente, achei que não recebi todas as oportunidades que eu merecia. O Mano acabou optando por escalar outros jogadores. Em 2007, se eu tivesse continuado, com certeza eu teria uma sequência muito boa. Até porque eu já estava completamente adaptado à cidade, ao clube. Como recebi uma proposta do Cruzeiro, e na época estava ligada à vinda do Teco para o Grêmio, não tive muito o que fazer. Foi uma decisão do clube e também pelo fato de o Cruzeiro ser uma grande equipe. Mas, com certeza, poderia ter ficado um pouco mais e feito um trabalho melhor no Grêmio.

T: Como tem sido a experiência de jogar fora do Brasil e as temporadas atuando no Prakan City, da Tailândia?

PJ: Já estou há bastante tempo fora. Saí do Brasil em 2007, logo depois da saída do Cruzeiro e fui para o Japão. Cerca de 10, 11 anos jogando no Japão. Agora, nesses últimos anos tenho tido a experiência de atuar na Tailândia. É um país bom. O futebol tem melhorado e crescido bastante. Sinto que tem evoluído nessas últimas temporadas. Tem sido uma experiência boa jogar aqui.

T: Para fechar, recentemente tivemos uma imensa pancadaria no Gre-Nal válido pela Libertadores. Você acompanhou? Qual a sua opinião e como você agiria se estivesse jogando e ocorresse algo assim?

PJ: Acompanho bastante o futebol brasileiro. E acompanhei, sim, o Gre-Nal. Acho que foi um jogo muito bonito dentro de campo. Fazia tempo que não víamos um Gre-Nal assim, bem jogado. E fazia tempo que eu não via o Internacional jogar melhor que o Grêmio. Particularmente, achei que o Inter foi melhor naquela partida. Infelizmente, ocorreu a confusão toda. Aquilo manchou uma grande partida. Mas serve de aprendizado pros jogadores e para todos os envolvidos. Não pode acontecer mais. Isso fica feio pro futebol brasileiro e pro futebol gaúcho. Um clássico tão respeitado, gigante no futebol brasileiro, não pode passar essas imagens como aconteceu. Quando acabar essa pandemia e ocorrer o jogo da volta, no Beira-Rio, torcemos para que o duelo seja só jogado dentro de campo.

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